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BragançaPaulista21 Fev 2018


Colunistas


Descansado e satisfeito
Sábado,  06 JAN 2018
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 Já começou o reencontro de colegas, amigos e parentes depois das festas e das férias de final de ano. Uma pergunta é muito comum, aparece com grande frequência: “onde você passou as festas, para onde você viajou nas férias”. Nisso está embutida a necessidade de responder que esteve numa ceia espetacular, que viajou para lugares sofisticados.

Esse período de final de ano não é festivo para todo mundo. Muitos sentem uma solidão acentuada, outros sentem falta de pessoas queridas que estão longe ou que se afastaram, não poucos vivem uma certa ansiedade no contexto de dias muito parados, sem aquela rotina a que se está mais habituado.

Numa mesma viagem, num mesmo grupo, num mesmo carro, podem se encontrar pessoas muitos animadas, que curtem intensamente a fuga do dia a dia e, ali mesmo, pessoas aborrecidas, que só viajaram porque não souberam ou não puderam dizer não. Num mesmo grupo de viajantes podem encontrar-se pessoas que queriam ficar em casa, pessoas que não queriam ir para a praia porque não suportam o calor, pessoas que não queriam subir a serra porque não gostam de pouca agitação.

Estando no destino de alguns dias de férias, nem todos curtem o lazer da mesma forma. Aqueles que são responsáveis pela arrumação da casa, ou pela preparação das refeições ou pelo pagamento das despesas, não se sentem de todo aliviados. Pelo contrário, às vezes, têm mais preocupações e menos conforto do que se estivessem em casa.

Com frequência, ainda precisam suportar mau humor típico de alguns viajantes, que tudo pedem ou de tudo reclamam. Dolorosas insolações são companheiras assíduas em viagens para o litoral. Pouco confortável é perceber o avanço sobre o limite do cheque especial ou a intensa utilização do cartão de crédito. Pesada fatura logo chegará.

Grande parte dos que ficam em casa, porque não quiseram ou não puderam viajar, também vivem dias estranhos, monótonos e desconfortáveis. Imaginam que aqueles que viajaram desfrutam de todas as delícias, curtem muitas novidades e vivem dias de regozijo. Ainda mais difícil são os dias de pai e mãe sem recursos para uma ceia ou para passeios, ainda que pequenos.

Profissionais autônomos, pessoas que procuram emprego ou necessitam fazer vendas anseiam fortemente pelo retorno da normalidade, o que só ocorre na primeira ou segunda semana de janeiro, já sob a ameaça do carnaval que neste ano virá precocemente. Também difíceis são os dias de pessoas que dependem de dias úteis para que prazos corram para decisões importantes e ações que já não podem esperar.

Portanto, “onde” foi a sua ceia ou férias não é a pergunta mais importante. É necessário saber se o parente, colega ou amigo está bem descansado e muito satisfeito com os dias de folga e festas. Pessoas que trabalham muito com a cabeça descansam melhor com pequenas atividades ao ar livre; pessoas que dormem, pouco descansam melhor na própria casa e em seu próprio quarto; pessoas que vivem na agitação de grandes centros urbanos descansam melhor no interior ou no litoral, longe da fumaça cotidiana e do barulho contínuo. Alguns curtem muito uma boa leitura, outros se deliciam com filmes, muitos gostam de reencontrar-se ruidosamente com parentes e amigos, outros preferem o silencio e o recolhimento.

Descansar bem é uma arte. Sentir-se satisfeito depende de autoconhecimento, de escolher as coisas certas, de viver o prazer, inclusive das pequenas coisas, e a alegria. É bom perguntar: “como você está?”. A resposta é quase desnecessária. Quem descansa tem boa aparência, não revela preocupação no semblante. Quem está satisfeito ter ar de contente, anda com sorriso nos lábios.