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Copa morna, eleições quentes?

publicado em 21 de julho de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Muito diferente das edições anteriores, a recente copa do mundo de futebol não despertou especial interesse da torcida brasileira. Não se viu a mesma vibração. Poucas ruas e estabelecimentos comerciais receberam enfeites especiais. A TV fez um esforço em mostrar grupos festivos em diversas localidades do país, mas poucas vezes conseguiu passar a imagem de multidões vibrantes.

Apenas alguns grupos, com vibração um tanto forçada. Essa apatia estaria ligada ao fato da copa ser disputada num país física e culturalmente distante? O sexto sentido da torcida fazia antever resultado pífio, não obstante os números expressivos da era Tite? Ou o fato dos jogadores serem pouco conhecidos no país que deixaram muito cedo não aquecia ânimos nem de torcedores fanáticos?

A importância da copa é relativa. É apenas um evento. Não muda substancialmente a vida de uma população e o desenvolvimento do país. Já as eleições gerais que se aproximam não podem ser mornas. Elas são decisivas para os próximos quatro anos, consequentemente, para o presente e o futuro do país. A atual dinâmica mundial indica que não se pode perder tempo.

Atrasos em relação a outros países podem ser irrecuperáveis, como ocorre numa corrida de Fórmula Um. A dinâmica de desenvolvimento mundial é ditada pelo Capitalismo Liberal. O que vale é a competitividade. Ninguém espera por atrasados, mesmo quando este é um país importante, com enorme potencial e com uma população numerosa.

Alguns fatores trazem especial preocupação diante das eleições que se aproximam. Os partidos políticos, salvo raras exceções, nunca concentraram, como deviam, as principais propostas de governabilidade. Em nossas eleições, figuras e propostas individualizadas costumam ser decisivas para a escolha dos eleitores.

Desta feita, em função de seguidos escândalos de corrupção, os partidos encontram-se ainda mais desgastados e sem prestígio. Eles são necessários individualmente. E as coligações costumam viabilizar propostas a serem implementadas como cerne de novos governos. Centenas de candidatos a presidente, senadores, deputados e governadores deverão ser substituídos, visto responderem a processos judiciais, além daqueles que já estão condenados.

Brizola, Ulysses, Lula, Serra, Maluf, FHC, Enéas, Marina, Plínio, Dilma, Cristovam, Alckmin, Serra, Garotinho, Ciro, Eduardo Campos e Aécio, quando candidatos em eleições anteriores, já eram mais conhecidos ou tinham exercido mandatos importantes, a maioria tinha sido governador de seu Estado. Hoje mal conhecemos os candidatos que estão se apresentando. Quem é neste momento seu candidato a Presidente da República?

Bolsonaro, Marina, Alckmin, Ciro, Álvaro Dias, Amoêdo, Haddad, Lula, Manuela, Flávio Rocha, Boulos, entre outros, são pré-candidatos. Pouco conhecidos, a maioria com pequena experiência. A quem escolher sem que o país corra sérios riscos? O país já pagou caro pelo “impeachment” de Collor e de Dilma.

Os principais riscos encontram-se em duas diferentes tendências. Uma delas é a torcida pelo quanto pior melhor, para em seguida sustentar a possibilidade de um golpe militar como saída. Diversos países latino-americanos seguiram essa trilha e não chegaram a um porto seguro. Outra tendência é identificar e eleger um salvador da Pátria, sem respaldo político. Chávez e Maduro, na Venezuela, demonstram historicamente o desastre que uma maluquice dessas pode causar para uma população inteira.

Resta-nos o caminho democrático, em que partidos políticos indicam seu candidato e a sua proposta de governo, com sustentação do poder legislativo estadual e nacional, observação da imprensa e acompanhamento criterioso da opinião pública. Nesta alternativa, todos os brasileiros, principalmente os eleitores, têm papel decisivo e responsabilidade.

Antes, na pesquisa, observação e análise da campanha eleitoral que logo mais terá início. Desta feita, mais do que em edições recentes, será necessária muita atenção: quem é quem? Quem está com quem? Qual é o cerne da proposta? Quem terá condições de cumprir aquilo que está prometendo?

Apesar de tempo tão curto até outubro, esperamos que as eleições sejam quentes, muito estudadas, analisadas em profundidade e decisivas para que o Brasil alcance desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental, competitividade no cenário internacional, educação e saúde para todos os brasileiros, trabalho, renda e aposentadoria compatíveis com as necessidades básicas de sobrevivência, paz baseada em justiça e segurança, e, ainda, maior equilíbrio social. Torcemos por eleições quentes e eleitos competentes.