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Cidade de Bragança


Há 68 anos passados: Bragança Paulista cobre de glória os seus heróicos expedicionários - Parte 2
Por José Carlos Chiarion   Quarta-Feira,  07 AGO 2013
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A chegada de nossos heróis ao solo bragantino foi um momento de imensa comoção. Lágrimas e risos das famílias dos expedicionários se misturavam aos abraços e beijos e a custo se poderia conter a onda de povo que enchia todo o Largo da Estação.

Executado o Hino Nacional pela Corporação Musical “Santa Basilissa”, fez uso da palavra, dando-lhes as boas vindas em nome de Bragança Paulista, o sr. José de Assis Gonçalves Junior, prefeito municipal.



A seguir formou-se um cortejo; os expedicionários ladeados pelos atiradores do Tiro de Guerra 464 romperam a marcha em direção ao centro da cidade, sob a cadência das fanfarras e tambores das instituições que estavam presentes na recepção e aos sons da Corporação Musical “Santa Basilissa”, regida pelo maestro José Aricó.

Grupos Escolares “Dr. Jorge Tibiriçá” e “José Guilherme”, Escola Técnica de Comércio “Rio Branco”, Ginásio Diocesano “São Luiz”, alunas do Colégio “Sagrado Coração de Jesus”, Grêmio Recreativo “Santa Basilissa”, Clube Recreativo “13 de Maio” e representações de sindicatos locais, todos com bandeiras do Brasil, estandartes sociais e dísticos com sugestivas legendas, emprestavam ao préstito um aspecto de rara imponência, tudo isso realçado pelo imenso número de enfeites que se notavam nas ruas por onde passava o desfile.

Na esquina da Rua Dona Carolina com a Rua Barão de Juquery estava armado um arco, encimado por uma saudação do povo bragantino aos seus soldados, sob o qual passou o desfile por entre as entusiásticas aclamações por parte do povo que o acompanhava e se comprimia por toda a extensão das ruas Barão de Juquery e Dr. Cândido Rodrigues.

Saudações em frente às associações em dísticos exprimiam o jubilo da população e muitas palmas e vivas aos vencedores de Monte Castelo e Montese; num delírio jamais visto, até que os expedicionários chegaram ao ARCO DO TRIUNFO.

ARCO DO TRIUNFO

O Arco do Triunfo, idealizado pelo pintor bragantino Luiz Gualberto, que dirigiu sua construção e no qual trabalharam os mais destacados pintores, marceneiros e artesãos bragantinos, constituiu não só aos bragantinos como também àqueles que estiveram na cidade uma surpresa, pela imponência do monumento que se alteava entre a Praça Raul Leme e a Rua Dr. Cândido Rodrigues, em frente ao Clube Literário e Recreativo e no qual se notavam motivos de apurada arte, atestado da capacidade de nossos artesãos no que diz respeito às coisas artísticas.



Chegando ao Arco do Triunfo os expedicionários procederam ao hasteamento da Bandeira Nacional ao som da Marcha Batida executada por atiradores do Tiro de Guerra 464 e do Hino Nacional tocado pela Corporação Musical “Santa Basilissa”. O içamento do símbolo nacional foi feito pelo 3º sargento João Duran Alonso, o mais graduado dos expedicionários ali presentes e essa solenidade trouxe grande comoção à imensa massa popular.

Nessa ocasião, da sacada do Clube Literário e Recreativo fez uso da palavra o Dr. Roberto Rezende Junqueira, Meritíssimo Juiz de Direito desta Comarca, que em felizes e oportunas definições se dirigiu aos recém-chegados que após longos meses de lutas no estrangeiro pela causa da Democracia, retornavam à sua terra natal, recebidos entre as mais calorosas manifestações de grande contentamento.

Inaugurado o Arco do Triunfo

A seguir, os Expedicionários João Nogueira de Souza, Raul Rosa e Demerval de Oliveira Leme cortaram a fita que vedava a passagem sob o Arco do Triunfo, pondo-se então em marcha o cortejo, subindo pela Praça Raul Leme, passando pela Praça José Bonifácio, para, por fim, fazer alto defronte o palanque armado na Praça Raul Leme, ao lado da Catedral.

A solenidade realizada no Palanque

Os expedicionários, suas famílias, autoridades, membros da Imprensa e representantes das diversas comissões de festejos tomaram lugar no palanque.

Quem se desse ao trabalho de lançar os olhos por toda a praça central, ficaria certamente surpreendido com o que via. Nem um espaço vazio, eis que a Praça Raul Leme estava completamente ocupada pela enorme massa humana e, em todas as janelas e sacadas dos prédios havia gente.

No palanque, ocupou o microfone do Serviço de Propaganda-PRX-8, anunciado pelo locutor Rafael Sando, o Dr. Roberto Caldas, promotor público desta Comarca. Em eloquente improviso dissertou sobre a solenidade que empolgava a nossa gente, saudando efusivamente os expedicionários bragantinos.

Em seguida usou da palavra o causídico Dr. Abel Benedito Batista de Oliveira, conceituado advogado no Foro local, que saudou com brilhantes palavras os nossos pracinhas que ora regressavam ao lar.

Em nome de seus companheiros de armas, falou o expedicionário João Nogueira de Souza que no termino da oração deu por cumprida a missão que lhes foi confiada, quer seja, a luta em defesa de nosso país.

Para encerrar as solenidades da noite, falou o sr. Paulo Ribeiro de Vasconcellos que concitou os presentes a prosseguirem acompanhando as manifestações que aconteceriam nos dias subsequentes em honra aos expedicionários, convidando a todos para assistir à missa campal que seria realizada no dia seguinte, bem como, para comparecer aos demais atos constantes do programa.

(Continua...)

José Carlos Chiarion é advogado,escritor e membro da Associação de Escritores (ASES). Foi vereador, colunista do Bragança Jornal, participou da fundação e foi Presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). Autor do livro “Um pouco da Nossa História”.