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2021 Progeróide

publicado em 9 de janeiro de 2021 - Por Pastor Jessé

Síndrome progeróide, ou síndrome de Hutchinson-Gilford, é o fenômeno de uma criança envelhecer precocemente 7 vezes a idade que tem. Se tem 10 anos, ela aparenta 70 anos. O portador da progéria tem uma expectativa de vida de, no máximo, vinte anos. Progéria é o fatídico estado do novo envelhecido. Chegou o infante ano de 2021, porém, para a maioria, chega com progeróide.

A arte surgiu imitando a vida. Porém, com o fenômeno da mídia, movida pelo marketing, percebeu-se que a arte seria lucrativa. A arte virou produto, passando a se impor sobre o ser humano. Aconteceu a inversão. Agora a vida e o ser humano imitam a arte midiática. Espelhando-se em ícones e cenários produzidos e artificiais, aí está uma humanidade e vida abraçando uma falsa realidade, motivada por valores antropocêntricos e secularistas. E isso numa continuidade entorpecida que impede se ver como se está vivendo.

2021 está aí com a visão de vida de sempre. É uma proposta vazia, relativista, niilista, materialista, hedonista, destrutiva e decadente. É o viver inconsequente no altar do “aqui e agora”, bem narcisista e secularista. Tal proposta é instruída pelo humanismo. Isto é, define-se a vida e valores a partir do próprio ser humano. Se sobra algo de Deus, é um Deus descentralizado, marginalizado, produzido e subserviente. Nesse modo antropocêntrico e secularista, 2021 é portador de progeróide.

Poderia 2021 ser diferente? Ser um ano sem progéria? Virar o calendário não elimina a progéria do ano. Mais festa e prazer não podem ajudar. Sentimentalismos, como a saudação “feliz ano novo”, não sacode a velhice que acomete 2021. Nem mesmo o estabelecer de alguns novos alvos eliminará a progéria de 2021.

Contra a progéria do ano, e vida, há apenas um antidoto eficaz. O antidoto não é coletivo, mas pessoal. E ele foi assim proclamado e delineado: “Se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já se passaram; eis que surgiram coisas novas” (Bíblia, II Cor. 5:17). Cada colocação nesse pensamento é revolucionária. É preciso atentar com atenção a cada uma. Nesse antidoto não há nada de remendo, sentimentalismo etéreo ou manobra plástica. Ele apregoa e proporciona um novo real com impacto radical.

Tudo depende e começa por se “estar em Cristo”. É um encontro com Deus através da morte de Cristo na cruz. “Estar em Cristo” é primeiramente, pela fé, morrer com Ele – “Cristo morreu a minha morte, morri com Ele. Ele tomou sobre si minha culpa, transgressão e insuficiência.” É uma experiência interior, pela fé, que passa pelo arrependimento. É morrer para toda a visão e proposta de vida que domina a mentalidade atual. É uma proposta essencialmente contrária e alienada de Deus. Ela precisa ser abandonada. É necessário crucificá-la em Cristo – “As coisas antigas já se passaram”.

Mas Cristo ressuscitou. Se no “estar em Cristo” há um morrer pela fé com ele, o “estar em Cristo” envolve também um renascer no poder do Cristo ressurreto. “Estar em Cristo” é viver com Deus na dimensão eterna desde já. “Estar em Cristo” é novo começo – “eis que surgiram coisas novas”.

“Estar em Cristo” é simplesmente ser “nova criação”.
“Estar em Cristo” é um encontro com Deus que transforma e divide a história pessoal em duas partes, antagônicas e distintas. Toda perspectiva e propósito de vida muda no “estar em Cristo”. É um viver dependente dele e conforme o modo dele. Por tornar Deus, em Cristo, a base e centro do viver, o “estar em Cristo” transforma a essência da vida e pessoa. E a partir daí, transforma as diversas áreas e facetas da vida – “eis que surgiram coisas novas”.

Quem já experimentou essa metamorfose em Cristo, sabe que a experimentou. E o contrário também é verdade. O fato é que, se aconteceu o “estar em Cristo”, aconteceu a “nova criação”. E então há novo ano. Sem isso, sobra apenas progéria.