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BragançaPaulista21 Fev 2018


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Já é Natal
Sábado,  16 DEZ 2017
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 No século passado, década de 70, eu viajava com frequência partindo da antiga rodoviária de São Paulo. Ficava próxima da estação ferroviária da Luz. Seu telhado era todo colorido, não sei se era vidro ou acrílico. No andar superior ficavam os guichês de passagem, algumas boas lanchonetes e muitas lojinhas.

Os ônibus ficavam enfileirados no térreo. Na lateral, entre um ônibus e outro, havia um espaço estreito para o despacho das malas e o embarque. Os olhos ardiam e lacrimejavam com a fumaça dos motores.

Creio que por esses motivos, os alto-falantes, toda vez que anunciavam as próximas partidas, repetiam: “os ônibus não partem antes da hora marcada. Só desçam para a plataforma quando ouvir o anúncio da sua partida”. Sempre que estou ansioso ou vejo pessoas afobadas, uso esse bordão: “Os ônibus não partem antes da hora marcada”.

Há alguns anos, a movimentação para o Natal começava já em novembro. A estas alturas, residências, espaços comerciais e locais públicos já estavam enfeitados, despertando as emoções de adultos e crianças para as festas que se aproximavam. Agora não se vê essa ebulição nem em município governado por Jesus.

Em mandatos anteriores do prefeito Jesus Chedid, no início de dezembro a cidade já se encontrava enfeitada e iluminada. Não se via a timidez de agora. Estará faltando ânimo à população ou a crise ainda continua aguda?

Pessoalmente, sou daqueles que se entusiasma apenas na véspera e, muitas vezes, somente quando chega o dia e a hora. Algumas vezes, por exemplo, procurei ovos de páscoa quando os mesmos já tinham acabado no comércio. Penso que os grandes acontecimentos não chegam antes do dia e hora marcada.

Vejo então um outro lado para a aparente apatia que estamos observando em 2017. Pode estar acontecendo de muita gente dar menos atenção às aparências, aos enfeites e às luzes artificiais, para se recolher e preparar em profundidade a acolhida ao Menino Deus que se encarna para revelar o amor divino e a todos oferecer a salvação.

Esse é o sentido do Advento na Liturgia Católica. Os 4 domingos que antecedem ao Natal não é um tempo festivo, ruidoso e agitado. Pelo contrário, é um tempo de recolhimento, penitência e preparação de mente e coração para um dos grandes mistérios da revelação bíblica. Com propriedade, o bispo diocesano de Bragança Paulista, Dom Sérgio, em artigos semanais neste BJD, vem anunciando a Palavra Bíblica que ilumina o Advento e nos prepara para a grande festa da Cristandade.

O pastor Jesse Campos, em sua coluna Pense Nisto, também neste jornal, no último sábado, levou-nos à dura realidade do nascimento de Jesus em Belém. A cidade estava movimentada por causa da obrigatoriedade de um censo ordenado pelo imperador romano. Não havia lugar disponível para hospedagem. Por isso, o parto de Maria ocorreu num estábulo. E o Menino Salvador teve como berço um cocho.

A grandeza do acontecimento foi então revelada por um Anjo que fez pastores daquela localidade irem ao encontro do Menino Deus envolto em algumas poucas faixas de pano. “Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens (Lucas 2:9-14).

O verdadeiro Natal já é realidade em nossas vidas há mais de 20 séculos. Depende mais da abertura do coração à Revelação Divina do que de enfeites, presentes e festejos. Tudo pode esperar, menos a acolhida ao Filho de Deus que nos foi enviado pelo Pai para que pudéssemos compreender o verdadeiro sentido da vida.