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Coronavírus ponderado

publicado em 1 de agosto de 2020 - Por Pastor Jessé

A chegada do Coronavírus provoca uma emoção intensificada que consome o espaço mental. O foco e energia se esgotam no medo e sobrevivência. É premente reflexões pausadas diante do Coronavirus.

O Nordeste brasileiro enfrentou uma seca entre 1877-1879. Nesses 3 anos, a seca ceifou cerca de 500.000 das 800.000 vidas que habitavam o Nordeste. Comparativamente, é oportuno notar que, num mundo de 7,8 bilhões de pessoas, o Coronavírus ceifou até o momento 674.000, sendo ele causa parcial numa parcela significativa causa indireta. Se o Coronavírus é uma tragédia, ele é apenas um sinal de enormes males possíveis. O mundo é turbulento.

O Corona é a oportunidade para as pessoas saírem do sonho coletivo em que adentraram nas últimas décadas. Com o avanço tecnológico surgiu a impressão de que o mundo é muito estável e aconchegante. O Coronavírus traz à tona o fato que o mundo não é um lugar confortável. Este mundo, segundo o ensino bíblico e a realidade, é um mundo que está transtornado.  Viver é perigoso. O viver sábio é exige se saber viver com o desconforto da finitude, incerteza e fatalidade. O conforto, segundo a Palavra de Deus, é propriedade de outra realidade na eternidade.

O ser humano almeja intensamente controlar o mundo. Diante do Coronavírus as pessoas ficam confusas e surpresas porque algo saiu fora do controle. Semanas atrás foi notícia a morte do primeiro paciente de COVID no Hospital Albert Einstein. Esse destaque jornalístico é provocado pelo fato que se entende que, numa instituição com recursos científicos de vanguarda, tal morte é inesperada. Lá as enfermidades deveriam estar sob controle.

O valor da vida humana, e o dever de dar a ela o melhor cuidado e preservação, usando o conhecimento, é princípio da ética cristã. Porém, há uma distinção definida entre buscar soluções para os diversos problemas e a pretensão de pensar que o ser humano pode controlar o todo da vida e mundo. O Coronavírus denuncia a presença dessa expectativa irrealista e estulta das pessoas. É preciso viver reconhecendo, humildemente, que não há controle humano absoluto. Somente Deus, criador e sustentador, tem o controle.

O fenômeno do poder da mídia é fator que complica a tragédia Coronavírus. Karin Wahl-Jorgensen, professora da Cardiff University na Grã-Bretanha, dedica-se a pesquisar emoções e jornalismo, e é autora do livro: “Emotions, Media and Politics”. No artigo dela sobre Coronavírus, mídia e medo, ela escreve: “Minha pesquisa sugere que medo tem tido uma participação vital na cobertura jornalística da pandemia Coronavírus.”  E ela acrescenta que é instruidor comparar a magnitude da cobertura do Coronavírus com a cobertura da gripe, que há décadas mata todo ano entre 290.000 e 650.000 pessoas.

A denúncia da pesquisadora Wahl-Jorgensen é que há informação demais na mídia sobre o Coronavírus, tornando-se um fator que assusta de forma desequilibrada as pessoas. E, para complicar, essas informações são moldadas para causar medo, intensificando o mal nas pessoas. O tratamento moderado dado pela mídia à gripe anual, e a tantos outros males fatais perenes, é bem mais sensato e saudável.

Perspectiva é uma habilidade humana maravilhosa, porém, pode ser influenciada, distorcida e causar danos. Se há fato, há também as narrativas e bombardeios jornalísticos e midiáticos sobre a influenciável perspectiva. Se há Coronavírus, e os devidos cuidados, há também a perspectiva extrapolada que angústia desproporcionalmente. As pessoas enfrentariam o Coronavírus de modo mais sereno, e holisticamente saudável, se fossem expostas a menos jornalismo e mídia. É necessário cortar em muito o contato com o terror midiático e buscar mais descanso na soberania de Deus, que ser revelou em graça e amor em Cristo.