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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Acessibilidade
Sábado,  02 SET 2017
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 Uma reportagem do Jornal Nacional, há alguns meses, chamou-me muito a atenção. Relatava um treinamento feito com um grupo de porteiros de prédios para lidar com pessoas da terceira idade e com pessoas portadoras de alguma deficiência física.

O treinamento consistia em colocar os porteiros na situação da pessoa idosa ou com limitações na locomoção. Metade do grupo fazia o papel de porteiros, a outra metade fazia o papel de pessoas com algum tipo de limitação.

Os porteiros colocaram-se no lugar de pessoas que usam cadeiras de rodas ou andadores, colocaram-se no lugar de pessoas com severa limitação na visão, com dificuldades de audição e com dificuldades de se expressarem oralmente.

Depois, relatavam a experiência e, principalmente, as dificuldades para todos os colegas. Interessante o objetivo desse treinamento: sensibilizar os porteiros para maior prontidão no atendimento de moradores ou visitantes com algum tipo de deficiência.

Quando uma comissão do Ministério da Educação visita uma faculdade para avaliar algum de seus cursos, um dos quesitos mais importantes é o da acessibilidade. Não havendo boas condições de acessibilidade, o curso pode ser reprovado. Como diretor de faculdade, confesso que achava essa avaliação rigorosa um pouco demais. Mais recentemente, ao acompanhar regularmente uma cadeirante, passei a entender a conveniência desse rigor. Algumas situações da vida a gente só passa a entender quando passa por ela.

É certo que a topografia da nossa cidade não ajuda muito, mas, inclusive nas ruas centrais, existem barreiras instransponíveis para quem utiliza cadeira de rodas, andadores, bengalas ou para pessoas idosas com limitações de movimentos.

As calçadas muito estreitas em alguns pontos chegam a ter postes ou floreiras que estrangulam a passagem de tais equipamentos. Resta uma alternativa, muito perigosa - transitar pela rua, disputando espaço com automóveis e motos. Boa parte dos motoristas mantém a velocidade habitual, dá a impressão que aceleram, alguns poucos comovem pela atenção e gentileza.

Ainda falando de calçadas, algumas são tão inclinadas para permitir acesso de automóveis que é necessária muita força para a cadeira não tombar, despejando o cadeirante na sarjeta. Ainda existem lojas, restaurantes e até farmácias, cujos degraus inviabilizam totalmente a entrada de uma pessoa com limitação física. Certa vez fui a um laboratório em São Paulo.

Logo observei que havia uma movimentação estranha entre os funcionários. Veio então a gerente para dizer que não poderiam fazer o exame, pois o equipamento ficava no andar superior, a escada era muito estreita. Foi necessário brigar muito, contar com a vontade de 3 enfermeiros e carregar a paciente degraus acima.

É bom dar uma olhada na calçada de sua casa, no acesso à garagem ou estabelecimento comercial. Não com o olhar de uma pessoa com saúde boa, mas com o olhar do portador de alguma necessidade especial. Excesso de inclinação, degraus e menos de 80 cm de largura tornam-se obstáculos intransponíveis.

O mesmo cuidado é necessário na entrada de lojas, restaurantes, consultórios e escritórios. E, às vezes, dentro do estabelecimento, pois balcões, produtos e outros dispositivos inviabilizam a circulação.

Poucos de nós constroem calçadas ou administram pontos comerciais, mas todos, sem exceção, por educação, podemos ser mais prestativos quando percebemos alguma limitação de movimento em outras pessoas.