BJD
30 máx 18 min
BragançaPaulista25 Out 2014


Cidade de Bragança


Editorial: O salário do professor universitário e o do vereador
Por Paulo E. de Oliveira   Segunda Feira,  05 DEZ 2011
Versão para impressão
Tamanho dos carácteres

 Um professor universitário de uma universidade particular que trabalhe no regime de “professor convidado”, sem estar concursado, e que ministre uma disciplina semanal de quatro horas recebe como salário cerca de R$500 mensais. Um professor da Universidade de São Paulo, universidade pública mantida pelos impostos dos cidadãos paulistas, quando é admitido após um concurso público, que avalia seus méritos como professor, pesquisador e gerador de recursos financeiros particulares ou do próprio governo estadual ou federal, recebe um salário de cerca de R$ 6.000, que é equivalente ao salário de um vereador da Câmara Municipal de Bragança Paulista.

No caso do professor convidado de uma universidade particular, sem estar concursado ou dentro de um plano de carreira da instituição, que ministra somente uma disciplina de quatro horas semanais, os honorários são de R$25,00 por hora trabalhada embora ele ou ela gaste mais 20 horas mensais na preparação das aulas e da correção dos trabalhos dos alunos que contam em sua avaliação. Portanto seu salário real é de R$15,00 a hora trabalhada.

O professor da USP, UNICAMP e UNESP, recém contratado trabalha em regime de 40 horas semanais, de segunda a sexta, portanto 160 horas mensais, que nos dá o cálculo de R$37,5 por hora trabalhada. Atualmente, mas somente nas universidades de excelência, é impossível ser professor sem o título de mestrado (sensu strictu, com defesa de dissertação) e de doutoramento, com defesa de tese em instituição com mestrado e doutorado recomendados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que obriga as universidades a exigirem não somente o ensino, mas também produção intelectual em revistas científicas estrangeiras de grande prestígio, um dos grandes critérios que aquela Coordenação usa no momento de avaliar os cursos superiores no Brasil.

Além de terem feito um curso de graduação (média de 4 anos), mestrado em 2, doutorado em 3 ou mais anos, o professor universitário tem que ter pelo menos o domínio de uma língua estrangeira para poder participar de congressos e encontros internacionais e submeter suas publicações anuais a revistas científicas estrangeiras. Além disso, são obrigados a orientarem futuros pesquisadores, mestrandos e doutorandos.

Foi toda essa estrutura universitária que rendeu ao Brasil o poder de descobrir todo o petróleo existente em sua costa e todo o ouro e riquezas minerais, que sustentam a economia brasileira.

Agora vejamos o vereador municipal. Digamos que ele ou ela trabalhe 3 dias por semana, o que sabemos que em muitos casos não é verdade. Se trabalharem três horas semanais, e imaginemos que nesses dias o regime fosse de 8 horas, (também extremamente improvável), isto nos dá 96 horas semanais e um custo aos cofres públicos de R$62,5 por hora trabalhada contra R$37,5 do professor da USP e contra R$15,00 do professor universitário não concursado, mas também com mestrado e doutorado.

Os professores universitários têm um mês de férias, os vereadores em Bragança têm dois. Toda esta matemática simples nos relembra o debate sobre o aumento do número de vereadores que alguns querem que seja 19 e que está na lei. Contudo lembramos que leis existem e podem ser modificadas quando o povo assim quiser. Vejam o exemplo do povo russo em 1917. Basta a coragem e a vontade do povo. Mas talvez isso já é exigir demais.