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Crise civilizatória e a questão ambiental

publicado em 4 de agosto de 2020 - Por Ambiente em Pauta

O ser humano, durante seu desenvolvimento, estabeleceu sua reação com o ambiente utilizando os recursos naturais e não-renováveis, preocupado em garantir sua própria sobrevivência. Com o passar do tempo passou a adotar um comportamento predatório em relação à natureza, que tem tido consequências desastrosas e coloca em risco sua própria existência.

Na verdade, a história da humanidade mostra que a degradação ambiental já acontecia, porém ela não representava grande impacto, não se configurando como um problema ambiental nos termos como é entendido hoje. Pode-se considerar então, que os problemas ambientais só começaram a ser identificados como sendo impactantes a partir de duas situações: a revolução industrial, ocorrida a partir da metade do século XVIII, mais precisamente a partir do ano de 1750, produzida pela passagem do artesanato e da manufatura à fábrica, pela criação das máquinas de fiar (tear mecânico), ocasionando uma grande mudança no processo de produção; e a organização urbana, representada pelas construções das grandes cidades originadas com a revolução industrial, a maioria delas feitas sem nenhum planejamento e ordenamento.

Foram adotados determinados estilos de desenvolvimento, assimilados e aceitos pelas sociedades dominantes, que fizeram com que se estabelecessem uma relação de exploração do homem pelo homem e da natureza pelo homem. A forma como as sociedades predominantes promoveram o desenvolvimento tem se mostrada predatória, o progresso está sendo obtido dentro de um padrão de produção, de consumo, de acumulação e de vida insustentável.

Esse modelo de desenvolvimento, pautado por modelos de sociedade incompatíveis com a sustentabilidade biológica, social, cultural e econômica, desencadeou, com o decorrer dos anos, tudo isso a que chamamos de “crise ambiental”. Na verdade, esta crise, manifestada através da degradação ambiental, é, em sua essência, um sintoma de uma crise civilizatória.

Na tentativa de modificar o presente buscando uma saída para a crise ambiental, é preciso começar um processo de desconstrução e reconstrução do pensamento, que nos levará a uma mudança de paradigma, do econômico hegemônico para um paradigma ambiental, mais humanizador.

Adotar outros padrões de comportamento, atitudes, posturas e hábitos mais sustentáveis, fazer uma administração ambiental antecipativa-preventiva, e não apenas reativa, tomando outras e novas decisões políticas e construindo um meio ambiente saudável, que melhore a nossa qualidade de vida e fortaleça a nossa solidariedade entre as gerações, presentes e futuras.

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Contribuição de Maria Cristina Muñoz Franco, integrante do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.