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Corona punitivo

publicado em 16 de janeiro de 2021 - Por Pastor Jessé

O ateu confesso Richard Dawkings é autor dos renomados livros “Deus, Um Delírio” e “O Gene Egoísta”. Neste último ele afirma que “o universo que observamos não tem um plano, propósito, bem, e nem mal… mas apenas uma indiferença sem misericórdia.” Ateísmo reduz tudo a um absurdo. Num mundo sem Deus, não há sentido para a vida. E nem diante de calamidades como o Coronavírus.

Cerca de vinte séculos antes de Cristo, Elifaz visitou seu amigo Jó, que estava em grande sofrimento. E, inoportunamente, Jó ouviu de Elifaz a pergunta: “Onde os íntegros sofreram destruição?” (Jó 4:7). Sendo uma pergunta retórica, Elifaz na verdade estava declarando que Jó sofria porque havia cometido algum pecado. É antiga a abordagem de ligar um sofrimento a um julgamento específico.

Nos parâmetros do Evangelho de Jesus Cristo, conforme as Escrituras Sagradas, o entendimento é diferente. A questão se o Corona é um julgamento específico de Deus é enquadrado com um sim e um não. Com essa abordagem, Jesus Cristo trata lucidamente o assunto.

Pilatos, o governador romano da região da Judéia, decidiu usar o dinheiro do Templo, em Jerusalém, para a construção de um aqueduto. Os judeus, incluindo galileus, se agruparam para protestar. A guarda enviada por Pilatos acabou massacrando quem protestava. E o agravante foi que o massacre aconteceu dentro do Templo.
Alguns levaram para Jesus a problemática dessa tragédia dos galileus. Jesus retrucou com um questionamento: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros por terem sofrido dessa maneira?” (Bíblia, Lucas 13:2). Jesus mesmo respondeu a essa pergunta: “Eu lhes digo que não.” Ou seja, Jesus declara que todos são igualmente pecadores. Não há inocentes.

Em seu recente livro sobre Deus e o Coronavírus, Dr. John Lennox, professor emérito de matemática da Universidade de Oxford, comenta que Jesus “reprova a opinião popular que as vítimas desses acontecimentos extraordinários devem ter sido pecadores ultrajantes a quem Deus estava especificamente punindo.”

Certamente que há calamidades, pessoal ou coletiva, que a pessoa traz sobre si devido a um comportamento maligno ou tolo. Mas, segundo Jesus Cristo, ninguém tem uma revelação divina para ligar cada tragédia a um julgamento específico de Deus. Assim é com o Corona. Diante do massacre dos galileus, Jesus diz não a essa visão de julgamento simplista, específico e direto.

Porém, ao mesmo tempo, Jesus Cristo responde com um sim. Mas isso numa aplicação que avança para além da conexão simplista entre culpa e tragédia. Depois de sua pergunta retórica que estabelece que a pecaminosidade é condição universal, ou seja, ninguém é inocente, Jesus faz uma advertência crucial e temível: “Mas se não se arrependerem, todos vocês perecerão.”

Depois de declarar que nenhum ser humano é inocente diante de Deus, Jesus alerta que as adversidades e sofrimentos indicam que todos estão debaixo de julgamento. São advertências que calamidade maior virá. Todos avançam para o julgamento e condenação final. Calamidades deveriam levar o ser humano ao arrependimento. E não ao questionamento. Elas são oportunidades de se acertar com Deus.

O renomado escritor C. S. Lewis, professor de Oxford e Cambridge, em seu livro “O Problema do Sofrimento”, assim ponderou: “Deus sussurra nos nossos prazeres, na nossa conversa e por meio da nossa consciência, mas grita por meio do sofrimento. O sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.”

Se há complexidades, também há utilidade clara no sofrimento e calamidade. Eles são um choque na ilusão moral e existencial. A exaltação do ego é resistente e tola. Aliás, dificilmente alguém se entrega realmente a Cristo sem passar primeiro por uma adversidade marcante.

Conforme o ensino de Jesus, abençoado é aquele que for conduzido pelo Coronavírus ao arrependimento e transformação. Esse clamará pelo perdão e salvação mediados pelo sacrifício de Cristo na cruz. E assim conhecerá a resolução plena e eterna de uma vida definitivamente acertada com Deus. Resolução que dá sentido à vida num mundo calamitoso. E resolução que extrapola a tal mundo.