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Caminho esclarecido

publicado em 20 de novembro de 2020 - Por Pastor Jessé

A canção “Nada Sei”, do grupo “Kid Abelha”, canta: “Sou errada. Sou errante. Sempre na estrada. Sempre distante. Vou errando enquanto o tempo me deixar. Errando enquanto o tempo me deixar”. Essa é a forma de levar a vida da maioria das pessoas. Porém, é atitude absurda e insensata. Caminhos sempre têm destino. E não é diferente com o caminho da vida. Ele tem consequências definitivas e cruciais.

Na clássica estória “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll, num dado momento Alice não sabe o rumo a tomar. Encontrando o gato Cheshire, ela lhe pergunta:- “Que caminho devo seguir?” O gato Cheshire questiona:- “Depende… aonde você quer ir?” Alice responde:- “Não me importo quanto ao lugar para onde vou”. Então, o gato Cheshire retruca:- “Então, também não importa o caminho que você escolher e seguir”. Ignorar o destino do caminho que se segue na vida é se abster do verdadeiro refletir.

É ser estulto. É ser tragicamente inconsequente.  No peregrinar da vida é possível que o início do caminho, ou um dado trecho, pareça inofensivo. E até atraente. No entanto, a reflexão da escolha precisa ser mais profunda. É preciso ir além de partes do caminho. É preciso se conhecer e ponderar o final. Trechos de um caminho podem se enganosos quanto ao destino.

No dia 31 de outubro de 1983, o voo 007, um Boeing 747 da linha aérea coreana, partiu de Anchorage, Alaska, com destino a Seul, Coréia do Sul. Mas o sistema automático de navegação foi fixado com 1,5 grau de erro. Uma falha imperceptível nas primeiras horas de voo.

Porém, após percorrer uma distância significativa, o erro resultou em uma diferença enorme. Com rumo errado, o avião se achou ilegalmente dentro do espaço da Rússia comunista. E foi abatido por aviões militares russos. Dezenas de pessoas pereceram.

É crucialmente sábio ouvir as palavras de Cristo: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição. E são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida! São poucos que a encontram” (Mateus 7:13-14). Com essas figuras espaciais – “larga” e “amplo” – Cristo se refere à comum acomodação social e moral. Jesus Cristo alerta que “…são muitos os que entram…” nesse caminho.

Cristo veio para oferecer o caminho chamado “estreito”. É caminho mais desafiador, exigindo o rompimento com a mesmice popular e a inconsequência de seguir no embalo dos “muitos”. Cristo convida para o caminho de “poucos”. Mas, é caminho cujo destino é “vida”. Nesse caminho faz sentido prosseguir e lutar. Então é também sábio lembrar outras palavras de Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14:6).

O ensino de Cristo é extremamente lúcido. Não há espaço para complicação. Ele equaciona a existência humana em apenas dois caminhos. Não há um terceiro caminho. Há o caminho certo e estreito que é achado nele. E fora dele, todos os outros caminhos se resumem em um só, que é largo e “leva à perdição”. O caminho de Cristo se distingue de tudo mais porque é o único que “conduz à vida”.

E mais, o ensino de Jesus Cristo aponta que, ou se está em um, ou no outro caminho, mas nunca nos dois simultaneamente. Aponta também que todos sabem em qual caminho estão. Ninguém é desculpável. Deixar o caminho largo, e entrar para o caminho oferecido por Cristo, exige a conversão. Exige um retorno diametral. Exige o arrependimento, entrega e transformação. Isso mediado pela morte Cristo e possibilitado pela ressurreição de Cristo. Morrer e novo viver eterno com e em Cristo – novo caminho.