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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Intuição, trabalho e realização
Sábado,  19 AGO 2017
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 Começou nesta semana uma série de entrevistas com empreendedores de destaque na TV Veja, que pode ser acessada pela internet. O primeiro entrevistado é o fundador e presidente da Cacau Show, hoje com 10 mil funcionários, 2 mil lojas, faturando anualmente mais de 3 bilhões de Reais. Cristiane Correa, a jornalista, e Alexandre Costa, o empresário, estabelecem uma conversa harmoniosa, com mensagens importantes para a vida pessoal, profissional, empreendedora e familiar.

Alexandre, quando criança, acompanhava sua mãe em vendas porta a porta. Aos 17 anos, tomou emprestados 500 dólares de um tio para comprar e vender ovos de Páscoa. Defrontou-se com um problema inesperado: a pessoa de quem comprara os ovos não conseguiu fazer a entrega. Juntou-se então a uma amiga de sua mãe, produziu e vendeu o chocolate a ponto de pagar o tio e ainda lucrar outros 500 dólares.

A partir dessa experiência, continuou a produção, distribuindo-a logo cedo em padarias. Com o dinheiro da venda produzia para o dia seguinte. Desde então, investe fortemente em três coisas: qualidade do produto, preço acessível e esmero no design e apresentação. Mantendo sempre a visão de que chocolate é algo prazeroso, gentil, que alegra aquele que o degusta.

Foi das padarias para os mercadinhos, destes para as redes de supermercado, sem abandonar a venda direta ao consumidor. As lojas franquiadas surgiram também a partir de um problema. Alexandre foi fazer uma entrega em Piracicaba para um de seus primeiros parceiros.

Chegando lá, observou que os chocolates ocuparam todo o apartamento, a ponto dos filhos do casal terem de dormir em casa de parentes. Sugeriu aos parceiros que alugassem um pequeno ponto comercial, para armazenar o produto e, também, vender no varejo. Deu certo. O problema virou oportunidade.

O presidente informa que mensalmente cerca de 2 mil pessoas se candidatam a franquiado. O processo é rigoroso. Apenas 1% é aprovado, permitindo a abertura de 20 lojas mensais. É avaliada a paixão pelo negócio, assim como a disponibilidade para o trabalho intenso e dedicado. Na sua avaliação, o trabalho é que faz a diferença. O negócio não vai andar sozinho. Ele mesmo, até hoje, trabalha inclusive aos sábados.

Nestes tempos em que crise de todo tipo ocupa grande parte de nossas conversas, Alexandre declara que sua empresa cresceu 8% em 2015, 16% no ano passado e, neste, já realiza resultados 24% maiores do que no ano que passou. O segredo? Intuição e trabalho.

Transformar problemas em oportunidades. Desenvolver e fazer acontecer rapidamente. Fazer mais com menos. Não admitir desperdício. A fundação da empresa atende hoje mais de 3.000 crianças, em atividades complementares à escola e em formação para a arte e outras habilidades.

Casado com Ângela há mais de 20 anos, tem 3 filhos. Perguntado como educa seus filhos para que não sejam prejudicados pelas facilidades típicas de uma família de alta renda, relatou algumas atitudes paternas incomuns, muito edificantes. Por ocasião dos aniversários, ao receberem inúmeros presentes, as crianças não tem acesso imediato a todos eles.

A cada semana são liberados 2 presentes, desde que o comportamento tenha sido adequado naquele período. Relata que sua filha foi a última de sua turma da escola a ter celular, ainda assim, um aparelho usado, contrariando as pressões dos modismos atuais de uma sociedade de sofisticado consumo.

Diariamente o fundador e presidente leva pessoalmente os filhos à escola. Aproveita o tempo do percurso para conversar e rezar. Cada filho faz uma prece. O pai fica feliz ao perceber que a prece é feita por necessidades de funcionários, colegas e parentes.