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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Chacota, zombaria ou bullying
Sábado,  28 OUT 2017
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 Em grupos que se reúnem frequentemente é comum a chacota. Isso ocorre no joguinho de futebol, no passeio em grupo para um sorvete, no ambiente de trabalho ou na escola. Qual é a diferença entre uma simples, inocente e divertida chacota e o tão falado e terrível “bullying”?

Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. (http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/bullying.htm).

Não é necessário chegar a situações gravíssimas de tiros e mortes para que tal fenômeno seja caracterizado. O Bullying está presente no dia-a-dia de muita gente, seja esta agressora ou agredida. Uma simples chacota, quando não correspondida por aquele que recebe a zombaria, pode ser uma atitude agressiva, verbal ou física, intencional e repetitiva. O zombador de alguma forma depende de plateia que acha graça, ri e estimula o escárnio. Aquele que é zombado, portanto, fica sozinho, recebe a pressão do grupo, pode sentir-se humilhado.

Brincar sempre é bom, mas sempre corremos o risco de machucar, causar constrangimento, intensificar complexo de inferioridade. Convém sempre analisar como receberíamos semelhante chacota. Estando em grupo, é adequado brincar sempre com todos ou pelo menos com a maioria das pessoas presentes.

O risco aumenta quando concentramos todas as provocações sobre uma mesma pessoa. Também aumenta em ambientes de muita proximidade entre colegas e de informalidade, como na escola, trabalho, bar, clube, chácara, igreja, etc.

Antes das atuais mídias sociais, estávamos de alguma forma protegidos quando entrávamos em casa ou quando nos recolhíamos ao nosso quarto para dormir. Hoje os comentários desastrosos, a zombaria e o sofrimento podem invadir as noites, por meio de fotos, comentários e vídeos, causando terrível dor naquele que está fisicamente isolado, mas virtualmente atingido. Parece inocente, mas o comentário sobre a barriga que sobra por sobre a calça ou saia pode constranger, a foto de alguém que dorme numa reunião pode envergonhar, o vídeo de alguém queanda desajeitado pode embaraçar.

O bullying propriamente dito é algo mais grave, mas está muito próximo dessas brincadeiras todas. Não há um muro que separe a chacota do bullying, é possível passar de um a outro sem que o agressor perceba. O agredido sempre percebe. E sofre. Na hora e muito tempo depois esse sofrimento continua atuando.

O mais comum é que cause dor interior, escondida, inibidora. Quem sofre calado tende ao isolamento. Muitas crianças e adolescentes deixam de ser alegres, criativas e participativas por causa de episódios de bullying que não foram observados por elas próprias na ocasião em que ocorreram, menos ainda por professores e pais. Ainda sem serem identificadas, essas consequências perduram ao longo da vida adulta, com reflexos negativos na vida amorosa e profissional.

A vigilância em relação às brincadeiras e provocações que gostamos de fazer com pessoas ao nosso redor é importante se não queremos causar danos na vida de outrem. Pais e mestres precisam estar sempre atentos para que seus educandos não causem nem sofram bullying, em qualquer uma de suas formas, inclusive aquelas que parecem inocentes e inofensivas.

A vida atual é geradora de intensa violência, tanto sutis quanto grosseiras. É muito comum hoje o sofrimento emocional, intenso e profundo, nem sempre percebido por aqueles que estão próximos como educadores, pais, irmãos e outros parentes.