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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


“Fair play” pra valer
Sábado,  26 AGO 2017
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 O termo “fair play” é utilizado com alguma frequência no meio esportivo. Embora não interfira no resultado final de qualquer modalidade de jogo, é um termo simpático. Traduz uma atitude generosa de apoio a algum jogador que se machuque ou devolução da bola para o time adversário quando houve paralisação do jogo para o cuidado de algum incidente.

Em caso extremo e raro, a confissão de um jogador ao árbitro, informando-lhe ser ele o causador de uma falta. A imprensa e a torcida que recebe o benefício elogiam, outros jogadores e a torcida do time daquele que pratica o “fair play”, no mínimo, torcem o nariz. Ou se desesperam quando a equipe está perdendo o jogo.

Uma cena pouco comum aconteceu há cerca de um mês em Florianópolis. Um jovem estudante e trabalhador, um tanto apressado, ao estacionar seu carro para almoçar, esbarrou em outro automóvel já estacionado. O jovem motorista ficou desesperado ao ver que o mesmo era um reluzente e valioso Porsche.

Ainda assustado e preocupado, procurou o dono do carro de luxo para comunicar-lhe o ocorrido. Não encontrando, procurou papel e escreveu um bilhete: “Boa tarde. Meu nome é Matheus, acabei colidindo com o seu veículo, tentei achar o senhor e não encontrei, meu número de telefone é xxxx. Espero seu contato”.

Voltando do almoço, o bilhete ainda continuava no parabrisa do Porsche. O jovem foi então para o seu trabalho. Dias depois o dono do Porsche, admitindo que ficou muito surpreso com a atitude de Matheus, ligou: “Foi muito diferente do usual a atitude dele...De cara agradeci, porque no bilhete ele já pediu desculpas, então percebi que ele era diferente.

Fiquei comovido, mexido com aquilo, me sensibilizou bastante. Não foi só a atitude de deixar o bilhete, foi porque embora ele pensasse que o prejuízo ia ser grande, não queria fugir da responsabilidade.

Falei a ele que era tão raro acontecer algo do tipo hoje em dia, principalmente porque era um lugar ermo, não tinha testemunha. Não aconteceu nada demais, ele poderia ir embora, mas resolveu ficar”. O dono do carro resolveu não cobrar o prejuízo. E marcaram um encontro dias depois para um bom bate-papo.

A partir dessa história, procurei o dicionário Michaelis, descobrindo então que “fair play” tem um significado mais amplo e profundo do que o usual:

-Tratamento ou comportamento justo, imparcial; equidade. Exemplo: A comissão julgadora foi admirada pelo seu fair play.

- Comportamento ou atitude que respeita as normas ou regras estabelecidas, seja em um ramo de negócio, seja na vida social, seja no esporte; jogo limpo, comportamento exemplar. Exemplo: O empresário age nos seus negócios com muito fair play.

- Reação ou postura calma, serena e elegante face a uma situação constrangedora, difícil, adversa ou em momentos de crise. Exemplo: A professora foi agredida verbalmente por uma aluna, mas respondeu com muito fair play.

Nosso trânsito, com ruas apertadas, excesso de veículos e pessoas apressadas requer cada vez mais “fair play”. Nosso trabalho, com muitas atribuições, pouco tempo para fazer muito e pessoas estressadas, requer cada vez mais postura calma, serena e elegante.

Nossa escola, cada vez mais diversificada quanto a tecnologias educacionais, conservadorismo pedagógico e comportamento inadequado, requer “fair play”. Este não é um comportamento comum, sempre surpreende, comove e move novas atitudes edificantes.