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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Aprender e trabalhar
Sábado,  09 SET 2017
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 Muitos profissionais e alguns empresários relatam que para o seu crescimento foi decisivo ter começado a trabalhar quando ainda era criança. De fato, há alguns anos mais do que hoje, era comum atuar nas empresas a figura do office-boy.

Ele tinha desde cedo uma vantagem sobre todos os demais trabalhadores. Na medida em que transitava do departamento de compras ao de contabilidade, do RH ao chão de fábrica, da presidência ao almoxarifado, logo tinha uma visão ampla da empresa. Conhecia-a melhor do que alguns diretores, cada um preso aos limites da sua diretoria.

Vi outro dia uma cena que me deixou triste. Entrava num supermercado quando uma menina ajudante de caixa veio com alguma pressa até uma supervisora. Relatou a esta alguma coisa que estava ocorrendo e que estava fora do padrão de conformidade.

A supervisora reagiu com grosseria, em voz alta mesmo diante das pessoas que estavam ali: “Você é gerente ou supervisora?”. A menina engoliu em seco e voltou ao seu lugar. Agora, toda vez que vou lá observo a maneira especial, atenciosa, surpreendente e alegre da menina desempenhar suas funções. Já não me lembro da fisionomia da supervisora. Imagino que dentro de alguns anos a menina será mais do que supervisora e gerente.

Antes das recentes leis que normatizam a atuação de trabalhadores aprendizes, era mais fácil a empresa contar com crianças e adolescentes trabalhando. Na informalidade, muitos menores atuavam inclusive em trabalhos mais pesados sob guarida da própria família. Na legislação atual, aprendiz é o jovem com idade entre 14 e 24 anos, matriculado em curso de aprendizagem profissional e admitido por estabelecimentos de qualquer natureza que possuam empregados regidos pela CLT.

O Estado proíbe o trabalho do menor em serviços noturnos, locais insalubres, perigosos ou prejudiciais à sua moralidade, trabalho em ruas, praças e logradouros públicos, salvo mediante prévia autorização do Juiz de Menores, que verificará se o menor é arrimo de família e se a ocupação não prejudicará sua formação moral.

De outro lado, não é só trabalhar. Além de estar matriculado e de frequentar escola regular de educação básica, o jovem deverá ser orientado na empresa enquanto desempenha suas funções. Aqueles que ainda cursam ensino fundamental não podem ter carga horária superior a 6 horas, aqueles que cursam o ensino médio podem ter jornada de 8 horas diárias. Eles têm direito a vale transporte, férias, 13º e FGTS.

Essas exigências legais tornaram um pouco mais difícil a contratação de menores de idade. No entanto, vale a pena empresas fazerem esse investimento. É uma importante contribuição social para um país como o nosso, que carece de alternativas de educação para o trabalho.

A presença de adolescentes nos ambientes de trabalho tornam estes mais joviais, dinâmicos e divertidos. Os profissionais competentes têm sempre enorme satisfação em transmitir particularidades do seu ofício a novos seguidores.

Para o adolescente e o jovem, essa aprendizagem e prática profissional desde a tenra idade fazem enorme diferença. Logo descobrem o gosto de realizar, assim como a satisfação de aprender coisas que fazem sentido. Outro aprendizado significativo nesse contexto é a de direitos e deveres. Ganham muito as famílias que orientam os filhos para o aprendizado, o trabalho, a realização pessoal e o desenvolvimento profissional.

De outro lado, a ociosidade e as regalias, sem esforço pessoal em suas conquistas, não costumam trazer bons resultados ao longo do tempo. Em muitos casos, trazem consequências negativas em termos de crescimento pessoal e inclusive, bem-estar e felicidade. Trabalhar e aprender sempre fazem bem.