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Cidade de Bragança


Santa Casa de Misericórdia: da fundação aos nossos dias - Parte I
Quinta-Feira,  29 AGO 2013
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 A Irmandade de Nosso Senhor dos Passos, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista, está comemorando 139 anos de existência. Aproveitando a oportunidade trazemos ao conhecimento dos leitores, um pouco da sua história.

A maioria das pessoas que adentram as atuais dependências da “Santa Casa de Misericórdia” não conhece as suas origens. Não sabe como tudo começou: A sua fundação, as lutas para a sua instalação e os primeiros beneméritos desta Instituição, que desde o início de suas atividades tem prestado grandes serviços à população de toda uma região.

Os dados oficiais aqui registrados nos chegaram às mãos durante o tempo em que tivemos o privilégio de participar da diretoria do referido nosocômio, quando ali ocupamos diversos cargos de direção.

A semente plantada – 31 de agosto de 1874

A Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, cujo compromisso foi aprovado por D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, 9º Bispo de São Paulo de acordo com a Provisão datada de 31 de agosto de 1874, provisoriamente instalada na Igreja do Rosário, tinha um amplo plano a ser realizado, porém, uma das várias finalidades, senão a mais importante, era a fundação de uma Santa Casa de Misericórdia.

A primeira Mesa Administrativa, eleita em 25 de outubro de 1874, era constituída pelos seguintes membros: Provedor: Padre Simplício Bueno de Siqueira, Tesoureiro: Cel. Luiz Manoel da Silva Leme, Procurador: José Narciso Pinto, Secretário: José Guilherme Cristiano e Síndico: Joaquim Lopes Maciel.

Em reunião da diretoria realizada em 15 de novembro de 1874, o Irmão Francisco Manoel do Carmo, na qualidade de testamenteiro de Manoel José da Silveira, fez à Irmandade o primeiro donativo na importância de 100$000 (cem mil réis), uma fortuna naquela época, legada pelo falecido à Irmandade. Nessa reunião resolveu-se então alugar uma casa que iria servir provisoriamente de Hospital até que a Irmandade obtivesse recursos necessários para construir um edifício próprio.

Em 4 de dezembro de 1877, o Irmão Tesoureiro Cel. Luiz Manoel da Silva Leme apresentou à Mesa a escritura de uma casa situada à Rua do Lavapés, atual Rua Barão de Juquery, de propriedade de Antonio Gomes Nogueira Fernandes, juntamente com a licença de Sua Alteza Princesa Izabel, Regente Imperial, para poder a Irmandade possuir a referida casa, a qual seria adquirida, como de fato o foi, com uma quantia obtida através de um legado testamentário da finada dna. Jesuína Francisca de Oliveira.

A inauguração oficial da Santa Casa de Misericórdia deu-se no dia 8 de dezembro de 1877, ocasião em que foi colocado na sala de reuniões o retrato do fundador da Irmandade, o Padre Simplicio Bueno de Siqueira.

Já havia então três doentes em tratamento, sob os cuidados dos distintos médicos Dr. Pedro de Andrade Freitas e Dr. José Hermenegildo Pereira Guimarães, os quais prestavam os seus serviços profissionais gratuitamente no hospital.

Embora passando por grandes reformas, a casa em que fora instalado o Hospital, construída em um terreno de grande extensão, não oferecia os requisitos necessários para o seu funcionamento. E como não havia recursos para aprofundar a obra, resolveu-se alugar aquela casa e encerrar provisoriamente o atendimento hospitalar, ficando suspensa a Irmandade de janeiro de 1878 até julho de 1887. Após nove anos de paralisação os trabalhos foram reiniciados no dia 8 de agosto de 1887.

Passados 5 anos, em 1892, a Mesa Administrativa resolveu reabrir o Hospital. E para isso, o Irmão Provedor procurou a Câmara Municipal e solicitou que o engenheiro de obras públicas local, Dr.Lazarini, levantasse a planta de um novo edifício a ser construído naquele local, e este, atendendo ao pedido, o fez graciosamente.

Esse ato de generosidade despertou o entusiasmo dos componentes da Mesa Administrativa e em reunião de 14 de abril de 1896 foi nomeada uma comissão para o fim de angariar donativos para as projetadas obras, dela fazendo parte os cidadãos: Cel. Olegário Ernesto da Silva Leme, Cel. Jacintho Ozório de Lócio e Silva, Major Felício Godoy Bueno e Major Felix Cintra.

Foram recebidos muitos donativos, dentre os quais um legado de 50.000$000 (cinquenta contos de réis), em testamento pelo prestante cidadão Firmino Joaquim de Lima, que faleceu em 8 de julho de 1896 e cuja ultima vontade foi a de que esse dinheiro fosse aplicado na construção do novo prédio.

No dia 13 de setembro de 1896 foi assentada a primeira pedra no prédio destinado à Santa Casa de Misericórdia, no local do velho casarão então demolido para ali se edificar o novo edifício.

O dia do lançamento da pedra fundamental amanheceu ensolarado. Pairava no ar da urbe bragantina uma agitação febril, um movimento de intensa alegria, um ar concentrado de grande festividade, motivado por um fato que alcançava toda a população,

Este edifício, onde se localiza hoje a parte administrativa do hospital, ostenta artística fachada. Em sua frente havia até alguns anos atrás um lindo jardim, ora transformado num pátio para estacionamento.