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A relação ambiente,  educação e juventude

publicado em 1 de outubro de 2019 - Por Ambiente em Pauta

Fechamos o mês de setembro e um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi a repercussão da participação da jovem Greta Thumberg, 16 anos, na Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas, que expôs a exigência deuma geração que busca mostrar que os recursos financeiros podem estar a serviço das pessoas e ambiente como um valor maior para a sociedade, e não o contrário.

Neste mesmo mês em que jovens se mobilizaram no mundo inteiro por uma questão comum, tivemos também o mês da Campanha Setembro Amarelo, que trata de dar visibilidade a um problema que afetam a todos, inclusive nossos jovens: o suicídio.

Durante esse mês pudemos ouvir muitos questionamentos sobre possíveis causas deste problema entre os jovens, um dos mais apontados: o consumo alienado de informações e produtos, que geram uma série de desdobramentos entre eles, problemas psicossociais. Deste modo, não deveria soar estranho quando surge uma onda de jovens com propósito de se unirem por uma causa, como foi no caso de Greta e outros jovens.

Muitos questionam se isso é legítimo ou manipulação, se jovens poderiam por si só levantarem uma bandeira com essa dimensão. Podem e devem! Esses movimentos jovens que lutam por justiça ambiental são reposta ao contexto da crise civilizatória em que estamos todos inseridos e que levam tantos jovens a não conseguirem dar respostas à sua dor existencial, em meio a uma sociedade que não tem tempo para que as pessoas possam “se demorar em si” e se organizarem consigo mesmas, como destaca o filósofo Byung- Chul Han, em seu livro Sociedade da Transparência.

E eu posso dizer, com base na última Bragantech, feira de tecnologia que ocorre anualmente no mês de setembro na cidade, que não devemos nem por um minuto duvidar da capacidade de nossos jovens de se articularem e darem respostas aos problemas contemporâneos. O que esses jovens precisam é de espaços que lhes permitam experimentar outras possibilidades de desenvolvimento e interação social, que não os nivelem ou limitem pela sua (im)possibilidade de comprar algo.

Para quem não conhece a Bragantech, é uma Feira de Tecnologia e Ciência num formato de evento multicampi do IF-SP. Éaberta aos estudantes de ensino médio e técnico, para rede pública e privada de ensino, que visa incentivar estudantes a despertar vocações científicas e tecnológicas por meio de desenvolvimento de projetos que unem criatividade e inovação. As proposições são apresentadas em três áreas – Ciências da Natureza e Exatas, Ciências Humanas e Linguagens e Informática.

Na edição deste ano, novamente foram aprovados dezenas de projetos com proposições de problemas em diversas áreas com soluções inovadoras, baseadas em abordagens tecnológicas e com grande maturidade e profundidade científica. Num breve passeio pela feira podiam ser vistas soluções para uso racional da água e reciclagem de materiais, compreensão de aspectos sociais e como afetam nosso desenvolvimento, compreensão sobre os jovens e a sociedade em que estão inseridos, propostas de soluções de baixo custo e alta tecnologia em diversas áreas.

São inúmeras as frentes em que esses jovens estão atuando, todas imprescindíveis para nosso desenvolvimento social e econômico. Foi inspirador observar nos diálogos entre eles e os visitantes, a intensidade de trocas e vibração com os próprios projetos aprovados e projetos dos colegas, o compartilhamento de experiências, os convites para apresentação de seus projetos em outros eventos nacionais, o intercâmbio entre áreas de conhecimento, os desafios vencidos em cada etapa de projeto, a aprendizagem de solução de problemas em grupo e com os grupos; enfim, esses são alguns pontos dos notáveis atributos de desenvolvimento observados nestes espaços de jovens pesquisadores, cientistas e desenvolvedores de tecnologia que devemos ter a honra e o cuidado de incentivar e promover. Parabéns aos professores, orientadores, organizadores e apoiadores! Que venham muitas edições!

Patrícia Martinelli, Geógrafa, Colaboradora do Coletivo Socioambiental Bragança Mais