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Crianças tristes

publicado em 17 de outubro de 2020 - Por Pastor Jessé

“Os professores estão sofrendo de fobia escolar, antes um distúrbio psicológico exclusivo das crianças”, apontou Raymundo de Lima, professor de fundamentos da educação na Universidade Estadual de Maringá. A causa de tal fobia é total falta de valores e comportamentos recomendáveis por parte dos alunos, tanto nas escolas públicas como nas escolas tradicionais particulares. Havia erros no passado, mas a situação é pior hoje.

O diagnóstico dessa situação revela duas causas. Uma causa foi o surgimento da visão psicologizada do indivíduo. E, conectado a esta, vem a outra causa, que é o desaparecimento de pais que eduquem seus filhos. A visão psicologizada atual explica todos os comportamentos através da adoção de uma das “chaves” psicológicas dentre as diversas propostas pelas várias correntes de psicologia.

Essas “chaves” são divergentes, mas têm em comum a ação de eliminar a responsabilidade moral de cada indivíduo diante de seu comportamento. A responsabilidade e causa de atitudes erradas são sempre de outrem ou algo mais. O indivíduo se torna vítima, inimputável e intocável. Geralmente ele recebe um rótulo psicológico engessador. E mais, prega-se que o bem-estar dele está acima de qualquer responsabilidade, acima até de valores morais, gerando um indivíduo autocentralizado.

Os pais formados numa sociedade com essa visão, adotam essa perspectiva de vida autocentralizada e se tornaram irresponsáveis no compromisso conjugal, bem como confusos e inoperantes na educação de seus filhos. E mais, com o surgimento do “especialista” psicológico, como o único que tem o “segredo” da “cura”, foi roubada dos pais a segurança milenar de que eles são os que realmente entendem de filhos, portanto, da educação deles.

Diante das variadas definições das diversas psicologias sobre o que é o ser humano, os pais já não sabem que ser é o seu filho. Nessa incerteza só ficou certo o fato que o ser humano como ser moralmente responsável, seja no papel de pai ou de filho, desapareceu. Os pais não são mais capazes de corrigir e disciplinar, mesmo porque não têm referência e convicção para direção e limites. Não tendo em si e para si mesmos, os pais não têm o que dar a seus filhos. O ato de amar que, além do orientar, deve incluir o disciplinar consistente e de forma sábia, foi suprimido.

O resultado são filhos “não educados” enquanto ser e viver. Como o filho não educado é insuportável, e isso já na tenra idade, a experiência de ser pai é considerada um martírio. Pais separados, estando focados em “encontrar o novo amor” e sobreviver à duplicação de compromissos sentimentais, empurram a responsabilidade da educação do filho de um para o outro.

Quando são notificados do comportamento repreensível de seus filhos, os pais se manifestam com atitudes réprobas. Uma resposta comum é que os outros é que estão errados, pois os filhos são ótimos. Eles são “reizinhos” do mundo, ou são vítimas. E há também a transferência comum. Uma postura comum é que pagam, e então o profissional deve resolver o problema da criança, seja a escola, seja o terapeuta. E, por estarem “ocupados demais”, frustrados com filhos indomados, e “psicologicamente incapazes”, os pais transferem os filhos para outros, bem como os entrega à perversão da mídia.

A escola só pode ser formativa enquanto braço auxiliar dos pais, como foi no passado. E isso exige que a escola se alinhe com os valores dos pais, e não o contrário. Infelizmente isso está invertido. Os pais devem ser, e são, os verdadeiros educadores. A eles pertencem os filhos. Pais precisam ser moralmente convictos. Devem dar direção segura e edificante para dar a seus filhos. Vencendo o materialismo e o hedonismo, pais precisam da verdade espiritual cristã para darem direção aos filhos. E assim dar a eles o adequado significado, propósito e modo para o viver.

Na prática os pais abandonaram as crianças, ainda que sejam bons provedores materiais. As crianças estão sem proteção moral e espiritual. Ninguém as ajuda a se libertar do egoísmo, desrespeito, vazio e imoralidade. Não recebem o amor que se conhece somente através da disciplina e princípios. Ainda não formadas, portanto, despreparadas, encontram-se sós num mundo terrível. É muito triste ser criança hoje. Mas, em Cristo, há alternativa para os pais e filhos se houver um despertar do pesadelo.