BJD
31 máx 19 min
BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Implicância ou cisma
Sábado,  21 OUT 2017
Tamanho dos caracteres

 Hoje é mais comum encontrar uma televisão ligada em salas de espera. Mas ainda encontramos revistas. O que ocorre com frequência é que estas são antigas. Dão conta de fatos ocorridos há 2, 3 ou mais anos.

Às vezes é interessante relembrar fatos muito esperados que já passaram e hoje fazem parte do parte. Tais revistas costumam estar muito surradas, com folhas cheias de orelhas, quando não se encontram rasgadas. Algumas não circulam em bancas de jornais, são próprias de alguma categoria profissional ou apenas propagam alguns produtos. Não tem nenhuma graça.

Quando a gente vai à procura de um atendimento ou serviço, principalmente quando se vai pela primeira vez, tudo isso contribui para a percepção do profissional que encontraremos logo mais. Revistas antigas podem sugerir profissional antiquado, folhetos rasgados, desleixado.

Há alguns dias participei de uma conversa sobre uma delicada cirurgia de olhos. Foi-me apresentado um folder de um renomado cirurgião paulistano. Era um folheto meio esquisito. Não continha erros, mas o texto não fluía. Insistia em orientações que mais atendiam às conveniências da clínica do que nas necessidades próprias de um paciente diante da necessidade de uma intervenção cirúrgica. O conjunto era um tanto opaco.

Embora as letras informassem que se tratava de médico famoso, sugeri ao paciente, que já estava um pouco inseguro, a procurar uma segunda opinião médica. Um simples folheto pode ter causado a perda de um cliente para o profissional ou pode ter diminuído a confiança de um paciente receoso.

De outro lado, num mundo de muita propaganda colorida e atraente, de criativo e diversificado marketing, de comunicação instantânea por diversos meios sonoros, visuais, sensoriais e auditivos, é adequado prestar bem a atenção quando procuramos algum serviço ou aquisição de algum produto. Lembro-me de que há alguns anos pesquisei um hotel numa cidade que não conhecia.

Depois de algum tempo de pesquisa, escolhi um que me parecia bem localizado, novo, bonito, barato e aconchegante. Chegando lá percebi que as informações eram daquele local, mas logo constatei que as imagens e as informações disponibilizadas na internet eram melhores e mais atraentes do que a realidade.

Ainda existem profissionais e empresas que pouco cuidam da sua imagem. Esta sempre foi decisiva para a percepção e a tomada de decisão de clientes. Atualmente, com a enorme quantidade de recursos de comunicação disponíveis, o cuidado da imagem é ainda mais importante. Tênues detalhes podem fazer diferença na captação e manutenção de novos clientes.

A comunicação, no entanto, precisa ser real. Todo o capricho e toda a atenção são necessários para um layout adequado, confortável e atraente. Mas tudo isso precisa ser verdadeiro. É difícil recuperar a confiança de um cliente que se sente enganado. Quando este é implicante ou cismado, é ainda mais difícil uma recuperação.

O mesmo vale para a apresentação pessoal. Em casa, na chácara ou num clube, podemos ficar bem à vontade. Quando vamos para uma entrevista de emprego ou quando estamos no exercício da própria profissão ou participamos de algum evento social ou religioso, é sempre bom nos adequarmos aos requisitos de tais acontecimentos, sob pena de prejudicarmos nossa própria imagem e reputação.