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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Quanto vale a educação?
Sábado,  05 AGO 2017
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 Encontram-se em andamento dois concursos públicos no Estado de São Paulo. O concurso para a seleção de escreventes do Tribunal de Justiça para a região metropolitana de São Paulo e de Campinas, incluindo Bragança Paulista, disponibiliza 590 vagas. Recebeu mais de 200 mil inscrições, mais de 300 candidatos por vaga, uma verdadeira loteria.

Os vestibulares dos cursos mais procurados em universidades renomadas não chegam a essa proporção. Por sua vez, o concurso para a seleção de diretores de escola oferece quase 2 mil vagas em todo o Estado. A enorme quantidade de inscritos retrata bem a dificuldade de jovens e adultos encontrarem boas vagas de trabalho na atual conjuntura brasileira.

Chama muito à atenção a diferença salarial desses concursos. Para os escreventes da Justiça é anunciado um salário bruto, soma de vencimentos, vale alimentação, vale transporte e outras verbas, de quase R$ 6 mil. Aos diretores de escola, a mesma soma não chega a R$ 4 mil.

Ocorre que na formação e experiência requeridas e nas atividades desenvolvidas por esses profissionais, existem grandes diferenças. Nada contra ao salário dos escreventes. O que assusta mesmo é a remuneração de um diretor de escola e, consequentemente, dos professores, a maioria vocacionada, dedicada e batalhadora.

O candidato a escrevente necessita somente do diploma de ensino médio. Não é requerida qualquer experiência. O candidato a diretor de escola deve ser formado em Pedagogia ou pós-graduado em Educação, devendo ainda comprovar o exercício de 8 anos de magistério.

As funções de um escrevente são rotineiras. Auxilia no avanço dos processos judiciais. Trabalha em grupos sob orientação e supervisão imediata de chefes e diretores. A exemplo do que ocorre com o Poder Judiciário, de uma forma geral, cuidam do passado, do leite já derramado, tentando algum tipo de reparação. Não tem o potencial de grandes transformações na vida das pessoas e do país.

O diretor de escola coordena projetos pedagógicos que podem contribuir para o crescimento de crianças e jovens. Milhares de famílias, em grandes escolas, depositam nele a expectativa de uma vida melhor. Cabe ao diretor ser um líder comunitário na região da sua escola; coordena, motiva e controla grupos de professores; administra recursos pedagógicos, de merenda e de administração predial; convive com os dilemas de seus alunos; não raramente precisa fazer frente à violência que ronda os colégios; orienta para que a sua escola alcance bons resultados nos diversos tipos de avaliação hoje existentes. Assume o compromisso de buscar novos rumos para a educação, de forma que o país reencontre a verdadeira democracia e o caminho do crescimento econômico, social e cultural.

Muitos países, em passado recente, fizeram da educação o grande impulso parao seu desenvolvimento acelerado e sustentável. Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, pensa o que segue a respeito da educação e de professores: “É isso. Professores não são pessoas comuns e pessoas comuns não são professores.

Por favor, não escolha ser professor até que você esteja preparado para isso”. Professores na Alemanha recebem os maiores salários do país. Pelo menos 60 mil Dólares anuais. E quando juízes, médicos e engenheiros reivindicam à chanceler equiparação salarial, ela responde: “Como eu posso comparar vocês com quem ensinou vocês?”.