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BragançaPaulista22 Jan 2018


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Há 72 anos... Bragança cobre de glórias seus heroicos expedicionários - Parte III
Quarta-Feira,  23 AGO 2017
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 Sábado, 11 de agosto de 1945, às 9h30, teve início no Largo do Rosário, atual Praça Princesa Isabel, a Missa Campal com a presença de todos os expedicionários, suas famílias, Tiro de Guerra 464, associações, colégios, estabelecimentos primários e enorme massa popular.

Na escadaria principal da Igreja do Rosário, mãos piedosas e hábeis armaram um altar caprichosamente enfeitado com flores naturais, encimado pela Bandeira brasileira,

Sobre um globo, onde se via de um lado a América do Norte e de outro lado o Brasil, foi colocada a imagem de Nossa Senhora Aparecida, escolhida como Rainha de nossa pátria.

Todos os que compareceram àquele ato de fé acompanharam com o maximo de unção religiosa a cerimônia que foi celebrada pelo bispo diocesano Dom José Mauricio da Rocha, o qual, no encerramento da solenidade, dirigiu-se aos presentes numa oração em que sua palavra autorizada focalizou importantes problemas que afligem a humanidade.

As senhoras bragantinas, cooperando com seu entusiasmo e zelo para o sucesso dos festejos em homenagem aos jovens bragantinos que regressaram ao seu berço natal, ofereceram um almoço no salão de festas do Clube Literário e Recreativo, no qual estiveram presentes todos os recém-chegados, aos quais foi seguido um cardápio à brasileira, composto de: maionese, tutu de feijão, leitoa, arroz de forno e assados.

Como sobremesa, salada de frutas, creme de leite e café. Oferecendo o ágape em nome das senhoras bragantinas, discursou Helena Leme Lucchesi, presidente da seção local da Liga Brasileira de Assistência.

Durante o almoço, fez-se ouvir a orquestra da Sociedade Sinfônica Amadores da Arte Musical, sob a regência do maestro Ernesto Mascaretti e em números de canto fizeram-se ouvir os expedicionários Antonio La Salvia Neto e João Nogueira de Souza. No final, agradecendo a acolhida e o almoço, falou em nome de seus irmãos de armas o pracinha Benedito Bafato. Encerrando, os expedicionários desfilaram, um por um, e pelo microfone foram apresentados pelo jornalista Nicolino dos Santos, recebendo todos eles calorosos aplausos dos presentes.

Findo o almoço no Clube Literário e Recreativo, os heróicos pracinhas, atendendo a um convite feito por intermédio do Prefeito Municipal, se dirigiram à residência do Dr. José Adriano Marrey Junior onde foram recepcionados pela família do ilustre ex-Secretário de Justiça, que lhes ofereceu taças de champagne e charutos.

Na ocasião, o anfitrião, em seu nome e de sua esposa Zenóbia Tostes Marrey, dirigiu expressiva saudação aos heróis, respondendo em agradecimento o expedicionário Harry Baisi Fernandes, discursando em seguida Paulo Ribeiro de Vasconcellos, principal responsável pelo êxito da programação elaborada para a recepção de nossos pracinhas.

Os expedicionários, não escondendo a gratidão pelas gentilezas recebidas, entoaram a canção “Deus salve a América”. O Dr. José Adriano Marrey Junior solicitou que se fizesse um minuto de silencio em homenagem ao Cabo Basílio Zecchin Junior, morto em combate.

Da residência do Dr. Marrey Junior os expedicionários seguiram para a Praça Raul Leme onde se situava a casa de Cezar Zecchin, irmão do cabo Basílio Zecchin Junior, tombado no campo de luta. Ali, defronte ao retrato do saudoso companheiro, comandados pelo 3º sargento João Duran Alonso, desfilaram em continência e apresentaram pêsames à família do bravo soldado. Foi uma cerimônia espontânea, profundamente tocante e que calou fundo no coração de todos quantos a assistiram.

Às 16h00 daquele sábado, na Praça Jacintho Domingues, local escolhido para a concentração popular, foi dado início a um grandioso desfile para homenagear os expedicionários bragantinos. As ruas por onde passaram os desfilantes estavam repletas de pessoas e a maioria das casas ostentava em sua frente bandeirolas, flâmulas, dísticos e bandeiras nacionais, dando um aspecto festivo à comemoração. A multidão entusiasmada não se continha em saudar os nossos heróis, fazendo-o de maneira vibrante e cordial.

O grande desfile, supervisionado pelo Tenente Marciolino Costa dos Santos, estava assim organizado: batedores da Guarda Civil do Estado, Corporação Musical Santa Basilissa, Expedicionários bragantinos cercados pelos atiradores do Tiro de Guerra 464; representantes do Aero Clube de Bragança, Legião Brasileira de Assistência; alegoria e batalhão do Ginásio Diocesano São Luiz, alunas do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Escola Técnica de Comércio Rio Branco; a Escola de Datilografia e Escola Prática de Comércio Torpedo; Grupo Escolar Dr. Jorge Tibiriçá; Grupo Escolar José Guilherme, Curso de Inglês do prof.José Nantala Bádue, Sindicato dos Empregados no Comércio, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem e representantes do Grêmio Recreativo Santa Basilissa; Clube Recreativo 13 de Maio; Bragança Futebol Clube; Clube Atlético Bragantino e outras instituições locais que prestaram suas homenagens aos nossos pracinhas.

Depois de haver percorrido as principais ruas da cidade e sempre com os mais significativos aplausos do povo, entre o qual se encontravam pessoas vindas de todas as cidades circunvizinhas, inclusive da Capital do Estado, os componentes do desfile perfilaram-se defronte ao Palanque Oficial ocupando partes das praças José Bonifácio e Raul Leme.

Os expedicionários dirigiram-se ao palanque onde já se encontravam o nosso bispo diocesano Dom José Mauricio da Rocha, o prefeito municipal José de Assis Gonçalves Junior, Cezar Zecchin representando a família do cabo Basílio Zecchin Junior, Dr. José Adriano Marrey Junior e Dr. Miguel Reale, ex-secretários de Justiça do Estado e figuras de renomado valor nos meios políticos e sociais de nosso país, além de outras autoridades e pessoas gradas locais. As entidades bragantinas que tomaram parte no cortejo, desfilaram em homenagem aos expedicionários, tendo falado ao final, encerrando as festividades o Dr. Miguel Reale.

A Prefeitura Municipal local abriu o Salão Nobre do Paço Municipal situado na Praça José Bonifácio, para levar a efeito uma Sessão Solene, prestando, com isso, significativa homenagem aos nossos expedicionários que foram ali recepcionados e sentaram-se em lugares a eles reservados.

Perante enorme assistência que lotava as dependências daquela Casa, salões fortemente iluminados e enfeitados com esmero, foi formada a Mesa Diretora dos Trabalhos da qual faziam parte as autoridades locais. Oswaldo Russomano, secretário da Prefeitura, abriu a sessão solene, após o que houve a execução do Hino Nacional Brasileiro por um conjunto orquestral regido pelo maestro Dario Giovannini, ouvindo-se a seguir uma salva de 21 tiros de bateria.

Primeiramente o Prefeito Municipal deu a palavra ao Dr. José Adriano Marrey Junior, grande amigo de Bragança e aqui radicado. O soldado Harry Baisi Fernandes falou em nome de seus colegas, agradecendo a recepção e homenagens que estavam sendo proporcionadas aos pracinhas pelas autoridades e pelo povo bragantino.

A seguir foi prestado um minuto de silencio, cultuando dessa forma a memória do cabo Basílio Zecchin Junior. Oswaldo Russomano leu a ata da Sessão Solene que havia acabado de ser realizada e foi assinada pelos homenageados e por todos os que desejassem fazê-lo e, ao final, encerrando as solenidades, foi executado o Hino Nacional Brasileiro.

Encerrando os festejos daquele dia, foram realizados bailes no Clube Literário e Recreativo e no Grêmio “Santa Basilissa”, com numerosa assistência que lotou os salões de ambos clubes.
Os nossos heróis prestigiaram ambos os bailes com sua presença, fechando com chave de ouro as comemorações daquele dia.
(continua)

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

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