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Algumas tendências aceleram consolidação durante pandemia

publicado em 12 de setembro de 2020 - Por Antônio Carlos de Almeida

Algumas atividades produtivas entraram em declínio durante a pandemia, outras conseguiram intensificação. O trabalho em casa (home office), que é uma tendência há alguns anos, com a necessidade imediata e inadiável do isolamento social está vivendo etapa de aceleração. Da noite para o dia, sem maior planejamento, muitos profissionais deixaram de frequentar diariamente espaços próprios da empresa. Logo improvisaram em casa uma estação de trabalho.

Isso aconteceu principalmente no setor financeiro, comercial, administrativo, de serviços e educacional. Muitos trabalhadores não estavam preparados para isso. Embora o ensino a distância já fosse uma realidade na educação superior ou em cursos livres, principalmente de línguas, não se imaginava alguns meses atrás que pudesse ocorrer na educação infantil, fundamental e no ensino médio, tanto na rede particular quanto pública.

Não foi e não está sendo fácil para gestores e professores. Tiveram que arrumar equipamentos eletrônicos, assimilar meios de acesso e interação, procurar contato com alunos por meio de mídias sociais, adaptar-se a uma nova linguagem e se esforçar para manter um ritmo mínimo de ensino e aprendizagem.

Ao longo da história, novas tendências requerem tempo, avanços e recuos para se consolidarem. Desta vez, o sonho de não enfrentar ônibus lotados, trânsito lento e trabalhar no conforto de casa, se apresentou repentinamente, sem tempo para análises, projetos, implantação, avaliação e correções. No mesmo ritmo, logo apareceram dificuldades. Uma pesquisa do LinkedIn, rede que conecta profissionais das mais diversas áreas, revela que o home office deixa profissionais mais ansiosos e estressados.

Resultados desse estudo foram divulgados pelo portal G1 no último 27 de maio: 39% dos entrevistados se sentem solitários devido à falta de interação com os colegas de trabalho; 20% sentem-se inseguros por terem dificuldades em saber o que está acontecendo com seus colegas de trabalho e sua empresa; 43% dos entrevistados estão se exercitando menos e 33% disseram ter o sono afetado negativamente; 24% se sentem pressionados a responder mais rapidamente e estar online por mais tempo do que normalmente estariam; 20% enfrentam dificuldades para conciliar o trabalho e o cuidado com os filhos.

Ainda conforme o G1, home office também tem significado horas extras de trabalho para muitos profissionais. Segundo o estudo, 68% dos entrevistados que estão trabalhando de casa têm trabalhado pelo menos 1 hora a mais por dia, com profissionais chegando a trabalhar até 4 horas a mais por dia (21%).

Embora grande parte dessa ansiedade e estresse esteja relacionada com outras decorrências da pandemia, o certo é que essa transição do trabalho presencial no ambiente da empresa para o trabalho em casa ainda requer aprofundamento quanto aos seus benefícios e malefícios. Não voltaremos ao ritmo anterior. Mudanças chegaram para ficar.

Resta-nos a tarefa de restaurar de alguma forma o calor típico das boas relações no ambiente de trabalho ou de estudo. A convivência diária com professores e colegas é insubstituível para a educação emocional e o desenvolvimento das aptidões sociais. Muitos de nós teremos que superar o analfabetismo no uso de ferramentas tecnológicas de estudo, relacionamento e trabalho para acompanhar os avanços realizados neste período de aceleração.