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BragançaPaulista24 Fev 2018


Colunistas


Estacionamento difícil
Sábado,  03 FEV 2018
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 Bragança, por ter topografia acidentada e ser uma cidade antiga, tem grave problema: ESTACIONAMENTO. Isso prejudica o comércio, prestação de serviços etc. Com mais de 100 mil veículos registrados no município, é quase impossível estacionar.

Prejuízo e desconforto para todos.

2 – Causas da dificuldade

Além do problema do espaço insuficiente, tem ainda, para agravar, a questão cultural, além de alguns erros administrativos.

É comum:

1 – pessoas usarem veículos para pequenas distâncias, que poderiam ser percorridas a pé;

2 – utilização de vários veículos pela mesma família;

3 – comerciantes e prestadores de serviços que durante todo dia estacionam em frente seus próprios estabelecimentos;

4 – ocupação indevida de vagas (reservas inadequadas, descumprimento de vagas de idosos e deficientes etc.);

5 – falta de rotatividade, já que não se fiscaliza adequadamente as zonas azuis;

6 – mentalidade de não usar estacionamentos pagos (que existem, embora em pequenas quantidades);

É um problema crônico que se agrava.

3 – Exemplo de problemas

Na Rua Tupi – entre o posto de gasolina e bar Trianon (lado direito sentido Centro – Taboão), cerca de 20 vagas de estacionamento na rua, estavam, no começo da semana, ocupadas por ônibus que ficam parados no local.

Comércio e prestação de serviços da região estão sendo prejudicados. É um exemplo de erro administrativo.

4 – Terra no Tanque do Moinho

Uma filmagem da terra vindo de um loteamento, passando pelo CRB (Clube de Regatas Bandeirantes) e caindo como um rio de lama no Tanque do Moinho (publiquei na minha pagina no facebook) alcançou 23.900 visualizações, tão impressionante que é. Outras filmagens que anteriormente mostrei, tiveram muitas visualizações e mostram ilhas de terra dentro do lago. O BJD publicou matéria de primeira página sobre a questão.

5 – Verba para Carnaval

Continuo opinando contra subvenção (dinheiro público) destinada às escolas de samba do município (330 mil reais).

Sempre votei contra tais gastos, e entendo que o Carnaval de rua deve se autosustentar. Embora reconheça o trabalho dos carnavalescos, não se deve pagar valor alto por duas apresentações anuais, ainda mais grave nessa crise econômica.

Que se promova o “Carnapraça” e os desfiles, mas sem destinar subvenções. Deve haver investimentos em todas as áreas (saúde, educação, habitação, trânsito, meio ambiente etc.) e também em Cultura (não só como na erudita como na popular). O município deve ajudar... mas não exagerar na ajuda.

6 – Festa do Peão

Mas se criticamos o Carnaval, que dá despesas, mas proporciona lazer e rendas indiretas à cidade, temos que reconhecer que a Festa do Peão, nos moldes em que é realizada há muitos anos, é muito mais prejudicial à economia do município.

Por ser um sucesso em termos de atrações (lazer), a festa vende cerca de 200 mil ingressos. Estima-se que metade seja de Bragança. Acontece que tudo que é comercializado no recinto é de barracas que pagaram ao organizador (e são na maioria de outras cidades).

Há contratos de exclusividade nas marcas de cerveja e os produtos (cervejas, refrigerantes etc.) não podem ser adquiridos livremente pelos barraqueiros, que são obrigados a comprar da empresa organizadora. E eles não compram aqui os produtos que repassam aos barraqueiros. Enfim, durante a festa “sai muito mais dinheiro do que entra” em nossa cidade. A maioria do comércio (bares, restaurantes etc.) tem queda enorme nas vendas. Aumenta a inadimplência.

Poucos ganham: organizadores, alguns comerciantes específicos e ...?.A economia da cidade perde. E não muda o modelo. Por quê?

7 – Árvores

Com as tempestades, têm caído várias árvores na cidade. Muita gente pede o corte de árvores por receio de quedas. Exemplo: Praça Central, Rua Francisco Luigi Picarelli, nº 87 etc. O correto é que nos casos de comunicação, haja por parte da Defesa Civil e Secretaria do Meio Ambiente uma rápida verificação técnica das condições da árvore, e só no caso de comprovado risco, a imediata providência para sua remoção.

8 – Reclamação

Estrada Geraldo Alves da Silva, localizada no Bairro Boa Vista, tem problemas nas chuvas. Tubulação entope, há grande quantidade de água escorrendo e com isso há danos no asfalto.

9 – Correios

Continuam reclamações contra Correios. Além de atraso de entregas, há ruas que não tem os seus serviços. A Rua Benedicto dos Santos, no Bairro Planejada II, é uma delas.

10 – Dica de livro

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é reconhecido como um dos melhores da atualidade. Dos seus vários livros (li quase todos), os melhores são: “Tia Julia e o Escrevinhador” (engraçadíssimo) e “A Festa do Bode”, que conta história do general Rafael Leônidas Trujillo Molina - o Bode - e a implacável ditadura que implantou no país (República Dominicana) durante seus 31 anos de governo.

Esse livro, além de muito impressionante no aspecto histórico, mostra como funciona um regime sanguinário (a corrupção, a tortura, a censura da imprensa, os bajuladores, as perseguições e o oportunismo).

É um livro imperdível... principalmente para quem gosta de política.

11–Folclore

Na advocacia criminal a gente vê coisas bem estranhas e reações mais inusitadas ainda. No começo dos anos 80, fui nomeado para um júri de um réu que havia matado a companheira por causa de uma traição.

Na época, ainda se aceitava a tese “legitima defesa da honra”, hoje totalmente superada e inaceitável depois da luta das mulheres.

No plenário, durante minha defesa, falei muito sobre a formação simples do réu, e sobre o fato dele ficar transtornado e estigmatizado perante seus amigos e o povo que convivia com ele (todos simples) como um “corno”, um “chifrudo”.

O nome dele era Mário, e eu disse:

- Já estavam chamando ele de “Cornário”, “Chifrário”.

Ao final do júri, ele que havia sido denunciado por homicídio qualificado, teve sua pena bem reduzida, sendo condenado por homicídio privilegiado (4anos).

Eu, superfeliz com o resultado, achei que ele também estaria, mas logo após o júri me disse bravo:

- Não gostei das coisas que o Sr. disse... “Cornário”... “Chifrário”. Tive vontade de pular no seu pescoço doutor.

Daí eu percebi que realmente o meu discurso era totalmente real... sem exageros.