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As escolas, sua gente, seus sonhos

publicado em 1 de fevereiro de 2020 - Por Antônio Carlos de Almeida

Sempre trabalhei na Educação, durante muitos anos na Educação Superior privada; apenas nos dois últimos anos, depois de concurso, atuo como diretor em escola pública estadual.

Em ambas o desafio é enorme, principalmente quando queremos preparar nossas crianças e adolescentes para uma vida equilibrada, sadia e feliz. Preparar o desempenho profissional adequado às novas tendências do mundo do trabalho também não é tarefa fácil.

As mudanças nas profissões antigas e a velocidade com que aparecem novas ocupações são maiores do que a velocidade própria da educação. Esta continua requerendo sequência de muitos anos, embora alunos queiram velocidade, rapidez, mesmo quando isso signifique superficialidade.

As famílias, a sociedade e os alunos, desde a mais tenra idade, defrontam-se com a necessidade de buscar educação de boa qualidade do ponto de vista de desenvolvimento pessoal, social e profissional. Não é fácil encontrar isso em nossas escolas. Cada vez que é publicado algum resultado de avaliação internacional, percebemos que há grande distância entre o nível em que nos encontramos e o de outros países. Em relação a países desenvolvidos, essa distância é enorme, mas também ocorre em relação a países vizinhos, menores, com menos potencial populacional e econômico.

O senso comum indica que essa situação é ainda mais crítica em nossas escolas públicas, principalmente, estaduais. De fato há um longo caminho a ser percorrido por essas escolas no caminho da eficácia e da eficiência necessária. Contudo, ela não está parada. Em 2.020, várias são as ações na direção da melhoria de resultados. Apresento a seguir alguns exemplos.

Em todas as escolas paulistas, são mais de 5 mil em todo o Estado, em regiões centrais e periféricas de cada município, todos os professores e gestores realizaram nesta semana intenso planejamento durante 5 dias. Chegou em cada escola livro para cada aluno e cada disciplina. Os kits escolares já estão disponíveis.

No dia a dia, várias são as mudanças que passam a vigorar a partir de agora. Em 2.019, eram seis aulas diárias, agora passaram a 7 aulas de 45 minutos cada. Os alunos, além das disciplinas já tradicionais de Português, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes e Inglês, passam a ter outras 3 novas: Projeto de Vida, Tecnologia e uma eletiva. Há um entendimento no sentido de que o aluno que tem algum sonho diante de si tende a se concentrar mais nos estudos, como forma de chegar ao ponto mais alto desse sonho.

Outra novidade é que os professores, semanalmente, durante o período de aula de um dia da semana, passam a ter até 7 horas para estudo e aprofundamento, conforme pauta oferecida pela Secretaria da Educação e supervisão do professor coordenador de cada escola.

De fato, no campo educacional, como sempre foi, o professor entusiasmado, bem preparado e exigente faz enorme diferença. Além de desenvolver conhecimentos com os alunos, se tornam referência, modelo de vida a ser seguido e, muitas vezes, ombro amigo nas dificuldades existenciais, familiares e sociais que insistem em acompanhar alunos de todas as idades, principalmente em nossas periferias carentes de condições para uma vida digna, segura e feliz.

Tanto a rede privada quanto a pública encontra hoje dificuldade em encontrar e manter bons professores. Segundo a opinião geral, na raiz encontra-se a baixa remuneração. Em são Paulo, na Assembleia Legislativa há um projeto do Governo Estadual no sentido de melhorar a remuneração, com ênfase no início da carreira. É um esforço no sentido de atrair novos talentos para a área pedagógica.

Parodiando o ditado de que “quem investe em terra não erra”, creio que o investimento pessoal, familiar ou de governos na educação sempre traz retorno consistente e duradouro. Pode demorar um pouco, mas é seguro e promissor.