Cidade de Bragança


Há 68 anos passados: Bragança Paulista cobre de glória os seus heróicos expedicionários – Final
Por José Carlos Chiarion   Sábado,  10 AGO 2013

 Domingo, dia 12 de agosto de 1945, dia claro, sol esplendoroso. Muito embora o cansaço se apoderasse de todos no dia anterior, uma bela noite de sono veio trazer muito ânimo, para levar até o fim as homenagens que os bragantinos se propuseram a tributar aos seus expedicionários que regressavam à terra natal.

Soltura de pombos-correios

Os companheiros de armas do cabo Basílio Zecchin Junior, tombado em campo de batalha italiano, logo de manhã, agrupados, prestaram-lhe sentida homenagem, da qual constou a soltura de pombos correios, com a colaboração da chefia do departamento de Transmissões da 2ª Região Militar e da presidência do “Clube Columbófilo de São Paulo”.

Às 10 horas e um minuto, precisamente, cinco pombos foram soltos levando eles mensagens dirigidas às altas autoridades estaduais e militares de São Paulo, tendo eles os seguintes nomes: “Pomba Moema” solta pelo expedicionário Silvio Balastreri Junior; “Pombo Tupi” solto por Arlindo Baptista de Oliveira, aluno da “Escola Técnica de Comercio Rio Branco”; “Pombo Pirata” solto por Amicis Ferraz Cunha, aluno do “Ginásio Diocesano São Luiz”; “Pombo Paulistinha” solto por Roberto Ferreira, aluno do “Grupo Escolar Dr. Jorge Tibiriçá”; “Pomba Bragança Paulista” solta por Neide Maria Canquerini, do “Grupo Escolar José Guilherme” e “Pomba Iara” solta por Beatriz Teixeira Galasso, aluna do “Colégio Sagrado Coração de Jesus”. Em seguida foram soltos mais 150 pombos e todos eles após sobrevoarem as Praças Raul Leme e José Bonifácio partiram em direção à metrópole paulista.

Homenagem aos expedicionários mortos

Fazia parte da programação dos festejos aos expedicionários, uma piedosa romaria ao cemitério local, onde todos os expedicionários mortos em combate, cristalizados na figura do sempre lembrado cabo Basílio Zecchin Junior foram reverenciados.



Uma linda coroa consistente numa cruz de cedro enfeitada com lírios foi oferecida à memória do cabo Basílio Zecchin Junior, tendo sido encarregado de transportá-la o expedicionário José Franco de Macedo. Duas outras tinham os dísticos, uma delas: “Aos heróis brasileiros que tombaram elevando o nome do Brasil” e outra “Homenagem do povo de Bragança Paulista ao soldado Alfredo Lino de Camargo”. Este último faleceu antes de partir para o front, em acidente.

Na ocasião usaram da palavra o tenente Marciolino Costa dos Santos e ao final fez-se ouvir o expedicionário Benedito Bafato, que falou sobre a personalidade de Basílio Zecchin Junior.

Pedra fundamental do monumento aos expedicionários

Às 15h00, na Praça Princesa Isabel, estando presentes os expedicionários perante avultada assistência e contando com a presença da Corporação Musical “Santa Basilissa” regida pelo maestro José Aricó, que abrilhantou a cerimônia, realizou-se a solenidade do lançamento da pedra fundamental do monumento a ser erigido em homenagem aos expedicionários bragantinos.

Aberta a solenidade pelo prefeito municipal, o padre Luiz Gonzaga Peluso, chanceler do Bispado e que no ato representava o bispo diocesano Dom José Mauricio da Rocha procedeu a benção do local onde seria construído o monumento aos nossos heróis.

Usou da palavra, a seguir o sr. Oswaldo Russomano, secretário da Prefeitura Municipal em nome do sr. Prefeito Municipal, após o que, foi lavrada uma ata pelo Prof. Levindo Ferreira Cintra, redator do “Bragança Jornal”, cujo documento foi assinado pelas autoridades e pessoas gradas e colocado numa urna, juntamente com exemplares de jornais locais, moedas e lembranças do ato, sendo que a mesma foi enterrada no local e a pedra fundamental foi lançada a pedido do sr. Prefeito municipal, pelo Dr. José Adriano Marrey Junior. Executado o Hino Nacional Brasileiro, foram encerradas as solenidades.

Recepção no Tiro de Guerra 464

Após o ato acima, os expedicionários dirigiram-se à sede do Tiro de Guerra, onde foram recepcionados pelos atiradores da corporação.

Na ocasião usaram da palavra vários oradores, entre os quais o sargento Odilon Quadros e o Dr. Afonso Augusto Santangelo, todos sendo muito aplaudidos em seus pronunciamentos. Finalizando a cerimônia falou o soldado Américo Suarez Acedo, agradecendo em nome de seus companheiros as homenagens que lhes estavam sendo prestadas.

Marche aux flambeaux

À noite, os expedicionários incorporados, todos portando policromicas lanterninhas tomaram parte numa vistosa “marche aux flaumbeaux” que se iniciou na Praça José Bonifácio, subiu a Rua Coronel Osório até a rua Dr.Tosta, descendo até a Rua Coronel Teófilo Leme. Por esta seguiu até a Travessa Esperança (hoje rua Dr.Clemente Ferreira) indo até a Rua Coronel Assis Gonçalves, subindo a Travessa Ypiranga (atual rua Dr. Antonio da Cruz) e, daí pela rua Dr. Candido Rodrigues até a Praça José Bonifácio.

Sempre num ambiente de grande entusiasmo, os expedicionários entoaram a canção do 6º Regimento de Infantaria e a “Canção do Expedicionário”. Aqueles que faziam parte do cortejo entoaram a Canção do Soldado e outros hinos patrióticos.

Fogos de artifício

Encerrando com chave de ouro as festividades em honra aos nossos expedicionários, os homenageados dirigiram-se ao Parque de Diversões Modelo onde, perante grande público, foi procedida à queima de lindas peças de fogos de artifício, provocando enorme entusiasmo em meio dos presentes àquele grandioso espetáculo pirotécnico. Com essa parte do programa, os festejos foram encerrados.

Em homenagem aos nossos bravos contemporâneos componentes da Força Expedicionária Brasileira que representaram nossa cidade junto às forças aliadas, vencedoras da 2ª Guerra Mundial, declinamos o nome de cada um desses heróis: 3ºs. Sargentos: Luis Souza Santos, José Lamartine Cintra e João Duran Alonso; Cabos: Moacyr Pinheiro, João Nogueira de Souza, Décio Daltrini, Cristovam Lopes Herrera Filho, Adão de Camargo, Moacyr Mendes de Oliveira, Basílio Zecchin Junior (falecido em 18-2-1945), Raul Rosa, Antonio La Salvia Neto, Luiz Caetano de Moura, Demerval de Oliveira Leme; Soldados: Vair Duarte, Américo Suarez Acedo, Antonio Leite de Almeida, Domingos Acedo Garcia, Sebastião Aparecido de Souza, José Franco de Macedo, Genor Brajon, Francisco Sciola, Dante Francisco Chiarioni, Augusto Faustino Pinto, Antonio Silva Leme, Silvio Balastreri Filho, Harry Baisi Fernandes, Normando Bonventi, Benedito Bafato, Ricieri Zadra Piniano, Lazaro Cremonezi, Geraldo Genésio dos Santos, Luiz Eufrásio Raymondi, João Pereira da Silva Junior, Theodomiro Carlos de Oliveira, Otavio Pereira Lente, Antonio Estevam, Antonio de Próprio, Vicente Bernardi, Afonso dos Passos, Olympio Ferreira Cintra, Antonio Hunger de Oliveira, João Torquato Ramalho, Décio Conceição dos Santos, José Capodeferro,Luiz de Lima, Silvio Pinheiro André ( expedicionário da F.A.B.), Oswaldo Chaco, José Albino Reinaldo Santana, João Nogueira Simões, Monzardo Pereira Ramos, Celio Cruz Paixão,Rafael Augusto do Amaral,Odilon Gomes, Albino R.Oliveira, Geraldo Caetano Pimenta, Francisco Gonçalves, Rafael Augusto de Oliveira, Marcilio Gonçalves da Silva e Alfeu Ferreira.

Conclusão

Passados 68 anos do retorno dos expedicionários da 2ª Guerra Mundial, temos junto a nosso convívio Moacyr Pinheiro, Genor Brajon e Luiz Caetano de Moura, que merecem receber nossas homenagens e a quem dedico este relato, para que nossos descendentes continuem reverenciando estes nossos heróis.

José Carlos Chiarion é advogado, escritor e membro da Associação de Escritores (ASES). Foi vereador, colunista do Bragança Jornal, participou da fundação e foi Presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). Autor do livro “Um pouco da Nossa História”.