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Desconsiderando Cristo

publicado em 12 de setembro de 2020 - Por Pastor Jessé

É intrigante a dinâmica entre religiões e fundadores das religiões. O Islamismo foi fundado por Maomé, o Budismo por Gautama Buda, e o Espiritismo por Alan Kardec. Numa categoria especial existe o Judaísmo, que tem em Moisés um estruturador, e não um fundador. E em outra categoria está o Hinduísmo, que não tem um fundador conhecido, pois foi formado numa cacofonia de místicos através da história. É proveitoso verificar como as religiões consideram os fundadores das outras religiões.

Fazendo essa verificação comparativa, fica manifesto que as religiões não se preocupam ou reconhecem a contribuição espiritual dos fundadores das demais. Por exemplo, o Budismo não se interessa por Maomé, Moisés ou Alan Kardec. O Islamismo não abre nenhum espaço para Buda ou Alan Kardec. Uma exceção é o Islamismo reconhecer o judeu Moisés, porém, como um profeta moldado a uma versão peculiarmente islâmica.

Relevante é o fato que, ainda que Maomé seja o profeta fundador do Islamismo e sua autoridade maior, nele Cristo é reconhecido como um profeta com um currículo superior ao de Maomé. Para o islamismo, Cristo nasceu de uma virgem, realizou milagres, não morreu, mas foi arrebatado ao céu por Alá. E retornará de forma visível no dia do julgamento final.

Essa postura comum das religiões desconsiderarem os fundadores das demais, muda completamente quando se trata de Jesus Cristo. O Budismo, na tradição “Mahayana”, considera Cristo um “bodhisattava”. Isto é, ele é alguém com tal compaixão, que fez a porta de Nirvana retroceder para apontar o caminho a quem carece da iluminação.
No Hinduísmo muitos eruditos e mestres têm afirmado Cristo como um dos dez “avatars” de Vishnu. “Avatar” é “um que desce” e “Vishnu” é uma das maiores divindades do panteão Hindu.

No Espiritismo, Cristo é visto como um espírito plenamente evoluído, bem como um referencial moral para essa crença. O Judaísmo reconhece Cristo como um profeta legítimo. Jesus Cristo é também afirmado, em alguma forma, em outras religiões, tais como bahaísmo, sikhismo, jainismo, mormonismo, Nova Era etc.

Essa atitude única das religiões para com Cristo, revela que ele é singular na história humana e no cenário espiritual. Se Cristo é considerado por todas as religiões, então faz todo sentido atentar primordialmente para a pessoa, mensagem e obra dele. Ou seja, é sábio examinar cuidadosamente o Novo Testamento – a doutrina apostólica na Bíblia.

É recomendável porque a fonte original da verdade e historicidade de Cristo, não está no ensino e textos das religiões. Essa fonte está no Evangelho, contido na Bíblia. É nela que está a base primordial da fé cristã. Quando as outras religiões reivindicam Cristo, ainda que seja de forma incoerentemente seletiva e alterada, elas estão autenticando o valor supremo dos Evangelhos. Porém, quando examinados, neles Cristo é exclusivo e suficiente.
Infelizmente as pessoas se comportam como Pilatos (João 18:28-40).

Ele ficou impressionado com a pessoa de Cristo, mas manteve uma postura evasiva e distante. Aliás, Pilatos não esperou a resposta depois de colocar para Cristo a pergunta fundamental: “O que é a verdade?” (João 18:38). Pilatos estava ocupado demais e muito preocupado com seu status. Anos depois Pilatos terminou seus dias numa triste condição. Lamentavelmente havia desperdiçado uma ocasião singular.

Cristo é oportunidade única e maravilhosa oferecida por Deus a todo ser humano que o buscar verdadeiramente. Cristo é Deus manifesto e acessível. O apostolo João, em seu Evangelho, foi taxativo quanto a Cristo e aos que se entregam a ele: “…aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram… pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:12-13, Bíblia).