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Ambiente Urbano e Animais sinantrópicos. Você com certeza conhece essa relação!

publicado em 12 de março de 2019 - Por Ambiente em Pauta

O ambiente urbano pode ser considerado um ambiente criado pelo Homem e para o Homem na busca de ampliar o controle sobre determinadas variáveis ambientais. Essas alterações culminam com uma mudança em diferentes graus em relação ao ambiente natural preexistente à presença humana. As alterações humanas suprimem os aspectos naturais dos compartimentos ambientais e criam novas estruturas artificiais ou híbridas, que passarão a servir de habitat a determinadas espécies que se adaptaram ao ambiente urbano.

As espécies que se adaptam ao ambiente urbano e que de algum modo são capazes de causar impacto à saúde humana, são conhecidos como animais sinantrópicos. Entre os mais conhecidos estão os pombos, morcegos, escorpiões, ratos, baratas, moscas e mosquitos. No período de verão, com o aumento do calor, a espécie que tem causado maior preocupação entre os pesquisadores é o escorpião, pelo potencial de evolução diverso que acidentes causam nas pessoas, desde evoluções benignas até complicações e morte, demonstrando que ainda há lacunas no conhecimento sobre os componentes do veneno.

Segundo informações do Ministério da Saúde, “algumas espécies de escorpiões são extremamente adaptadas a ambientes alterados pelo homem. Esses animais desempenham papel importante no equilíbrio ecológico como predadores de outros seres vivos, devendo ser preservados na natureza”. Já nas áreas urbanas, medidas devem ser adotadas para que seja evitada a sua proliferação, por meio de ações de controle, captura (busca ativa) e manejo ambiental.

A busca ativa deve sempre prever uso de equipamentos de segurança, acompanhamento e autorização prévia do órgão competente (é uma tarefa do poder público e responsabilidade do SUS orientar essas ações, segundo Portaria MS/GM nº 1172/2004). Nas áreas internas, buscas ativas devem contemplar “habitats” tais como assoalhos e rodapés soltos, ralos, frestas e vãos nas paredes, batentes de portas e janelas, caixas de pontos de energia, sistemas de refrigeração de ar, vigas e telhados em porões, sótãos e forros no teto, móveis, cortinas, estantes, quadros, roupas e sapatos, objetos empilhados ou jogados, armários sob pias ou gavetas, panos de chão jogados e toalhas penduradas.

Na área externa os ambientes preferidos são locais com material de construção, lixo domiciliar, objetos descartados, frestas de muros, tanques, fornos de barro, barrancos, galpões depósitos, viveiros de mudas e plantas, caixas de gordura, canalizações de água, caixas de esgoto e de energia e áreas desocupadas próximas.

Para controlar essa espécie, a limpeza regular interna e externa, manutenção e tamponamento de frestas, evitar queimadas em terrenos baldios, eliminar pisos soltos, bem como a eliminação de restos de alimentos e as fontes de alimentos para escorpiões (baratas, entre outros invertebrados) são altamente recomendáveis.

Mas, partindo do princípio ecológico de cadeia alimentar, outra forma eficiente de controle é a preservação dos inimigos naturais do escorpião. E adivinhe…a Coruja buraqueira, Ave Símbolo de Bragança Paulista, é um exemplo de parceria para nós no quesito de controle de escorpiões! Estão nesta lista outras aves de hábitos noturnos, além de pequenos macacos, quatis, lagartos, sapos e gansos.

E ao contrário do que diz o entendimento popular, galinhas não são eficazes agentes controladores de escorpiões! No Brasil, em 2006, foram registrados mais de 36.000 acidentes envolvendo escorpiões, o que daria quase 100 casos por dia! Embora nem todos os casos demandem uso de soro para remediação de acidentes, a primeira orientação é buscar uma unidade de saúde imediatamente após ocorrência de acidente, se possível e com toda cautela, levar o escorpião para identificação no atendimento na unidade de saúde, o que auxilia na identificação da espécie, já que são dezenas no Brasil.

Se você quiser aprofundar neste tema, o Manual de Controle de Escorpiões do Ministério da Saúde pode ser acessado em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_controle_escorpioes.pdf

Patrícia Martinelli, Geógrafa, colaboradora do Coletivo Socioambiental Bragança Mais