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Crepúsculo

publicado em 8 de dezembro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Ao iniciar esta coluna aprendi uma coisa que não sabia. Achava que crepúsculo estava relacionado apenas ao por do sol, no final do dia. Escrevo sempre com dicionário online aberto. Aprendi então que crepúsculo é sinônimo de aurora: claridade que precede, no horizonte, o nascer do sol. Dezembro, com as festas de Natal e de ano novo, é ao mesmo tempo aurora e crepúsculo. Fim e início. Ambos com generosa luminosidade.

No entanto, nem todos curtem intensamente esses festejos de virada. Nem todos comemoram tudo o que conseguiram durante o ano que finda. Não é pequeno o grupo daqueles que sentem alguma ansiedade diante do novo, representado pelo ano que em breve estará se iniciando.

Muita gente tem a sensação de que não aproveitou adequadamente os 365 dias de 2018. Avaliam que não se dedicaram suficientemente às coisas que desejavam. Ou então que encontraram algumas pedras intransponíveis ao longo da caminhada. Também existem aqueles que tiveram perdas importantes de entes queridos, de oportunidades ou de conquistas realizadas anteriormente. Algo diz interiormente para esse grupo que não há muita coisa a ser comemorada.

Outro grupo de pessoas, também numeroso, ainda não sabe o que pretende realizar no próximo ano. Como bem diz o ditado: ‘para quem não sabe aonde quer chegar, nenhum caminho lhe é útil’. Bate assim alguma insegurança. Com frequência, a ansiedade vem fortemente. Ansiedade, neste caso, é um estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso.

Também é certo que muitas famílias gostariam de fazer uma celebração de Natal com mais alimentos sobre a mesa e mais presentes para as crianças e para as demais pessoas queridas da família. Assim como desejariam uma virada de ano bem iluminada e comemorada. No entanto, a baixa renda familiar, o desemprego de alguns familiares e doenças graves de algum ente querido, limitam a possibilidade de festejar.

Neste dezembro de 2018, variados são os meios de comunicação instantânea e as facilidades para viagens em distâncias curtas ou longas. Não obstante, avós e pais passarão os festejos sem a presença física e carinhosa de netos e filhos. Agendas cheias, desatenção para com a família e falta de recursos para locomoção farão com que muitos estejam ausentes em eventos tão tradicionais no seio das famílias.

Alguns, depois de numerosas ceias e preciosos presentes para todos os membros da sua família, passarão os festejos em asilos, com outros que encontram sorte semelhante depois de muito se dedicarem aos seus. Outros estarão internados para cuidar da saúde. Também existem aqueles que estarão trabalhando, principalmente em áreas da saúde, segurança, transporte e alimentação, enquanto os seus comemoram o Natal e o Ano Novo e sentem a sua ausência momentânea.

A todos nós, cabe neste dezembro encerrar bem 2018. Ainda é possível realizar muita coisa, para amenizar prejuízos e para aumentar a satisfação pessoal e familiar. O crepúsculo da tarde tem luz no horizonte. Tem aquele clarão alaranjado, promessa de um novo dia ensolarado. O crepúsculo da manhã também tem luz no horizonte. Assim como o ano novo que se aproxima. Será realmente novo, melhor, na medida em que planejarmos para ele importantes realizações.

Ambas as luzes, a da aurora e a do crepúsculo vêm do alto, do astro maior, do sol. A luz de nossas vidas também vem do Alto, de Deus, que envia o seu próprio Filho, no Natal, para estar entre nós. Nele podemos fazer novas todas as coisas. Cabe-nos buscar nesta virada e sempre, essa luz fundamental, divina, sempre disponível, transformadora.