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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Quando vejo já buzinei
Sábado,  02 DEZ 2017
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 Algumas pessoas, andando de carro comigo, já me aconselharam a não fazer isso. Mas é instantâneo e espontâneo. Antes buzino, só em seguida percebo que fiz isso.

É um reflexo semelhante ao de um motorista que freia ou acelera para evitar um acidente, semelhante ao movimento brusco para fugir de um buraco que pode furar pneu, entortar a roda ou comprometer a suspensão. Assim que algum motorista ou passageiro joga lixo pela janela de seu automóvel, eu buzino. Quando vejo já buzinei.

Infelizmente, ando buzinando muito, visto que muita gente tem o hábito de jogar lixo pela janela do carro: lata de bebida, papel de bala, guardanapo de lanche, copo descartável, entre outros. O pior de todos, ainda muito comum, é a bituca de cigarro.

Em contato com o oxigênio do ar, auxiliado pela velocidade do veículo, vira uma brasa. Se trombar com um olho é grande o risco de perder a visão. Se cair no colo de alguém, pode ferir e provocar acidente grave. Quase sempre, principalmente em períodos de seca, causa incêndios, alguns de grandes proporções.

Depois de buzinar, observo o tipo de veículo, a cidade na placa e a fisionomia dos passageiros. É um mau costume generalizado. O lixo pode ser jogado de carros populares, caminhões ou SUV de última geração. As pessoas que jogam lixo na rua são crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos.

Vivemos uma época de grande descarte. Um pequeno lanche nos é servido em belas caixas e em grandes sacolas. Os refrigerantes são servidos em latas ou garrafas de plástico. Quando tomamos um lanche, a mesa fica cheia de guardanapos, restos de comida, habitualmente depositados em bandejas que logo servirão outras pessoas.

Em poucos minutos, circulando por ruas e avenidas, recebemos grande número de folhetos. Tudo precisa ser descartado. O difícil é encontrar tempo para fazê-lo de forma adequada, se possível, encaminhando para a reciclagem.

Hoje, um dos principais termômetros da economia é a produção de embalagens. Quando há declínio de renda e de consumo, imediatamente cai a produção de embalagens. No sentido inverso, qualquer retomada logo é percebida a partir dos números dos fabricantes de caixa de papelão, plástico, garrafas, copos e sacolas, assim como das gráficas que imprimem o atraente colorido de tudo isso.

Na capital paulista, há anos ocorre um debate a respeito das sacolas descartáveis oferecidas pelos supermercados. Uma lei determinou o fim das mesmas, fazendo com que os consumidores levassem as próprias sacolas duráveis.

Depois, as descartáveis voltaram, mas deviam ser pagas pelo consumidor no ato da compra. Parece ser que mais recentemente estão mais liberadas, para o conforto dos consumidores e prejuízo do meio ambiente. Não é fácil reduzir a quantidade de descartáveis. E custam caro. R$ 1, 10, 50 por Kg, dependendo do preço da carne, pão ou fruta que compramos no supermercado. Há poucos dias ia atrás de um luxuoso automóvel preto.

O mesmo parou ao lado de uma lixeira e a passageira jogou uma sacola de supermercado pela janela. Caiu no chão. O motorista parou, sinalizou gentilmente para que eu passasse, deu ré, uma senhora desceu, apanhou a sacola, depositando-a na lixeira. Belo exemplo. Parabéns. Coisa bonita de se ver.