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Balanço final do Simpósio Ambiente & Educação: água global, problema local

publicado em 21 de junho de 2018 - Por Ambiente em Pauta

Se no último mês uma paralisação dos caminhoneiros no Brasil nos alarmou ao percebermos o quanto nosso modo de vida é insustentável e frágil, imagine quando não tivermos mais água para todos (as)?

Pois esse cenário tem sido uma preocupação constante e neste ano, dois Fóruns Mundiais sobre a água, realizados em Brasília, buscaram, por caminhos diferentes, achar soluções para a questão. Por um lado, o Fórum Mundial possui uma abordagem mais política do ponto de vista institucional e empresarial, enquanto o Fórum Alternativo buscou dar voz e visibilidade aos movimentos populares, que defendem a água como um direito humano e um bem comum.

Partindo deste cenário mundial, neste último dia 09 de junho de 2018, o Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais, juntos com parceiros, realizaram na FESB, em Bragança Paulista, o evento Simpósio Ambiente e Educação: água global, problema local. O evento surgiu da demanda de gerar espaços qualificados de diálogos e debates sobre o tema na escala local, uma vez que esses eventos orientam políticas e ações que terão reflexos e impactos diretos sobre as localidades.

A programação do evento garantiu contato com profissionais que atuam na área de Gestão de Recursos Hídricos, incentivando a participação e vivências em temas de educação ambiental e governança da água. Durante a programação, houve tempo de problematizar e de apresentar soluções locais.

Aliás, os profissionais da mesa de soluções mostraram que há estratégias que permitem dependermos menos de grandes e caríssimas obras de infraestrutura para ampliar a segurança hídrica, usando técnicas que se inspiram na lógica circular da natureza para produzir e manter a água nos espaços urbanos, que são em geral espaços criados para serem “desidratados” pelas ações de engenharia e drenagem urbana, como bem exemplificou um dos palestrantes.

questão da revisão de dados de gestão para uma melhor governança e estratégias para incentivar um uso mais sustentável da água também estiveram na pauta, além da contextualização do atual cenário de Bragança Paulista e Região como área de cabeceira da Bacia PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

A palestra do Prof. Dr. Sandro Tonso, da Unicamp, permitiu ainda lançarmos um olhar libertador e menos mecânico sobre as estratégias de Educação ambiental para recursos hídricos, nos fazendo ponderar que as maiores fronteiras a serem rompidas para avanços significativos na governança da água se referem às fronteiras do pensamento linear e competitivo, nos fazendo considerar que sem colaboração, pensamento livre e crítico avançaremos muito aquém do que precisamos.

Neste sentido, nada é mais preciso para acharmos soluções do que construirmos de modo participativo e qualificado soluções de governança da água. Vale lembrar o ditado popular africano: “se quer ir rápido vá sozinho, se quer ir longe, vá em grupo”. No caso da água, ir rápido pode ser um colapso do acesso para a sociedade e sua desestruturação total de desenvolvimento econômico e social; ir longe, é alcançar alternativas solidárias para o desenvolvimento sustentável.