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Reflexão: O Papa é Pop
Por Sandro Silva Araújo   Terça-Feira,  06 AGO 2013
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 O ídolo desperta fortes emoções, e só de estar perto dele ou conseguir um clique com a câmara do celular já provoca enorme satisfação. Como diz a música dos Engenheiros do Havaí, o papa é pop! Vendo as imagens da Jornada Mundial da Juventude e a multidão de fiéis em busca de um simples toque no líder religioso, veio à mente o livro de Mario Vargas Llosa, A civilização do espetáculo.

Para o Nobel de Literatura, vivemos na era em que tudo é transformado em espetáculo, em entretenimento até a religião. Nunca uma visita papal ao Brasil ganhou tantos contrastes: violentos protestos paralelos pontuaram a sua chegada ao Rio de Janeiro na segunda-feira, após a passagem pelo palácio da Guanabara - ainda na esteira das manifestações populares iniciadas em junho.

Dias antes, em Aparecida (SP), uma bomba caseira foi desmontada no banheiro do santuário que fez parte de seu roteiro no Brasil. Ao fim dessa semana, porém, a maratona parecia ser recompensada. O tom humilde do Papa Francisco cativou os brasileiros e suscitou respostas positivas das ruas e dos lares, ainda que só pela televisão.

“Fenômeno” Francisco

Poucos acontecimentos e menos pessoas conseguem congregar milhões, como fez o Papa, mobilizar massas e produzir sucessos midiáticos como o que vimos. Para além das fronteiras do Brasil o “fenômeno Francisco” tem repercussões em diferente escala, mas ninguém ignora que desde que Jorge Bergoglio assumiu o pontificado propôs-se o objetivo de tornar mais confiável a instituição católica e, ao mesmo tempo, coerente com o que anuncia. Esta é a pregação que o Papa Francisco vem executando e assim o fez com grande habilidade durante a visita ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

A Teologia de Francisco

Francisco prega a justiça social e o faz desde uma perspectiva da doutrina social da Igreja que se opõe ao capitalismo, mas que ao mesmo tempo entende que a forma de combatê-lo passa pela reafirmação dos valores do catolicismo, na ética e na família.

As palavras e gestos do papa mostram que não existe nem existirá Igreja ou evangelização se não revelar ao mundo o Evangelho do amor e da solidariedade e deixar de lado as pompas, clericalismos e outros ismos, que são incompatíveis com o rosto e o espírito da comunidade anunciada por Jesus Cristo.