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BragançaPaulista21 Fev 2018


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Luther King Day
Sábado,  03 FEV 2018
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 Nesta época carente de verdadeiros líderes, é oportuno a lembrança da figura do feriado da terceira segunda-feira de janeiro nos EUA. É o feriado do “Dia de Martin Luther King Jr.”- comemoração do aniversário de Luther King, reconhecido líder e pastor Batista. Aliás, a posse do ex-presidente Barack Obama se deu nesse feriado, e o presidente Obama fez seu juramento presidencial com a mão sobre a Bíblia que pertenceu a Luther King.

Esse feriado honrando Luther King foi decretado em 1983, que havia sido assassinado em 1968. Como ser honrado com um feriado pela maior nação do mundo, na história recente, é fato inusitado, fica patente a grandeza da liderança e causa dele. Certamente foi um humano com suas imperfeições e erros, porém, Luther King foi a liderança fundamental do honroso movimento americano pelos direitos civis - o movimento que derrotou a segregação racial nos EUA.

Luther King mudou significativamente seu país sem derramar uma gota de sangue. Ele enfrentou inimigos poderosos sem usar um ato de violência. Ele sempre tratou seus adversários com dignidade. Sem provocar baderna, ele sacudiu uma sociedade acomodada num status quo reprovável. Ele lutou pela unificação, recusando a divisão tão comumente provocada pelas mobilizações ideológicas e raciais.

Ele buscou a reconciliação ao invés da retaliação. Reivindicou igualdade e não o protecionismo. Foi preso algumas vezes, sofreu um atentado a bomba em sua casa e marchou em protestos pelas ruas de diversas cidades. Sempre com ordem, habilmente manuseou duas armas: a força moral da sua causa e a consciência cristã da sua nação.

Enfim, a liderança desempenhada por Luther King foi realmente extraordinária, concedendo a ele um lugar privilegiado entre os maiores líderes da história americana. Porém, ele nunca se tornou candidato, e nem militante, político ou partidário. E Luther King foi o mais jovem agraciado com o prêmio Nobel, bem como foi condecorado, pós-morte, com a medalha presidencial da liberdade.

Aos quinze anos Luther King já cursava Sociologia na Faculdade Morehouse. Depois foi estudar no Seminário Teológico Crozer, recebendo o grau Bacharel em Divindades (titulação de Teologia das faculdades nos EUA).

E completou sua formação acadêmica recebendo em 1955 seu doutorado da Universidade de Boston. Entretanto, já em 1954, ainda aos 24 anos de idade, havia se tornado pastor da Igreja Batista da Dexter Avenue, na cidade de Montgomery, no Alabama. Casou-se com Coretta, com quem teve quatro filhos.

Foi um orador e pregador eloquente, com um domínio habilidoso do seu idioma. Aliás, nestes dias de pregações reprováveis, oportuna é a ponderação Luther King: “Eu sinto que a pregação é uma das necessidades mais vitais de nossa sociedade, se for usada corretamente”. Ele nunca teve um programa de rádio ou televisão.

Não manipulou ou explorou audiências. E não construiu nenhum império financeiro religioso ou pessoal, mas, pregando a verdade na perspectiva do Evangelho, inspirou a milhões. Um destaque foi seu discurso “Eu Tenho um Sonho” que eletrizou os 250 mil participantes da marcha pelos direitos civis em Washington em 1963. E tal discurso é uma referência comumente citada nos EUA até hoje.

Luther King rejeitou o Marxismo porque essa teoria “falhou em ver a verdade no empreendimento pessoal” e reprovou o “Capitalismo tradicional” porque “falhou em ver a verdade no empreendimento coletivo”.

E Luther King aprendeu com Ghandi, o líder histórico da Índia, que o “verdadeiro pacifismo não é não resistir o mal, mas sim, resistir, sem violência, o mal”. Vários aspectos se destacam na atuação Luther King, entretanto, o princípio da não-violência foi um diferencial, princípio esse que ele praticou consistentemente e imprimiu num povo todo quando não faltavam os dispostos a outro tipo de atitude.

Porém, Luther King tinha algo mais que faltava a Ghandi. Fiel à sua fé, Luther King revelou, na sua autobiografia, a luz maior do movimento dele: “Desde o começo uma filosofia básica guiava o movimento... o amor Cristão”.

E assim descreveu seus parâmetros que o nortearam: “Cristo proveu o espírito e a motivação, enquanto Ghandi forneceu o método”. E também ponderou sobre o recurso que foi fundamental: “Sou grato a Deus porque, através das Igrejas dos Negros, o caminho da não-violência se tornou parte integrante do movimento”.

Além de líder, Luther King foi um profeta cujas expressões ainda incomodam, a exemplo desta: “Nossa geração terá que se arrepender não somente por causa das palavras e ações odiosas das pessoas más, mas também pelo chocante silêncio das pessoas boas”.