BJD
33 máx 20 min
BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


José Carlos Chiarion – Um Pouco da Minha História
Quarta-Feira,  13 SET 2017
Tamanho dos caracteres

 * por Basilio Zecchini Filho

Meu avô, José Carlos Chiarion, dedicou muito de sua vida à cidade de Bragança Paulista, e com seus textos ajudou a registrar muitos fatos e histórias de nossa cidade e de nossa população.

Depois de tantos anos registrando neste espaço a história da cidade e de cidadãos bragantinos, com o falecimento de seu autor, a coluna “Um Pouco da Nossa História” se despede do Bragança Jornal Diário e dos seus leitores.

No ano de 2012, por ocasião da publicação do livro “A Ases somos nós”, em comemoração aos 20 anos da Associação de Escritores de Bragança Paulista, meu avô fez um registro contando um pouco da sua própria vida.

Desta forma, encerramos a coluna “Um Pouco da Nossa História” com a autobiografia do saudoso autor, como uma forma de homenagear esta pessoa que por tantos anos registrou tanto sobre Bragança Paulista.

Muito obrigado a todos pelo carinho e apoio.

Vô, descanse em paz, muito obrigado por tudo!

José Carlos Chiarion – Um Pouco da Minha História

Nasci em Bragança Paulista no dia 4 de março de 1931, com a assistência da parteira dona Joanna Dal Santo, mais conhecida por dona Joaninha parteira, que residiu até seu falecimento na Rua das Pedras, atual Rua Conselheiro Rodrigues Alves. Sou o primogênito do casal Valentim Antonio Chiarion e Nair Cardoso Chiarion e também o primeiro neto de meus avós maternos Marciano de Oliveira Cardoso e Josefina Zuccolo.

Aos cinco anos de idade ingressei no Jardim da Infância do Colégio Sagrado Coração de Jesus onde, com a ajuda maternal da Madre Maria, aprendi as primeiras letras, a assinar meu nome e depois a ler a primeira cartilha. Naquele tempo foram meus colegas, entre outros, o Ângelo Botta, o Antonio Matta e os irmãos Francisco e João Batista Zecchin.

Quando tinha sete anos, meus pais me colocaram no “Grupo Escolar Dr. Jorge Tibiriçá” e como já era alfabetizado, fui matriculado no 2º ano primário, cuja professora era a dona Placidia Rosa, com a qual aprendi o suficiente para saber como me comportar no futuro. Fiz o 3º ano escolar com a professora Diva Toledo Leme e no 4º ano foi minha professora dona Maria Eugenia, quando então recebi o diploma de conclusão do curso primário. Durante os anos em que estudei ali, tive aulas de trabalhos manuais com dona Aglae Ohl Sader, cuja residência ficava onde hoje é o Hotel Bragança.

Após a conclusão do curso primário, fui admitido para trabalhar na “Casa dos 2 Mil Réis”, que com a mudança da moeda passou a chamar-se “Casa dos 2 Cruzeiros”, de propriedade do sr. Benedito Barros Camargo, situada na Rua Coronel João Leme, defronte a hoje extinta “Farmácia Silva Leme”.

Ali aprendi as primeiras noções de comércio e travei estreita amizade com proprietário do estabelecimento, com sua esposa dona Celeste do Prado Sarti e com seu filho Carlos, que mais tarde entrou para a Academia Militar.

Dali, onde permaneci por algum tempo, fui trabalhar como ajudante na “Farmácia São Vicente”, que se localizava na Praça Raul Leme, em cujo local, quando atingi a idade de 14 anos, fui registrado como auxiliar de farmácia.

Foi então que ingressei na Escola de Comércio Rio Branco, cujo diretor era o Professor João Carrozzo; onde me diplomei nos Curso Básico e Técnico em Contabilidade.

Quando estava no 3º ano básico, fui convidado por meu tio Othelo Chiarioni Sgreva para trabalhar em seu Escritório de Contabilidade. Como eu já tinha alguma prática de escrituração, aceitei o convite e lá fui trabalhar, sendo que o escritório se situava no último andar do então recém-construído “Cine Bragança”

Depois de algum tempo, o Othelo fundou a “Auto Escola São Cristovão” e mudou-se para outro local. Eu aluguei uma sala no 1º andar daquele mesmo prédio onde comecei a trabalhar como guarda-livros, amealhando um grande número de fregueses, bem como passei a fazer a escrituração e administrar vários loteamentos que estavam surgindo na cidade na época.

Desde o início da década de 1950 colaborei assiduamente na imprensa local e fui responsável pela seção de assuntos ligados ao Legislativo municipal do “Bragança Jornal” até quando passei a ocupar o cargo de vereador.

Tendo ingressado na política por interferência de Ismael de Aguiar Leme, exerci o cargo de 1º Secretário da Câmara Municipal de Bragança Paulista, onde procurei dar o máximo de meus esforços em prol da nossa coletividade, ocupando o cargo de vereador nas legislaturas de 1956 a 1959 e 1960 a 1963.

Formei-me em Contabilidade em 1956 e na Festa de Formatura conheci a Adair, filha do jornalista José de Oliveira e irmã de Omair Fagundes Oliveira, com quem eu mantinha longa amizade. A parte interessante em tudo isso é que eu escrevia para o “Bragança Jornal” desde 1951, era muito chegado ao sr. José de Oliveira, proprietário daquele então bi-semanário, mas não conhecia aquela que seria futuramente a minha a esposa e mãe de meus queridos filhos Maria Inês, Fernanda e Luciano José.

Continuei escrevendo esporadicamente no jornal de meu sogro José de Oliveira, fiz parte do corpo de colunistas do jornal “Cidade de Bragança” e com seu encerramento retornei como colunista ao Bragança Jornal Diário, com a coluna semanal “Um pouco da nossa história”.

A conselho de meu amigo e colega de infância Dr. Nelson Carrozzo, ingressei na Universidade “São Francisco”, no curso de Ciências Contábeis, tendo depois me transferido para o de Curso de Direito, formando-me advogado. Durante esse período participei de vários cursos que vieram me trazer mais conhecimento para o exercício da profissão.

Durante muitos anos prestei minha colaboração a grande número de instituições filantrópicas, culturais e religiosas de nossa cidade e ocupei vários cargos de destaque, entre eles o de Secretário, Tesoureiro e depois o de Presidente da Associação Bragantina de Imprensa.

Com a vinda de Dom José Lafayette Ferreira Alvarez para ocupar o cargo de bispo diocesano desta diocese, o mesmo me escolheu, entre outros, para membro do Conselho de Administração da Diocese de Bragança Paulista.

Além de minhas atividades profissionais, ocupei graciosamente os seguintes cargos: Secretário e Mordomo da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista, Tesoureiro e Presidente do Asilo de Mendicidade “São Vicente de Paula”, Tesoureiro do Centro Social de São José do Pontifício Instituto das Missões (PIME), Tesoureiro do Instituto Social e Educacional de Bragança Paulista (ISE), Tesoureiro das Obras da Catedral de Bragança Paulista, Tesoureiro do Conselho Paroquial da Paróquia de Santa Terezinha, Tesoureiro da Sociedade Sinfônica Amadores da Arte Musical – Casa de Cultura, membro do Conselho Consultivo da Associação Comercial de Bragança Paulista.

Um destes cargos que ocupei, o de Tesoureiro do Asilo de Mendicidade “São Vicente de Paula”, coincidentemente quem me indicou para o mesmo foi o sr. Benedito Barros Camargo, que foi o meu primeiro patrão e tornou-se um grande amigo.

No ano de 1990 fui eleito vice-presidente do Conselho Curador da “Fundação Cásper Libero”, sediada na Capital paulista, representando a Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista. Com a saída do então presidente Jorge da Cunha Lima, ocupei durante certo tempo a presidência do Conselho da referida Fundação, mantenedora da “TV Gazeta” e Faculdades de Comunicação Social e Jornalismo “Cásper Libero”.

Por serviços prestados à coletividade bragantina, a Ordem Soberana dos Cavaleiros do Coelho de Ouro houve por bem em conferir-me o título de Comendador de Graça Magistral, com direito à transmissão hereditária na ordem de primogenitura masculina. Fui ainda, a 15 de setembro de 1993, agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Rosa dos Ventos e sócio do Instituto Internacional de Estudos Atomocráticos, instituição internacional de âmbito cientifico, cultural, filosófico, filantrópico e apolítico.

No ano de 1994 tive a honra de receber o titulo de Irmão Benemérito da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista e no mesmo ano fui homenageado pela Ordem dos Advogados do Brasil por ocasião da comemoração de 20 anos de serviços prestados à Assistência Judiciária mantida por aquela entidade.

Durante muitos anos trabalhei no ramo imobiliário, tendo sido um dos primeiros corretores de imóveis desta cidade inscritos no CRECI, onde recebi a inscrição nº 2.837. Como empresário, além de várias construções na cidade e nos bairros periféricos, juntamente com meu padrinho Virgilio Antonio Di Nizo idealizamos e implantamos o “Jardim Santa Rita de Cássia” nos altos da Vila Aparecida, bem como construímos um grupo de casas de excelente construção no mesmo bairro.

Além disso, eu e meu sócio cedemos à Prefeitura Municipal local um vasto terreno naquele loteamento, onde foram construídos pelo Executivo vários prédios que hoje são ocupados pela Prefeitura, sendo que em um deles funciona a Escola Municipal de Educação Infantil “Profa. Maria Ígnea Morales Garcia”.

Além de exercer a profissão de advogado, por minha paixão pela história e pela escrita fui sócio-fundador da “Academia Bragantina de Letras” e associado da Associação dos Escritores de Bragança Paulista – ASES. Em 17 de março de 2012 lancei o livro Um Pouco da Nossa História, com textos que haviam sido publicados em minhas colunas no jornal Cidade de Bragança.

Eis aqui um pouco de minha vida. O resto certamente um dia será contado por meus filhos, netos e bisnetos.