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BragançaPaulista21 Fev 2018


Colunistas


Tempo passado e futuro
Sábado,  27 JAN 2018
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 Em 25 de janeiro completaram-se 51 anos do dia que cheguei em Bragança Paulista. Eu era um garoto procedente de uma roça a 20 km da Praça da Sé, em São Paulo. Ainda não tinha 12 anos de idade. Bragança já contava com 204 anos da sua fundação. A zona urbana terminava diante do Preventório na Av. Pires Pimentel. Esta não era asfaltada.

Não existiam o Jardim Nova Bragança, Altos de Bragança, Jardim do Lago, Europa. Ainda não se falava em condomínio fechado. Vila Aparecida e Cruzeiro eram conhecidos como bairros periféricos. Nada havia além deles. Não havia a Universidade. O campo de aviação, como se dizia na época, e o estádio do Bragantino já existiam, mas ficavam fora da cidade.

Cheguei para estudar no Seminário Santo Agostinho. Tinha naquela época quase 100 alunos. Como registrado acima, estava fora da cidade. Ainda estava por ser construída a ala em que durante muito tempo funcionou a Capela, hoje “Agiliza” da Prefeitura. Tinha tudo lá: horta, piscina, campos de futebol e outros esportes, granja, vacas leiteiras, trilhas. O prédio estava dentro da fazenda dos padres.

O dormitório com 50 camas era primoroso. As cabeceiras eram de formica marron, os criados-mudos de formica branca. Todos os cobres leitos iguais. Em cada extremidade do grande salão armários individuais. Também muito harmoniosos eram a capela, as salas de aula, o teatro, o refeitório e a cozinha. A vida era intensa: aulas, estudos, orações, trabalho, refeições e recreação. Mais ou menos nessa ordem. Duro mesmo eram os chuveiros sem água quente. Naquela época parece que fazia mais frio por aqui. Ainda não se falava de sensação térmica. Era frio mesmo e o banho, gelado.

O ano de 1967 foi o último do Colégio São Luiz sob a administração dos padres agostinianos. Os seminaristas faziam uma pequena caminhada, passando junto ao campo do Bragantino e pelo interior do Jardim Público. O prédio, hoje numa reforma infindável, já era antigo. As tábuas do piso rangiam sob as passadas dos alunos.

Estudavam ali seminaristas, alunos externos e internos. Estes procediam de diversas cidades de São Paulo e de outros estados. Naquele tempo, os bons alunos iam para escolas públicas estaduais. Estudavam em escolas particulares jovens que não tinham acesso a essa educação em sua cidade ou adolescentes rebeldes cujos pais não conseguiam cuidar.

Sob a gestão dos agostinianos, o São Luiz era um colégio bem equipado de professores, a maioria padres formados na Europa. Tinha algum pioneirismo na utilização de recursos audiovisuais, cinema, boa biblioteca, teatro e fanfarra. Esta marcou época na região na década de 50. A disciplina era rigorosa, os professores exigentes. No entanto, muito próximos dos alunos. Orientavam durante todo o tempo.

É interessante nossa relação com o tempo. Desde então, estive fora de Bragança apenas 10 anos. A cidade parece que sempre foi assim. Mas ela cresceu durante todo esse tempo. Surgiram novos bairros, a população cresceu paulatinamente, aconteceram inovações. Quando a gente olha para trás percebe que tudo foi rápido demais.

Quando olhamos para o futuro parece ser que temos todo o tempo do mundo, que as coisas vão demorar em acontecer. Importa é viver intensamente cada momento. Fazer hoje o que é possível. Não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Há 50 anos, por exemplo, Jundiaí e Guarulhos tinham o mesmo porte de Bragança. Hoje são bem maiores.

Extrema, Atibaia e Itatiba, bem menores naquela época, crescem hoje de forma bem acelerada. É possível tornar Bragança ainda maior e melhor. Todos temos alguma contribuição a dar para esse processo.