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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Prazo prometido
Sábado,  07 OUT 2017
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 O jornalista José Paulo de Andrade com frequência utiliza o seguinte bordão: “Empresa séria não discute, cumpre o que promete”.

Há alguns meses, fazendo uma compra de medicamento numa rede de farmácias, com valor relativamente alto, encontrando dificuldade na passagem do cartão de débito e de crédito, fui surpreendido pelo gerente: “Leve o remédio, depois você passa aqui e faz o pagamento”. Acho que era a primeira vez que ia nessa loja, fiquei freguês, já indiquei para outras pessoas.

Nestes dias, estou entrando em contato com várias empresas, para obter alguns documentos rotineiros. Nada especial. Podem ser feitos em cinco minutos. Achava que seria fácil, está se transformando numa via-crucis. Fui a uma tradicional empresa bragantina.

Disseram-me que demoraria pelo menos um mês, visto que o encarregado saíra de férias naquele mesmo dia. Não há ninguém que o substitua nesse período. Fui com a mesma solicitação a uma outra empresa similar. O atendente disse-me que demoraria 15 dias. Ligou-me no dia seguinte para dizer que estava pronto. Surpreendeu-me positivamente.

Solicitei um documento importante numa terceira empresa. Pediram-me um mês de prazo. Deram-me motivos que avaliei razoáveis. Cumpriram o prazo. Ao ler o documento, ainda no balcão, constatei um erro gravíssimo.

O documento ficou lá para ser refeito. Agora não tenho mais prazo: “quando ficar pronto, ligaremos”. Mais grave ainda é uma empresa que prometeu para 30 dias. Liguei alguns dias depois do prazo, só para conferir. Soube então que não foi realizado, nem tem prazo para ser feito.

Ocorre que essa mesma empresa tem procedimentos bem estabelecidos, precisa programar a entrada, obter as aprovações necessárias, antes de finalizar. Não há como acelerar, visto que cada departamento não pode ser cobrado enquanto não finalizar o prazo que lhe é reservado para a sua ação específica.

Ainda nestes dias, numa renomada instituição de saúde, fui agendar dois exames. Um podia ser feito na mesma hora. Outro, só poderia ser marcado para 40 dias depois. Para a atendente isso parecia ser normal, visto que é comum, uma resposta que ela dá dezenas de vezes ao dia. Para o paciente, principalmente quando se trata de dor aguda ou suspeita preocupante, é mais do que assustador, pode ser desesperador.

Sei que ocorrências como essas são comuns na vida de muita gente. É fato que muitos de nós somos ansiosos. Queremos tudo para ontem. É comum deixarmos tudo para a última hora, querendo a partir de então que nos prestem o serviço prontamente. É bom procurarmos atendimento enquanto há tempo suficiente para a realização do mesmo, seguindo o processo natural, garantindo a sequencia das etapas necessárias.

De outro lado, espera-se que a pessoa, empresa ou instituição que recebem demandas de consumidores ou associados estejam atentas à necessidade do cliente. Este é o foco principal, a partir do qual devem ser organizados os processos, suas etapas e, principalmente, sua conclusão. Os controles e prazos internos são necessários, mas não podem atrasar a satisfação daquele que necessita do serviço ou produto.

Os prazos são inerentes a qualquer prestação de serviços ou entrega de produtos. Precisam ser bem calculados. A exemplo do preço que costuma ser discutido, os prazos também são objetos de negociação. Uma vez prometidos, acertados e aceitos, só resta uma alternativa: cumpri-los.

Empresa séria é rigorosa neste quesito, gasta energia na eficiência e eficácia, não em desculpas que nunca convencem, principalmente aos mais afoitos ou àqueles que dependem muito do cumprimento do prazo prometido.

A vida pessoal e familiar também é recheada de prazos a serem cumpridos. É adequado cumpri-los na mesma intensidade de nossas expectativas em relação aos que nos rodeiam. “Quando, nas diversas relações humanas, existe a reciprocidade nos sentimentos, valores e intenções, não há lugar para as cobranças” (Graça Leal).