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Conceito serve para muitas coisas, inclusive para regular recursos naturais

publicado em 1 de dezembro de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Num esforço de pensar sobre energias e recursos no mundo e buscar compreender como os recursos energéticos ambientais estarão disponíveis no futuro há uma série de desafios. Desde a descarbonização da economia, que é a busca por mudar o padrão de uso de combustíveis fósseis, gás natural, carvão mineral e petróleo, até pensar em novas fontes e formas de armazenamento de energia, o que pode exigir mudança de conceitos.

Neste sentido, em junho deste ano foi apresentado um esforço de revisar o conceito de “recursos naturais”, propondo assim, uma nova classificação. Se por um lado, rever um conceito pode parecer algo exclusivamente teórico, vamos lembrar que quando uma nova realidade surge, temos que rever os conceitos para que a teoria possa tentar melhor apreender a realidade nova, incluindo novas formas de uso destes conceitos e classificações para novas legislações, por exemplo. Façamos um breve paralelo com o mundo virtual. Para poder garantir leis dentro do ambiente virtual, novos conceitos têm que ser desenvolvidos/aprimorados/revistos na sociedade.

Voltando aos recursos naturais, a revisão de conceito e classificação do que seriam considerados recursos naturais, caminha neste mesmo sentido. Anteriormente o conceito central que definia recursos naturais como qualquer elemento da natureza que pode ser explorado diretamente pela sociedade, passa a incluir a perspectiva de que qualquer elemento ou aspecto da natureza explorado direta ou indiretamente pela sociedade poderá ser considerado recurso natural.

A partir disto, turismo ou o patrimônio natural, por exemplo, passaria a ser considerado como uso de recursos naturais, considerando que os recursos não são recursos, tornam-se recursos à medida que um elemento da natureza passa a ter um uso como recurso natural. A definição nova passa então a considerar que o recurso natural pode ser definido como qualquer elemento ou aspecto da natureza que esteja em demanda, seja passível de uso ou esteja sendo utilizado pela sociedade, direta ou indiretamente, como forma de satisfação de suas necessidades físicas e culturais em qualquer tempo ou espaço. Outro aspecto conceitual é que a classificação renovável e não renovável poderia ser utilizada até o ensino médio, mas já não responde mais as demandas de pesquisas.

A renovabilidade dependeria de aspectos naturais, também sociais, como por exemplo, ritmo e intensidade de usos dos recursos. Imagine o solo usado para a agricultura, por exemplo. Ele pode ser utilizado com técnicas que permitem sua manutenção ou usado com técnicas predatórias que os tornam inférteis e esgotados.

Deve-se inserir na classificação a questão de que sua renovação depende também de um aspecto social, como é feito o uso. Assim a nova classificação proposta traria uma classificação de recursos duráveis e não duráveis, sendo a classe dos duráveis subdivididos em quatro categorias: renováveis (florestas, população de animais, solos em determinadas condições, correntes fluviais, lenha, biogás, sal, etc.), reprodutíveis (incluem produtos da agricultura, silvicultura e pecuária, água doce, entre outros); naturalmente recicláveis (como a água e o nitrogênio) e os inesgotáveis (fontes que geram energia solar, eólica, geotérmica, maremotriz e ondelétrica).

Assim a cana de açúcar, por exemplo, passaria a não ser renovável, pois depende do solo que é um recurso esgotável, mesmo com toda tecnologia que dispomos atualmente. São muitos os desdobramentos possíveis desta proposta. Que saber mais sobre essa proposta? Acesse: http://rcgilex.com.br/fontes-solar-e-eolica-sao-inesgotaveis-e-nao-renovaveis-afirma-geografo/?fbclid=IwAR3msMuuKytpDfNKGYqa5u24i1mOgh1C69jtjcU-RGW6dJHt9F8lq5qQ8Ok

Patricia Martinelli, Geógrafa, integrante do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais