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Controle inexistente

publicado em 16 de maio de 2020 - Por Antônio Carlos de Almeida

Há décadas passadas, quando alguém fazia uma turnê pelas Nações Unidas em Nova York, era comum ouvir do guia que, dentro de 10 anos, a ONU erradicaria todos os conflitos do mundo.

Essa expectativa pretensiosa, e já patentemente desacreditada, traz à tona um questionamento angustiante. Há alguém que realmente está no controle das coisas? Há alguém que pode dar um senso à tumultuada saga humana? Ou a existência humana é algo jogado num universo entregue ao nada?

Diante dos dramas existenciais e morais, sejam pessoais ou mundiais, é inevitável a agonia em relação ao controle da história. O incessante clamor do espírito humano é que alguém precisa estar no controle. É necessário que alguém garanta um nexo aos dramas da história individual e coletiva. Ou resta apenas o angustiante absurdo. É óbvio que a humanidade não tem o controle de sua história e existência. A carência premente é por um nexo redentor.

Na aclamação comum dada a Cristo, ele é apresentado com uma elogiável identidade, mas, convenientemente domesticada. Porém, na verdade, a pessoa real de Cristo é desconcertante.  Por exemplo, ele afirmou: “Foi me dada toda a autoridade nos céus e na terra” (Bíblia, Mateus 28:18). É significativa a natureza categórica dessa afirmação, isto é, não deixa dúvidas sobre seu sentido.  E é, então, perturbadora a sua dimensão plenária, isto é, Cristo fala de uma autoridade de abrangência ilimitada ao usar o termo “toda”.

Muitos manifestam apreciação pela pessoa de Cristo, mas o reduzem a apenas um ser humano de qualidade superior. Essa apreciação é incorreta e inadequada diante de afirmações de Cristo como esta: “Foi me dada toda autoridade…” Se alguém tem tal prerrogativa, ele não é apenas um ser humano. E, se alguém, sendo apenas humano, afirma ter essa autoridade, ele nada tem de melhor ou superior. Na verdade, é um enganador ou lunático megalomaníaco.

Ao afirmar ter “toda autoridade”, Cristo cria um dilema desafiador para o ser humano. O dilema é o que fazer de Cristo diante de tal reivindicação, bem como outros absolutos semelhantes que ele afirmou sobre si mesmo. Devido às implicações dessa afirmativa, uma definição pelo sim, ou não, é inevitável. Se a afirmativa de Cristo for verdadeira, então não há como o ser humano desconsiderar Cristo. E toda a glória é somente de Cristo. Se a afirmativa for falsa, então Cristo se revelou ser um trapaceiro ou louco a ser esquecido.

Mas, a definição pelo sim ou não, diante desse dilema, requer uma abordagem muito cuidadosa. Por de trás dessa afirmativa de Cristo há uma história bem fundamentada e única. Entre outros aspectos singulares, ela inclui controles sobrenaturais sobre o corpo humano e natureza, culminando com uma ressurreição. E isso atrelado a um ensino sem comparação na história humana. Descredenciar Cristo é uma esgotante batalha fadada à derrota. Os fatos impossibilitam negar tanto a afirmativa como a sanidade de Cristo.

Não sendo Cristo um lunático, o ser humano precisa obrigatoriamente tomar Cristo pela palavra dele. Não o fazer seria loucura. Porém, aceitar essa verdade proporciona um nexo à peregrinação humana que o ser humano não encontra em nenhuma outra pessoa. Sendo Cristo quem ele diz ser, inclusive com essa autoridade absoluta, então, não obstante as situações desconexas da vida, a história humana está sob um controle que as transcende.

E, ainda que não entendendo tudo, o espírito humano tem em quem descansar. Há alguém que está escrevendo uma saga redentora dentro da conturbada história. Se assim é, a única opção para o ser humano é se encontrar com a verdade de Cristo, que começa pela crucificação dele. E, arrependido, buscá-lo e se entregar a ele.