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BragançaPaulista21 Jan 2018


Colunistas


Há 72 anos... Bragança cobre de glória seus heroicos expedicionários - Parte I
Quarta-Feira,  09 AGO 2017
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 Na passagem de mais um aniversário da chegada a esta cidade dos bragantinos que foram convocados para defender nossa pátria na Itália, ao lado das forças democráticas, vamos homenagear os seus dois únicos remanescentes, Luiz Caetano de Moura e Moacyr Pinheiro, e as famílias de todos os nossos “pracinhas” (como eram chamados) que ainda têm a ventura de viver em nossa cidade.

É também, uma oportunidade para levar ao conhecimento daqueles que ainda não faziam parte de nossa população naquela época, mas que almejam conhecer um pouco da nossa história e inteirar-se de feitos de figuras heroicas que elevaram o nome de nossa gente. Pois bem, consta dos anais de nossa história, um episódio de grande importância, no qual foram partícipes 60 jovens que tomaram parte na 2ª Guerra Mundial ao lado das forças que combateram e venceram o nazi-fascismo.

Em homenagem a esses herois, que lutaram ultramar e regressaram vitoriosos em 10 de agosto de 1945, bem como, para que muitos tenham conhecimento das comemorações que se realizaram por ocasião da chegada a esta cidade dos valorosos pracinhas, vamos rememorar pormenorizadamente em alguns capítulos, o regozijo, o carinho e a vibração com que foram recepcionados aqueles que participaram da epopeia, a partir da qual, o nosso mundo sofreu grandes transformações.

Bragança Paulista viveu durante três dias consecutivos momentos de intenso entusiasmo por motivo da chegada de seus filhos queridos, que, em longínquas paragens, deram mostras de seu heroísmo e foram a expressão mais legítima de nossa gente.

Volvendo os olhos para seu passado, Bragança jamais teve ocasião de presenciar um espetáculo tão empolgante quão extraordinário quanto o que viu desenrolar-se desde o desembarque de seus expedicionários; esses jovens que, em cumprimento de um imperativo patriótico, desligaram-se de seus deveres para com a família e a sociedade, dirigiram-se aos quartéis que lhes foram designados para que fossem preparados para defender a dignidade do Brasil.

Nossos moradores acompanharam interessados o andamento dessa hecatombe e seguiram passo a passo a trajetória de seus filhos em terras estrangeiras, e não poderiam deixar de sentir-se jubilosos quando do retorno glorioso de quantos daqui partiram, com exceção do Cabo Basílio Zecchin Junior, que morreu bravamente no campo de luta e que ficara enterrado em terra italiana.

Durante a preparação dos festejos em homenagem aos bravos expedicionários conterrâneos, Bragança estava certa de que o programa elaborado, que teve a mais carinhosa execução por parte das comissões encarregadas dos festejos, no sentido de demonstrar aos que chegavam as nossas alegrias e deixar incontestável o nosso carinho e nossa imorredoura gratidão.

A PARTIDA DE SÃO PAULO

No dia 10 de agosto de 1945, uma sexta-feira, pelo comboio das 15h30, os expedicionários bragantinos embarcaram na Estação da Luz, na capital do Estado, em carros especiais postos à disposição pela São Paulo Railway (S.P.R.), a caminho de Bragança, acompanhados de um grupo de pessoas gradas, à frente das quais estava Paulo Ribeiro de Vasconcellos, a alma dos festejos. Notavam-se também o Dr. Nicolau Marques Schmidt e os jornalistas Arlindo da Silva, de A Noite e Diário de São Paulo: Oswaldo Gomes Amorim, da Folha da Manhã; Oswaldo Teixeira de Carvalho, da Folha da Noite; Carlos Cardeal, do Correio Paulistano; o cinematógrafo Oswaldo Tartaglione, que filmou todo o desenrolar dos festejos; além do farmacêutico Carlos Gilli Neto, de São José de Toledo,MG; João Torquato Ramalho, de Pedra Bela; e José Pessini, chefe da Estação de Bragança.

EM CAMPO LIMPO

Se a viagem até a estação em que se faz baldeação para a Estrada de Ferro Bragantina foi excelente, a recepção em Campo Limpo, hoje Campo Limpo Paulista, que estava preparada aos expedicionários bragantinos e seus acompanhantes, constituiu surpresa.

A estação encontrava-se toda enfeitada com flores naturais e vários tipos de folhagens. Os alunos das escolas locais, empunhando bandeirinhas, e o povo num entusiasmo incontido, logo que se verificou o desembarque, ao som da corporação musical do S.P.R. Atlético Clube, sob a batuta do maestro nosso conterrâneo Antonio Lopes Filho, recepcionaram os pracinhas bragantinos entre vivas e sob uma chuva de pétalas de rosas advindas das mãos dos alunos da 1ª,2ª,3ª e 4ª classes da Escola Mista de Campo Limpo, sendo os pracinhas saudados por. Francisco Pessolano, em nome da população de Campo Limpo. Pelos homenageados, respondeu em agradecimento o expedicionário Benedito Bafato.

DURANTE O PERCURSO NA ESTRADA DE FERRO BRAGANTINA

Durante o percurso na Estrada de Ferro Bragantina, em composição especial, gentileza da superintendência da S.P.R., os expedicionários bragantinos nas estações de Campo Largo, Maracanã, Caetetuba, Tanque e Taboão foram alvos de manifestações espontâneas, sendo servidos para a comitiva delicados lanches acompanhados de refrigerantes e preparados pelas comissões de recepção e transporte locais.

A CHEGADA EM BRAGANÇA PAULISTA

Na Estação de Bragança, situada no Bairro do Lavapés, a gare, decorada com muito gosto, notando-se grandes bandeiras das nações aliadas, encontrava-se literalmente ocupada, estando presentes autoridades locais, imprensa, familiares dos expedicionários e pessoas antecipadamente convidadas.

Por todos os lados da Estação notava-se compacta massa popular, coalhando a praça fronteira da Estação e enchendo a Rua Dona Carolina. Colégios e associações, num mesmo ritmo de entusiasmo, concorriam para que a recepção transcorresse num clima de alegria e dentro da mais perfeita ordem.

Às 19h33 a enorme multidão que se encontrava na Estação de Bragança esperando a chegada dos expedicionários, agitou-se toda, com o continuado apitar da locomotiva, sinal de que o comboio se aproximava.

Eis que a locomotiva, toda enfeitada com as bandeiras do Brasil e Inglaterra e tomando lugar na frente os pracinhas Luiz Caetano de Moura, Raul Rosa, Luiz Raymondi, Ricieri Zadra Piniano, Silvio Balastreri e José Franco de Macedo, em marcha lenta, fez a entrada na gare e logo, por todos os cantos, ouviram-se vivas aos expedicionários.

A chegada foi qualquer coisa de admirável, soberba, espetacular! Baterias estouravam e rojões cortavam os ares. E a incalculável multidão ovacionava delirantemente os nossos bravos soldados.

Assim os nossos herois colocaram seus pés novamente na terra bragantina, que com seus quinze mil habitantes na época teve o orgulho de receber seus filhos que foram defender o Brasil na luta entre o nazi-fascismo e a democracia, saindo vencedores nesta refrega, colocando bem alto o nome de nosso país e quiçá de nossa terra, dentre as nações aliadas. (Continua)

JOSÉ CARLOS CHIARION é advogado, escritor e membro da Associação dos Escritores (ASES). Foi vereador; colunista do Bragança-Jornal Diário; participou da fundação e foi presidente da Associação Bragantina de Imprensa (ABI). É autor do livro “Um Pouco da Nossa História”.

EM TEMPO: Acompanhe toda sexta-feira, no “Altiora Jornal” exibido pela nossa TV Altiora, às 19:00 horas, a “Agenda Cultural”, onde cada semana um assunto dos aqui por nós abordado é comentado pelo jornalista Fabio Silverio, com a colaboração fotográfica de Luis Antonio Palombello.