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A eleição e o temor dos resultados

publicado em 5 de outubro de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

A eleição do próximo domingo será marcada e ficará conhecida por uma encruzilhada cuja escolha pela direita ou pela esquerda trará, como o bom senso julgava improvável, um caminho penoso, difícil de ser trilhado, com dissensões que ameaçam seriamente nosso quadro social.

Da possibilidade de ingovernabilidade ao recrudescimento da violência, a falácia de uma utopia social e econômica inatingível, nosso futuro é incerto. A única certeza é que tempos nebulosos e turbulentos se apresentam.

Não que exista alguma novidade, pois o cenário se apresenta desde o impeachment de Dilma Rousseff, se tornou tenso com a ascensão de candidatos controversos, como Lula e Bolsonaro, foi piorado com a ação nefasta dos meios de comunicação que adotaram lados nesse embate e deixaram de informar corretamente a população que depende de suas notícias para entender o cenário atual. A participação das igrejas e de lideranças religiosas, notadamente protestantes, cujo peso político é grande deve ser lembrado e avaliado como legítimo ou não.

A sociedade civil brasileira ressentida com o fracasso do projeto econômico petista que a alimentou com a possibilidade de consumo fácil e irresponsável ao longo do mandato de Lula que teve seu anunciado fracasso no governo de sua sucessora, o clamor pelo ódio e pela violência que surgem falsamente como possibilidades políticas frente aos desejos e pedidos de um grupo que pede o retorno da cruel e incompetente ditadura militar.

No entanto, o pior nessa eleição é a total desconsideração pelas eleições de senadores e deputados e o esquecimento das eleições para governadores. Acaso? É certo que não. Quem se beneficia com esses esquecimentos? Grupos políticos antigos e conhecidos pelas suas campanhas sujas e aproveitadoras, com bancadas que a décadas vilipendiam o patrimônio público em nome de seus grupos políticos e amigos. Basta observar as esquinas das cidades para perceber tal fenômeno.

Certo é que a próxima eleição marca e dá início a uma série de incertezas, de temores com resultados que não podem ser previstos.

As propostas dos partidos e dos candidatos mostram o despreparo de muitos deles. Caso pensemos nas escolhas econômicas, a imensa maioria parte do pressuposto da liberação do mercado e da flexibilização das leis trabalhistas cujos projetos já foram aplicados em outros países, como o Chile, a Espanha e a Grécia, com resultados desastrosos para a economia, especialmente para os mais idosos e aposentados.

Nada disso, foi debatido ou explicado já que os projetos de governo dos candidatos são escritos sem a participação popular e sem a consideração honesta de nossos problemas e reais carências.

Democracia? Liberdade de escolha?

Nada mais falso e mais distante do Brasil.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com