BJD
31 máx 17 min
BragançaPaulista22 Jan 2018


Cidade de Bragança


Reflexão: Outro 11 de Setembro
Por Sandro Silva Araújo   Segunda Feira,  09 SET 2013
Versão para impressão
Tamanho dos carácteres

 Todos os anos, as notícias desta semana se voltam novamente para o dia 11 de setembro, o de 2001. Mas, existe outro 11 de setembro, que poucos querem lembrar, o de 1973, no Chile, quando as elites econômicas, política e midiática começam a colocar em prática o desfecho do plano de golpe contra um presidente, o primeiro marxista a ser eleito democraticamente no Ocidente. A ajuda externa para a desestabilização vinha de Washington.

Grande articulador de vários golpes na região, inclusive em 1964 no Brasil. Em 1970, Salvador Allende foi eleito presidente do Chile, pretendia "construir uma sociedade socialista em liberdade, pluralismo e democracia" e estava comprometido com o processo de nacionalização da economia, com a reforma agrária e com a elevação do nível de vida dos trabalhadores, ou seja, acreditava que as reformas socioeconômicas graduais pudessem fortalecer as massas trabalhadoras e ao mesmo tempo e ao mesmo tempo destruir o predomínio econômico e imperialista, abrindo caminho para a construção de uma sociedade socialista.

Humanista Democrata

O golpe, comandado pelo general Augusto Pinochet que manda atacar o Palácio La Moneda. Está dado o golpe que instaura uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina. No palácio presidencial, no centro de Santiago, Salvador Allende se suicidou, cercado por alguns poucos fiéis, após conclamar à população a não resistir.

Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa e na possibilidade de instaurar o socialismo dentro do sistema político vigente. Em seu discurso de 21 de maio de 1971, definiu o socialismo chileno como libertário, democrático e pluripartidário.

Nisso estava seu caráter revolucionário e não no uso da violência para resolver o problema do poder, tratava-se de fazer da democratização radical de todas as esferas da vida social o eixo de transformação da sociedade. Infelizmente para o futuro dos ideais socialistas, essa tentativa fracassou.

Sonho de Allende

O sonho de Salvador Allende não morreu. Ele permanece vivo em cada pessoa que luta por uma sociedade justa para todos. Seus ideais seguem nas mentes dos militantes sociais que vão às ruas reivindicarem seus direitos.

Allende é um marco na história da América Latina porque mostrou que é possível a existência de um governo popular que atenda às necessidades de seus cidadãos.

O presidente chileno não entrou para a História por causa de sua morte, mas, sim, por causa de sua vida, e sua morte fortaleceu o mito.

Graças a seu instinto político e a seu realismo histórico, ele veio a representar a expressão simbólica de uma “nova maneira” de chegar ao socialismo, que se opunha à tese da luta armada. Ele continua sendo a bandeira de uma luta a ser retomada pelo socialismo de amanhã.