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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Próximo do fim (I)
Sábado,  22 JUL 2017
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 NÃO TEMOS mais o direito de ficar calados e tal afirmação não se vincula com a legítima prerrogativa estabelecida na Constituição Federal, afinal, nesse contexto é conveniente ressaltar que entre os direitos fundamentais inseridos no artigo 5.º- LXIII vigora e alcança não apenas aos presos, o direito ao silêncio ou permanecer calado e que se estende aos brasileiros e estrangeiros que aqui residem, independentemente de estarem sendo submetidos à prisão, respondendo a processos ou a qualquer sorte de acusação.

Não temos mais o direito de ficar calados para o bem do nosso país. Pode parecer uma insolência de minha parte, porém, algo me leva a abandonar qualquer relutância para formular o meu apelo enquanto ainda há tempo. Apenas um exemplo recente> presidente Michel Temer, descaradamente faz compra de votos para barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara Federal barrou o parecer do deputado Sérgio Zveiter e aprovou o relatório alternativo, mediante a troca de membros que eram favoráveis ao simples acolhimento dessa denúncia. O argumento escandaloso reside na liberação de verbas para projetos e emendas parlamentares. Compra de votos! Ainda assim vamos permanecer calados, idiotizados, sabotados e insensíveis ao ato de corrupção?

PRÓXIMO DO FIM (II)

ULTRAPASSOU
o limite do silêncio e urge medidas que sufoquem o descaso. O Poder está em nossas mãos. Como colunista político eu sou uma espécie de fotógrafo com palavras e não invento nada, apesar da aflição que me castiga ao proclamar a rebelião capaz de “barrar” tanta ousadia contra nós mesmos. Detesto chafurdar na lama que já afeta totalmente nossas vidas. É revoltante assistir a tudo passivamente.

Ora, todos nós já enfrentamos luzes e trevas, altos e baixos e a capacidade de reação permitiu a recuperação da normalidade. Não podemos mais admitir a autocensura e o medo de encarar a realidade. Abrahan Lincoln escreveu que democracia é o poder do povo, pelo povo e para o povo, e a nossa Carta Magna diz em seu parágrafo único do artigo primeiro: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituição.” Não se cuida de um jogo de palavras e sim uma questão de hermenêutica jurídica, isto é, o povo é o titular do poder político.

Entretanto, embora o povo seja o dono, infelizmente o poder político é exercido por nossos representantes. Aí, vale lembrar> quem coloca pode tirar! Todos nós estamos vivenciando desvios de verbas públicas, verdadeira roubalheira e a total calamidade dos serviços públicos. Os protestos são insuficientes e esporádicos e apenas a sociedade unida pode ir além.

Não é uma batalha campal. Contrariamente, o que prevalece no povo é o desinteresse, embora esteja cansado. Ora, faltam líderes e lideranças. Basta de continuar órfão. Recuperar o amor próprio imediatamente ou curvar e chafurdar na lama. O que se reivindica aqui é a condição da cidadania que reconhece os direitos e deveres, assim, o titular desta consciência resiste aos desejos, medos e paixões para estabelecer a justiça nas relações em sociedade.

O caráter ético é sem nenhuma dúvida a consciência coletiva para a manutenção do corpo político e da sua soberania, liberdade e igualdade. Ou resgatamos tais conceitos ou estaremos pisando no poder emanado do povo e transformando a democracia em autocracia - regime em que o governante é também o titular do poder político que exerce, de tal forma que não existe para ele qualquer fonte externa de legitimidade e poder. Não somos subordinados de governante absolutista ou um ditador.

Presume-se governante democrático e que deva atuar e fazer de modo impessoal, em nome do povo, sempre com a inafastável e necessária finalidade de assegurar a vontade, os interesses e o bem comum do titular do poder político: o povo!

PRÓXIMO DO FIM (III)
TRECHOS: “O DISCRETO CHARME DA CORRUPÇÃO” (ARNALDO JABOR)


“Vivemos sob uma chuva de escândalos e denúncias de corrupção. Mas, não se enganem, esses shows permanentes nos jornais e TV, servem apenas para dar ao povo a impressão de transparência e para desviar seus olhos das reformas essenciais que mantêm nossas oligarquias intactas.

Aos poucos o povo vai se acostumar à zorra geral e achar que tanta gente tem culpa que ninguém tem culpa. Me chamam de canalha, mas eu sou essencial. Tenho orgulho de minha cara de pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries.

Enquanto houver 25 mil cargos de confiança no País, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adiantam CPI’s querendo me punir. Eu me saio sempre bem, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar.

Eu declaro com voz serena: Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos”. – “Amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares...” - “Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles, sim, humilhados em vez de mim.” – “A mentira é necessária para manter as instituições em funcionamento. O Brasil precisa da mentira para viver.

E vi que é inebriante ser cruel, insensível, ignorar essas bobagens como a razão, a ética, que não passam de luxos inventados pelos franceses, como os escargots.” – “Depois, claro, fui deputado, senador e sou um homem realizado. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu e meus amigos criamos este emaranhado de instituições que regem o atraso do País. Este País foi criado na vala entre o público e o privado. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. O Brasil precisa de mim.”

A CRÍTICA DA CRÍTICA

MUITOS
não entenderam o Discreto Charme da Corrupção e Arnaldo Jabor foi alvo de severas críticas. Um comentário aqui e outro acolá. Jabor ironizou propositalmente e na verdade nunca pretendeu desmontar o passado e os fundadores do país. Aliás, não pretendeu renegar o passado, tão somente alertou que a história nem sempre conta toda a verdade e ainda oculta fatos. Seu propósito está escancarado e não ousou a abolição das Instituições.

Os portugueses não foram alvos e manifestações contrárias pipocaram. Nem insinuou a destruição da célula base de uma sociedade. Francisco Gomes de Amorim publicou um belo texto e discordou de Jabor no mesmo tom de crítica. Seja como for, corrupção não é novidade e a provocação de Jabor é o reflexo do que o país vive.

ATÉ A PRÓXIMA