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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Bonito de se ver
Sábado,  22 JUL 2017
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 Numa noite muito fria do Festival de Inverno que está acontecendo em Bragança, vi algo bonito e raro no Lago do Taboão. Uma jovem convalescente resolveu ir para casa antes do final do show. Ligou para a casa e ficou esperando a condução junto a um poste. Estava um pouco inclinada em função do frio e do cansaço.

De repente, aproximou-se dela um homem de meia idade, perguntando se ela precisava de ajuda. Perguntou se ela queria atravessar a rua, visto que os carros passavam devagar, mas sem parar. Insistiu duas ou três vezes para verificar se ela de fato não precisava de ajuda.

Permaneceu algum tempo fazendo-lhe companhia. Em seguida, despediu-se e foi em direção ao restaurante, do outro lado da rua. Sentou-se junto à sua esposa para continuar o seu jantar. Viu de longe a possível necessidade de um semelhante, levantou-se e foi até lá, colocou-se à disposição. Deixou muito claro que queria muito ajudar no que fosse necessário.

Já contei aqui a história do taxista de Belo Horizonte, que ao transportar uma jornalista da Rádio Bandeirantes para o aeroporto, lhe contou que anda hoje graças a uma iniciativa do jornalista Salomão Esper, quando este era jovem, e o taxista, uma criança. Contou à jornalista que nascera no interior de Minas, com pernas muito tortas. Buscando uma solução, a família se mudara para São Paulo.

O tempo passava sem que seu pai conseguisse a cirurgia necessária. Como não andava, seu irmão o carregava nas costas ou num carrinho de mão utilizado em obras. Numa das ladeiras do Morumbi, bairro paulistano, Salomão viu aquela cena. Não só viu como parou seu automóvel, na época um Fusquinha, aproximou-se do garoto, para certificar-se mais de perto daquilo que via. Imediatamente, entrou em contato com um cirurgião amigo, contou-lhe a situação do menino.

Logo ele foi operado e, depois de algum tempo, conseguia caminhar com as próprias pernas. O taxista falou então à jornalista da sua eterna gratidão a Salomão Esper. Mandou contar-lhe que hoje já é avô e pastor de uma igreja evangélica, onde sempre ora pelo seu benfeitor.

A jornalista não se continha com a boa ação do seu colega de Rádio. Já no dia seguinte chamou Salomão ao seu programa, para lhe relatar aquilo que descobrira. Ainda mais surpreendente foi a reação do benfeitor. Com a maior naturalidade, disse que se lembrava bem desse episódio, mas que o mesmo não era único, nem isolado.

Contou no ar outras ações semelhantes que fizera ao longo dos anos: “não há nada especial nisso, as ajudas que consegui proporcionar foram espontâneas, vejo tudo isso com naturalidade, estava no meu alcance, nada me custou, foi o que aprendi deste pequeno com meus pais”.

Quando pequeno no sítio, meu avô curava muita gente com homeopatia. As pessoas chegavam, falavam de suas dores ou moléstias, levavam um vidro de água com gotas de remédio. Não tinha hora marcada. As pessoas vinham de manhã, tarde ou noite. Também era ele quem aplicava injeções prescritas por médicos.

Nunca vi alguém pagar algo por esses tratamentos. Ainda hoje existem algumas pessoas que generosa e gratuitamente atendem a muitas pessoas. Em Bragança conheço uma senhora que fez isso durante muitos anos, mesmo trabalhando durante todo o dia na roça.

Depois de aposentada, alargou ainda mais esses atendimentos. Atende em casa, e quando necessário, vai até a casa de consulentes. Nos poucos instantes livres, prepara a comida para filhos e netos.

Nunca diz não. Embora pobre, não cobra por seu trabalho espiritual, de grande alívio para muitos que a procuram. A generosidade é coisa bonita de se ver. Em nossa família, vizinhança, igreja, local de trabalho ou escola existem muitas pessoas que praticam a generosidade, contribuindo para um mundo melhor.