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Batalha pedagógica

publicado em 9 de março de 2019 - Por 3

É equívoco falar em “escola sem partido”. O que há é escola com ideologia neomarxista. Nisso é multipartidária. E isso, em geral, sem os educadores serem conscientes que estão sutilmente a serviço de uma ideologia. Estão formatados com a visão de mundo do neomarxismo. Eleição de presidente é um passo significativo. Mas nada mudará historicamente sem o resgate da escola do cativeiro ideológico.

O panorama atual foi moldado por décadas de militância esquerdista sobre a “intelligentsia” nacional. Quanto à educação, um indicador é Paulo Freire, o “Patrono da Educação”. E o livro de Freire, “Pedagogia do Oprimido”, é o sinalizador maior. É nobre se preocupar com o oprimido. Há dois mil anos o Evangelho de Cristo introduziu essa bandeira na sociedade ocidental.

Porém, isso num sentido bem divergente do marxismo. É preciso questionar a definição do termo empregado. Em seu livro, Freire revela sua dependência de pensadores comunistas como o Stalinista György Lukács. Freire vê “Oprimido” pela ótica da luta de classes de Karl Marx.

Para Freire, o educador tradicional serve a educação “bancária”. Ele é um representante da “dominação”, ou capitalismo, e “vai enchendo os educandos de falso saber”. Deve haver, diz ele, uma educação na qual “Ninguém educa ninguém… os Homens se educam entre si…”. Uma educação em que “os argumentos de autoridade já não valem”. Freire enxerga os lares com a mesma perspectiva.

E quer que o estado intervenha. Para ele os pais “…refletem… condições autoritárias rígidas, dominadoras… que incrementam o clima de opressão”. Entretanto, esse professor que é um aprendiz igualitário, e apenas um facilitador, é uma ilusão. Na proposta de Freire, o novo tipo de professor é, sutilmente, ativo e perigoso. É subversivo.

O que Freire realmente quer é formar a sociedade marxista. É chave o termo “problematizar”, repetidamente presente no livro dele. Esse termo, nas mãos dos marxistas atuais, é uma arma ideológica tenebrosa. Para Freire, um ícone por excelência da “Pedagogia do Oprimido”, ou mestre da “problematização”, foi o sanguinário Che Guevara. Aliás, Freire justifica, pedagogicamente, a eliminação dos “desertores” feita por Guevara, ou, dos que não se conformavam à causa/educação dele.

“Problematizar” é um equivalente da “teoria crítica” de alguns neomarxistas. O alvo de “problematizar” é “desconstruir”, ou aniquilar, a base do capitalismo. Os marxistas concluíram que não adianta apenas combater o sistema econômico.

E, tendo também concluído, imprecisamente, que o sustentáculo do capitalismo é a moral herdada dos valores judaico-cristãos, querem eliminar essa moral. E o primeiro alvo são os conceitos de casamento, família e sexo. E nisso, é fundamental desconstruir gênero sexual. Quando esses conceitos morais caírem, cai o capitalismo, pensam os neomarxistas.

Então, a luta não deve ser através do empunhar armas, mas pela tática de dominar as instituições formadoras de opinião, especialmente a escola. Assim, “problematizar”, ou estimular a “teoria crítica”, não é ensinar o aluno a pensar. “Problematizar” é esvaziá-lo das ideias que sustentam o capitalismo, e doutriná-lo na ideologia neomarxista. É preciso retirar do aluno a cosmovisão e ética judaico-cristã e formatá-lo como “progressista” moral-social.

Em 2017 foi finalizada aprovação da Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Ela é um golpe no pacto federativo. Educação pertence aos estados e prefeituras. Se algumas diretrizes amplas e suscintas fosse o caso de se adotar, obviamente a BNCC não é isso. Ela é um documento que engessa, em mais de 400 páginas, o que deve acontecer dentro da sala de aula em todas as etapas e matérias, de norte a sul. E é trágico e pernicioso o conteúdo desse documento.

Na BNCC não aparece termos como marxismo ou comunismo. E nem um explicito “abaixo o capitalismo”. E nem mesmo “globalismo”. Mas a BNCC é orientada e subserviente a essas causas. Um sinalizador-mor é a repetição infinda do termo “problematizar”. Num aparente objetivo de se construir uma sociedade solidária e democrática, atrás está o alvo do coletivismo neomarxista. Na BNCC, da primeira série do fundamental 1, ao ensino médio, é preciso “problematizar” em todas as matérias. Seguindo o neomarxismo, a BNCC atrela, ilicitamente, os termos “gênero” e “orientação sexual” ao termo “racismo” e “etnias”.

Já nos tenros anos da criança, a BNCC estabelece que a escola deve proporcionar uma “educação complementar à da família” quanto ao “ensino de gênero”. É relevante lembrar que Freire julga a educação nos lares como “opressiva”. A BNCC quer salvar os filhos de seus pais com um tal “completar”, que significa ensinar as criancinhas pelo “problematizar”. Dá-lhes ideologia de gênero! É o neutralizar dos valores morais que a criança recebeu no lar e o incutir outros diferentes.

Na BNCC, longe da Educação Física se preocupar com o condicionamento físico, pateticamente ela deve “assegurar a superação de estereótipos e preconceitos expressos nas práticas corporais”. E, no ensino da Arte, a BNCC se torna perigosíssima. O ensino da Arte deve “refletir sobre experiências corporais pessoais… de modo a problematizar as questões de gênero, corpo e sexualidade…”. E o aluno deve aprender “fruir” todo tipo de arte.

E aí inclui todo tipo de música perniciosa. Absurdamente, até a Física e Matemática precisam ser um ensino “problematizador”. O ensino de Inglês deve ignorar as pátrias desse idioma, procurando promovê-lo apenas como um instrumento do “interculturalismo” – a causa “globalista neomarxista”.

Enfim, refém da ideologia, não é surpresa o fracasso da educação brasileira. E a decadência moral da sociedade segue junto. No livro “Quando Ninguém Educa”, fazendo uma crítica à aplicação da “Pedagogia do Oprimido” no Brasil, o educador Dr. Ronai Rocha denuncia que com as “teorias de ação social” dominando a educação, a “ideia de currículo escolar foi esvaziada”. Didática foi abandonada para se ater a assuntos “políticos, sociais e antropológicos”. E, deixando de ser o “professor” do conhecimento, o educador se tornou um figurante do “sindicalismo”. Sem um rompimento com essa abordagem, o futuro é sombrio.