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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Ciclo da água, criosfera e clima
Terça-Feira,  15 AGO 2017
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 No início deste mês de julho, uma plataforma de gelo maior que o Distrito Federal se desprendeu da Antártida. Anunciada com preocupação por alguns e curiosidade por outros, cabe lembrar que se trata de uma porção enorme de água, em estado sólido, e que está inserida no ciclo da água no planeta.

Atualmente as duas maiores porções de massas de água congelada do planeta estão concentradas no manto de gelo da Groelândia e da Antártica. A água em estado sólido pode apresentar-se como gelo dos rios (fluvial), gelo marinho, plataformas de gelo, gelo em lagos, permafrost (camada congelada no solo), geleiras de montanha e cristais de gelo na atmosfera.

Quando falamos sobre ciclo de água, em geral citamos que a água pode apresentar-se em nosso planeta de três diferentes fases: sólida, líquida e gasosa. Daí por diante, nos concentramos em compreender os processos relacionados aos estados líquidos e gasosos, principalmente, dando pouco destaque a água existente no planeta que está em estado sólido.

No Brasil a presença de massas de água em estado sólido pode parecer insignificante para os processos locais e regionais, entretanto, a criosfera, ou seja, o conjunto de água em estado sólido no planeta, possui relevância fundamental para mantermos uma série de dinâmicas atmosféricas que mantém o clima no planeta tal como conhecemos hoje, inclusive o clima do local onde vive!

Regiões mais quentes ou úmidas, áreas com mais ou menos chuvas, entre outros fatores possuem contribuição da combinação entre diversos fatores. A água em estado sólido é de um desses fatores, influenciando balanços de energia nos mares e na atmosfera.

De modo simplificado, podemos dizer que o contraste entremassas de água de áreas muito frias e outras mais quentes no planeta funcionam como um motor movido por energia luminosa (o Sol), que mantém em circulação grandes correntes marítimas, participam da circulação de nutrientes no mar que alimentam a vida marinha, determinam grandes correntes de ar que levam chuvas e umidade ou ventos gélidos e secos, e muito mais!

A presença da imensa massa de gelo Antártica representa um condicionante forte do clima no Brasil, especialmente nas regiões sul e sudeste, onde estamos. Para além disto, compreender a importância do gelo em estado sólido e as atuais mudanças que tem sido observadas na redução de suas massas é fundamental para garantirmos solução para problemas ambientais graves.

No planeta, perto de 40% da população mundial se abastece de água de degelo. A redução desta fonte continental, por exemplo pode causar graves problema de abastecimento e deslocamento de populações. O degelo do permafrost segundo especialistas pode liberar uma grande quantidade de gás carbônico e gás metano, dois gases de “efeito estufa”, que ampliam a retenção de calor na atmosfera.

Esses fatos frisam que a subida do nível do mar devido ao derretimento dos grandes mantos de gelo, mesmo sendo um problema muito preocupante que poderá afetar um contingente imenso de pessoas em todo mundo, é apenas a ponta do iceberg. No Brasil há grupos especializados em estudar a criosfera. Se quiser saber mais fica a dica: A importância do Estudo sobre a Criosfera: INCT/Criosfera, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, texto disponível na internet. PATRICIA MARTINELLI, GEÓGRAFA, COLABORADORA COLETIVO SOCIOAMBIENTAL BRAGANÇA

LEMBRETE: Estão abertas as inscrições até hoje, dia 15 de Agosto para participar da VII Expedição Fotográfica “Caminho das Águas”, entre na página do Coletivo Socioambiental no facebook e faça sua inscrição online.