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BragançaPaulista18 Jan 2018


Colunistas


Ou melhora ou piora
Sábado,  22 JUL 2017
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 “Nunca deixe uma boa crise ser desperdiçada”, ensinou Winston Churchill, aquele que liderou a Inglaterra na enorme crise de enfrentar Hitler. No entanto é comum indivíduos, cônjuges, famílias e nações desperdiçarem suas crises.

A questão urgente é se o Brasil, nessa enorme crise, irá tirar proveito dela. Das crises e turbulências da vida, com raríssimas exceções, ninguém sai o mesmo. Ou se sai melhor, ou se sai pior.

E isso é também verdade quanto às nações, e então, verdade quanto ao Brasil neste momento. Depois de passar a crise atual, ou o Brasil sai melhor, ou sai pior. A crise do momento não é a primeira do país. O que a crise atual denota é que as crises anteriores não foram aproveitadas.

A “Transparência Internacional” classificou 168 países quanto à corrupção. O Brasil ficou no 76° lugar, ou seja, bem corrupto. E é preciso lembrar que o Brasil nesse nível de classificação não é fenômeno dos últimos anos. Para a reflexão sobre o momento atual do Brasil, são bem relevantes a classificação e a experiência da Itália quanto à corrupção.

A Itália está no 61° lugar, ou seja, próxima do Brasil. E “Mãos Limpas” foi o nome de uma extensa investigação judicial na Itália, na década de 1990, semelhante à “Lava Jato”, que implicou muitos políticos e poderosos. Ela envolveu a Máfia, o Banco do Vaticano e a Loja Maçônica P2.

Na operação toda foram expedidos 2.993 mandados de prisão e foram investigados 6.059 cidadãos, compondo esse grupo 872 empresários, 1.978 administradores locais, 438 parlamentares, além de quatro ex-primeiros-ministros.

O Juiz Piercamillo Davigo, que participou das investigações da “Operação Mãos Limpas”, fez a seguinte avaliação em recente entrevista à revista Veja: “Pela sua extensão, a ‘Operação Mãos Limpas’ deveria ter feito da Itália um dos países mais honestos do mundo.

Não foi o que aconteceu. Particularmente no sul, onde secularmente os grupos mafiosos mantiveram relações com as autoridades e políticos, a corrupção em contratos públicos é apontada pelos consultores internacionais como um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento econômico”. Então, muitos foram para a cadeia, mas tudo continua péssimo.

A pergunta que naturalmente surge, é por que nada mudou? O próprio juiz Davigo explica assim: “Nós, repressores dos criminosos, temos um papel parecido com o dos predadores da natureza.

Melhoramos a espécie predada... Todas as maiorias políticas no país, nos partidos de centro-direita ou de centro-esquerda, tiveram como objetivo criar obstáculos às investigações, e não ampliar o combate à corrupção”. “Dezenas de leis foram alteradas, aboliram-se crimes e modificaram-se as penas”.

Se houver esse refinar metodológico e/ou legal da malandragem, o Brasil, otimista e romântico pela própria natureza, não discernirá o acontecido até que alguns anos se passem e nova crise surja.

Portanto, tempo, crises e condenações criminais em si, não mudam automaticamente a moral social, e nem individual, como comumente se pensa equivocamente na cultura brasileira. E a miséria moral de uma nação não está circunscrita a “eles” ou “alguns”, mas a todos.

E mais, não é a ação isolada de alguns juízes, promotores e policiais corretos que muda a moral da nação. Aliás, como demonstra a experiência italiana, mesmo depois de uma intervenção aguerrida e correta da justiça, a situação moral pode piorar após a crise. Ao invés de se sair melhor, se sai pior. A safadeza enraizada na cultura se aperfeiçoa. Piorar é o risco que o Brasil corre.

Ultrapassado o momento, a crise em si torna as pessoas e nações mais cínicas, falsas, atrevidas e safadas. Mudança para melhor acontece se a crise levar a nação, ou indivíduo, a uma lavada de alma. Para haver mudança, é preciso que a crise cause um romper com os valores passados e a um abraçar novos valores.

Foi o que aconteceu com o filho prodigo. Jesus Cristo contou a estória do filho rebelde que rompe com o pai, exige a herança antecipada, parte para longe, esbanja tudo libertinamente e acaba na pior.

Então, num momento de lucidez espiritual, ele decide andar o caminho de volta, mas como outra pessoa. Assim narra Cristo a atitude daquele filho: “Caindo em si, ele disse... Eu me porei a caminho, voltarei a meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. “ E ele voltou e nunca mais foi o mesmo” (Lucas 15:17-18).

O pai na estória é o Deus eterno revelado em graça em Cristo. É o grande resgatador do ser humano arrependido. É aquele que perdoa e transforma quem, aproveitando sua crise, entenda sua miséria, se arrependa e clame por mudança. O brasileiro está rompendo com seus valores e modo de navegação moral?