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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Raposão e a estrada da morte
Sexta-Feira,  28 JUL 2017
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 Já perdi as contas de quantas vezes abordei esse assunto por aqui e quase sempre com o mesmo título. Na verdade, Raposão acha até um elogio chamar a estrada Bragança-Itatiba de “Estrada da Morte”, pois devia mesmo é chamar de estrada das tragédias, e agora, mais recentemente, de estrada da “incoerência” (Raposão está “educado” hoje!).

Para quem viu e leu minha coluna da semana passada, Raposão disse que ia abordar alguns problemas dessa estrada que há mais de décadas já deveria ter sido duplicada, mas não, pois quase nada foi feito, a não ser “coisinhas” paliativas, muito pouco para o número de vidas que ela vem ceifando há muitos, mas muitos anos!!!

MELHOR IR ANDANDO ?


Recentemente o setor de “inteligência do D.E.R.”, creio que é melhor chamar assim o setor que estipula limites de velocidade e a sinalização da rodovia, alterou o limite de velocidade dessa estrada Bragança-Itatiba (oficialmente chamada de Rodovia Alkindar Monteiro Junqueira) de 80 km/h para 60 km/h, talvez na tentativa de torná-la “mais segura”.

Acredite! Sim, é verdade! Antes que você tome uma multa ou até perca sua CNH (também popularmente chamada de “carta”), tome cuidado, pois já faz um bom tempinho que para ir a Itatiba ou Campinas por essa estrada, a velocidade regulamentada é de 60 km/h. Lembrando que se você por pego por um radar transitando a mais de 50% da velocidade autorizada (ou seja, 98 km/h – já considerando os 7 km/h que tem de tolerância), você irá perder a carta, terá de fazer o famoso cursinho de reciclagem e tomará uma multa “feroz ao seu bolso”, e note: nem a uma velocidade astronômica você estava!!!

Eis aqui a primeira incoerência do setor de “inteligência do D.E.R.”, pois muitas vezes diminuir é mais perigoso que aumentar.

Como é que é Raposão? Que loucura é essa?

Calma! Raposão explica: cansei de reclamar, por aqui, do perigo que é essa rodovia e clamo há mais de décadas por sua “duplicação” (aí sim, uma atitude que realmente demonstraria a preocupação dos nossos dirigentes para com nossas vidas), pois sempre vemos mortes nela.

Então, você deve achar que eu deveria estar feliz com tal medida de diminuir a velocidade para 60 km/h que, com certeza, vai aumentar ou já aumentou a segurança nessa estrada?

A resposta é: NÃO! Note que o fato de uma estrada ter muitos acidentes, nem sempre o excesso de velocidade é o principal motivo. Nesta estrada o principal fator de acidentes é a ultrapassagem em local proibido, e isso o próprio D.E.R. tem culpa (e explicarei mais à frente tal questão), pois ela é um longo trecho de quase 40 km, sem muitos pontos de ultrapassagem e que quando o motorista de carro de passeio “pega” um caminhão lento à sua frente, faz ele praticamente andar a estrada toda sem ter oportunidade de ultrapassar, causando impaciência, e daí os abusos e as irresponsabilidades!

Assim, o número de acidentes não é justificativa para que se implante um limite de velocidade “que acaba causando mais problema e impaciência do que solução”. Raposão explica: nossos carros estão cada vez mais rápidos e seguros. Se fizermos uma pesquisa, notaremos que em 1970 ou 80, por exemplo, estaríamos andando em velocidade mais alta que hoje, pois deveria ser 80 km/h ou 90 km/h o limite de velocidade estabelecido nesta rodovia, isso, naquela época, quando os veículos tinham bem menos segurança que os atuais, que dispõem de controle de tração, freios ABS, radares de colisão, assistente de frenagem, melhor estabilidade, pneus melhores, etc, etc e etc.

Assim, a velocidade a ser adotada em uma rodovia tem de levar em conta vários fatores, pois quando se adota uma velocidade baixa demais, o “efeito é justamente o contrário do que se quer ter”, ou seja, no caso em questão, ao adotar apenas 60 km/h como a velocidade permitida para a estrada Bragança-Itatiba, você aumenta, e muito, as ultrapassagens e, consequentemente, aumenta o perigo da estrada. Obviamente, onde há mais ultrapassagem, há mais perigo (levando-se em conta que é uma estrada de mão simples).

MAIS É MENOS

Sobre isso, ou seja, aumentar a velocidade e não diminuir, vimos, recentemente, o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, adotar uma medida exatamente contrária e diferente desta que foi feita na estrada Bragança-Itatiba, ou seja, ele aumentou os limites de velocidades nas marginais de São Paulo de 50 km/ para até 90 km/h, inclusive usando o chavão “acelera São Paulo”.

Ora, o raciocínio de Dória (e do seu “setor de inteligência”) foi o mesmo que o de Raposão (cadê a modéstia Raposão?), ou seja, utilizando um limite maior de velocidade você acaba prevenindo acidentes à medida que ao se adotar uma velocidade muito baixa, outros fatores acabam contribuindo para que acidentes ocorram, como, por exemplo, a “impaciência” dos motoristas, o aumento de ultrapassagens (citada acima) e, até mesmo, a “sonolência” dos condutores.

Acredite: o número de abalroamento traseiro nas marginais de São Paulo havia aumentado muito desde que o limite de velocidade havia sido baixado para 50 km/h, pois muitos motoristas dormiam ao volante! (confesso que eu mesmo era um deles, pois como atravessar a marginal inteira - com praticamente o mesmo comprimento que tem a estrada Bragança-Itatiba - andando a “sonolentos” 50 km/h, sem sentir sono ao volante?) (lembrando que nos carros atuais, andando a 50 km/h a sensação que se tem é que ele está quase parado!).

Portanto, essa adoção de 60 km/h na estrada Bragança-Itatiba está na contramão da segurança.

DEMARCAÇÃO ERRADA (!?)

Quando citei, mais acima, que o D.E.R. também tinha culpa sobre haver ultrapassagens proibidas na rodovia, me refiro à demarcação errada que há nela e isso é outro ponto que contribui para a insegurança nessa estrada da morte, pois em muitos pontos bons para ultrapassagens há pintura de “faixa dupla”, ou seja, proibindo a passagem naquele local, algo extremamente incoerente!

Vou citar apenas uns três, para não me alongar: o primeiro é ali, logo após o condomínio do Conde (sentido Bragança-Itatiba), tem uma “retona” de quase um quilômetro, que vai até quase a entrada do Motel Viper, e, sem qualquer motivo, essa reta tem pintada faixa dupla nela, ou seja, não se pode ultrapassar naquele local.

Segundo: Uns 2 quilômetros após a entrada para a Fazenda Dona Carolina (a referência dos exemplos que Raposão está dando é sempre sentido Bragança-Itatiba), tem uma pequena reta, onde a faixa é simples, ou seja, permite-se passar num local extremamente curto e perigoso, onde somente carros potentes ou turbos conseguem. Vá entender!?

Terceiro: Após a indústria Artivinco tem um radar fixo e cerca de um quilometro depois tem uma reta bem longa (sentido Bragança-Itatiba), onde novamente tem faixa dupla pintada, proibindo a ultrapassagem. Mais uma vez, muito estranho!?

Como se vê, a estrada possui sinalização e velocidade incoerentes e o “setor de inteligência” do D.E.R. ao invés de sanar esses e mais alguns que não citei, optou por diminuir a velocidade na estrada, tornando-a uma verdadeira indústria de multas.

Lembrando que tal estrada é o corredor mais “rápido”, ops, digo, mais “perto” para se acessar as cidades de Campinas e Jundiaí, destinos de muitos bragantinos. São cerca de uns 38 km de uma estrada com todos os problemas e erros citados acima, agora com um limite de velocidade muitas vezes abaixo que avenidas dentro de cidades, ou seja, hoje você anda mais rápido dentro da cidade do que nessa rodovia (vá entender!!!???)

Como se vê, o “setor de inteligência” do D.E.R. tem muito a explicar e muito a fazer!

Aguardemos!

Um bom final de semana a todos, lembrando que esta Coluna é meramente fictícia, com verdades e inverdades (cabendo a você, leitor, descobrir qual é qual?), e na sexta-feira que vem tem mais (se Deus assim consentir), lembrando que Raposão aceita dicas, opiniões, críticas e, é lógico, elogios (desde já, os agradeço), que podem ser feitos via e-mail, telefone (ver ambos abaixo), “sinais de fumaça” ou cartas para redação do BJD, situada à Av. Antônio Pires Pimentel nº 957, Centro, Bragança Paulista, CEP 12914-000. Acompanhem também Raposão na Internet, pelos sites www.bjd.com.br e no Facebook (Raposão João Raposo Advogados Associados) ou no Instagram (joao_raposo João Raposo Advocacia – Raposão).

ADVOGADO João José Raposo de Medeiros Jr. é colaborador do BJD desde 1982. Contatos pelo e-mail joao_raposo @terra.com.br ou pelo tel. 9-8353-5626 (cel. TIM) (digite o número 9 mais a palavra “TELEJOAO” no teclado do tel que dá esse número, bem mais fácil de guardar, não?) ou pelo Whats App (ZapZap) 9-9903-4555 (cel. VIVO).