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Esporte


Cláudio Coutinho, traído pela água
Por Ariovaldo Izac   Quinta-Feira,  28 MAR 2013
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 Um dia o saudoso treinador Cláudio Coutinho, da Seleção Brasileira, alardeou que o país havia sido ‘campeão moral’ da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, a despeito da eliminação na fase semifinal pelo critério de saldo de gols. Assim, o time ficou em terceiro lugar.

Coutinho aliava seriedade e competência, virtudes que levaram o presidente da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), Heleno Nunes, a lhe entregar o comando do selecionado olímpico nos jogos em Montreal, no Canadá, em 1976.



E quando o técnico Osvaldo Brandão pediu demissão da seleção principal, após empate sem gols com a Colômbia, pelas eliminatórias da Copa na Argentina, dia 26 de fevereiro de 1977, Coutinho foi chamado para substituí-lo.

A decisão da cúpula da CBD provocou surpresa, pois Rubens Minelli era o mais cotado para assumir o cargo. Todavia, Coutinho logo convenceu os incrédulos e classificou o time brasileiro àquela Copa.

Gaúcho de Dom Pedrito, nascido em janeiro de 1939 e capitão do Exército do Rio de Janeiro, Coutinho foi professor de educação física e supervisor da Seleção Brasileira no tricampeonato em 1970, no México, e adotou a rigidez do regime militar que governava o País na época. Foi ele o introdutor do teste de Cooper para avaliar atletas, ao por em prática a inovação de seu amigo e professor norte-americano Kenneth Cooper.

Quis o destino que no auge da carreira de treinador, em 27 de novembro de 1981, morresse afogado no mar, quatro dias depois de o Flamengo conquistar a Libertadores da América.

Naquele período, ele já havia trocado o Flamengo pelo Los Angeles Astecs, dos Estados Unidos, e passava férias no Rio de Janeiro. Seu hobby era a caça submarina, e participava de um mergulho livre (sem auxílio dos tubos de oxigênio) nas Ilhas Cagarras, no litoral carioca, quando foi traído pela água.

Embora não mergulhasse havia nove meses, ele imaginou que venceria o desafio, mas faltou fôlego para projetar a caça.

Coutinho foi um intelectual que projetou carreira vitoriosa como treinador. Quando surgiu a oportunidade de comandar o time do Flamengo, em 1976, como sucessor do gaúcho Carlos Froner (falecido), incorporou ao dicionário esportivo termos como overlaping (sobreposição) e polivalência.

Procurou transportar à Gávea o espírito competitivo do europeu e exigiu de seus jogadores a ocupação de todos os espaços do campo. Reflexo: iniciou a montagem da base do Flamengo que conquistou o título mundial interclubes em 1981, na goleada por 3 a 0 sobre o Liverpool, da Inglaterra, já sob o comando de Paulo César Carpeggiani.

Na continuação do trabalho no Flamengo, após passagem pela Seleção, Coutinho cumpriu agenda total de 265 jogos até 1980, e entrou para a história do futebol contrariando a expectativa daqueles que o julgavam apenas um teórico.