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BragançaPaulista17 Out 2017


Cidade


Editorial - Mais que feriado: fé e esperança
Quinta-Feira,  12 OUT 2017
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 Dia do descobrimento da América e de sua Padroeira, Senhora de Guadalupe, dia da criança, da Padroeira do Brasil e festa do Círio de Nazaré, em Belém/PA, são comemorações, entre outras, do dia 12 de outubro. É mais do que um feriado, dia de fazer uma pausa no trabalho e descansar.

É dia de refletir sobre o significado das comemorações acima mencionadas. Concentramo-nos aqui em duas delas: dia da Senhora Aparecida, expressiva manifestação de fé, e dia da criança, tarefa para os adultos de hoje e esperança de um Brasil renovado, cheio de vida e de alegria.

Por que a Senhora Aparecida causa há 300 anos viva sensibilidade em milhões de brasileiros? Há dez anos, o cardeal Bergoglio esteve na cidade de Aparecida para a Conferência Episcopal Latino Americana. Nem imaginava que viria a ser o Papa Francisco. Repentinamente apareceu na sacristia da Basílica velha e manifestou ao padre que se preparava para a Missa o desejo de concelebrar. Declarou nessa ocasião que estava absolutamente encantado com a manifestação de fé dos brasileiros, em Aparecida.

O encantamento do povo brasileiro diante de Maria de Nazaré pode estar relacionado a dois aspectos bíblicos. O primeiro deles encontra-se no Evangelho de João 2, 1-5: “E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser”.

Embora não seja necessária, visto que podemos pedir diretamente a Jesus ou a Deus Pai, a intercessão de Maria é decisiva para a transformação de água em vinho. A fé popular sabe do poder dessa intercessão. Acorre à Basílica, ora para agradecer, orar para pedir, voltando para casa dispostos a fazer tudo quando o próprio Jesus disser. Muitas vezes alcançam o que pedem.

O segundo motivo do encantamento do povo brasileiro diante de Maria encontra-se em João 19, 26-27: “Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”.

Isso ocorreu no alto do Calvário, onde Jesus, pregado na Cruz, entregava sua vida para a salvação de muitos. A fé popular sabe dessa presença materna de Maria no momento mais crítico de nossa salvação. Sabe que nunca está só, inclusive nos momentos mais difíceis.

Tudo isso, certamente, é um alento para o povo brasileiro que ainda vive momentos difíceis e cultiva a esperança de dias melhores em todos os aspectos de sua vida, tanto no âmbito pessoal e familiar, quanto no âmbito social. Toda a nação brasileira aspira por dias melhores, mais igualitários, de oportunidades para todos.

Neste dia, também dedicado às crianças, convém destacar a prontidão e a alegria com que Maria recebeu a notícia de que seria a mãe de Jesus, o Salvador: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1,38). Logo em seguida ao nascimento improvisado de Jesus em Belém, numa manjedoura, por falta de lugar nas hospedarias, foi necessário fugir para terras estranhas para proteger a vida do recém-nascido.

E, tendo eles (os reis magos) se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho, dizendo: “Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Mateus 2,13). Maria demonstra assim que não se mede sacrifícios quando as crianças necessitam e merecem toda a proteção de seus pais.

Outro aspecto relevante para este dia das crianças é que estas devem ser criadas diante de Deus: “E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lucas 2, 21-22).

Elogio maior à função educadora de Maria encontramos em Lucas 2,39: “E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. Esta é missão de todo pai e de toda mãe: contribuir para que seus filhos, desde crianças pequenas, cresçam em graça e sabedoria, diante de Deus e dos homens.

Esta é uma tarefa enorme num país como o nosso que conta com uma população de quase 60 milhões de crianças e adolescentes. Merecem toda a nossa dedicação de pais, tios, avós e amigos, para que alcancem uma vida plena e feliz, hoje e ao longo do seu crescimento rumo à vida adulta. A todos, abençoado dia da Senhora Aparecida, feliz dia das crianças, de brinquedos e brincadeiras, de educação e de crescimento em graça e sabedoria.