Cidade de Bragança


Um Pouco da Nossa História: Alguns poetas do passado da Cidade Poesia - Parte II
Por José Carlos Chiarion   Terça-Feira,  24 SET 2013

 Entre as figuras que em nossa terra fizeram parte do ilustre grupo de poetas que por aqui passaram a partir do século 20, queremos destacar a pessoa de nosso conterrâneo Nicolino Rodrigues dos Santos, que assinava simplesmente Nicolino dos Santos.

Nascido em berço humilde no dia 20 de dezembro de 1902, era filho de José Rodrigues dos Santos e de Maria Gertrudes da Dores e desde cedo mostrou vocação para as letras. Possuidor de grande amor por sua terra natal, ainda na juventude já demonstrava sua imensa afeição por sua cidade, batalhando destemidamente pelas colunas dos jornais locais em prol das causas que visavam beneficiar este torrão e seus habitantes.

Exemplo de coragem e persistência, criado sem os recursos de uma frequência em ginásio ou universidade, sem um diploma que lhe facultasse a entrada pelo caminho do sucesso, Nicolino lutou galhardamente e conquistou um lugar de destaque na imprensa bragantina.

Cronista, polemista, articulista de real valor, humorista de grande potencial e principalmente poeta, Nicolino dos Santos foi um dos grandes valores da imprensa de nossa terra. Foi entre outros, redator do “Cidade de Bragança”, do “Lyrio Jornal” e do “Bragança-Jornal”, além de ter sido um eficiente colaborador de jornais que aqui existiram no século 20.

Deixando de lado as outras qualidades, vejamos a poesia de Nicolino dos Santos. Há nela o enlevo de um trovador que sabe louvar a sua aspiração. Nela notamos um lirismo delicioso embalando as ideias. Mas há também junto a esse sentimento forte a filosofia humana na mais alta expressão:

Uma coisa, neste mundo,
Deus, ao fazê-la encheu-a de dor:
- É o amor.

Uma coisa, neste mundo,
Deus cegou-a, com a claridade:
- É a felicidade.

Uma coisa, neste mundo,
Deus fê-la, eterna e forte:
- É a morte.

A poesia de Nicolino dos Santos é espontânea e natural. Poderemos colocá-lo entre os melhores contemporâneos no gênero. Não há exagero em tal afirmação. É um poeta de grande apreço, motivo pelo qual faremos justiça reconhecendo sua personalidade e seu temperamento de artista:

- Faça-se a luz !
E veio com o dia
num gargalhar de açoite,
- A noite!

- Faça-se o amor !
E veio com o amor
num sorriso de irmão,
- A desilusão!

- Faça-se a vida !
E veio com a vida,
Nas asas da sorte,
- A morte!

São assim os seus versos. Simples, interessantes e despretensiosos como o próprio autor. Franco, leal e sincero, vale a pena recordar, pois havia na franqueza de seu rosto o que lhe ia na alma:

Não,
não sou nada ambicioso,
dentro do natural desejo
de ser feliz.

Por mais que se queira,
de um destino venturoso,
a gente nunca tem
o que sempre quis.

O falecimento de Nicolino dos Santos deu-se repentinamente em 5 de julho de 1954, tendo sido sepultado na presença de parentes e de amigos, que possuía em grande número, bem como, leitores e ex-colegas de jornalismo. Assim findou a vida de Nicolino dos Santos. Encarou sempre os problemas com realidade, tendo para qualquer situação imprevista, um verso não raro cheio de humor e arte.

Deixou um enorme número de poesias e a maioria delas foram publicadas nos jornais locais, aos quais sempre emprestou sua inteligência e seu talento.

Incluindo seu nome entre os “poetas de nossa terra” estamos prestando uma pequena homenagem a um dos ilustres bragantinos que muito lutou em prol da imprensa bragantina e dos interesses de nossa coletividade.

* José Carlos Chiarion é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.