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BragançaPaulista16 Jan 2018


Colunistas


Animal político
Sábado,  15 JUL 2017
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 ARISTÓTELES avaliou que o homem é um ser que necessita dos outros, assim, um ser imperfeito e carente buscando a comunidade para alcançar a completude. Dessa forma, deduziu que o homem é naturalmente político. Também sustentou “(...) quem vive fora da comunidade organizada ou é um ser degradado ou um ser divino”. Tem mais: para Aristóteles, “toda comunidade visa um bem”. Claro que o bem de que se cuida aqui é na verdade um fim determinado.

Nada a ver com o bem universal, porém, aquele ato que tenha como propósito o bem necessário. Ora, a comunidade tem uma meta que difere das demais, ou seja, aquela que é a principal e que contém em si todas as outras: bem soberano! Em resumo: o animal político ou cidadão é o homem livre que possui direitos naturais por sua competência em comandar. A vida do ser humano é viável quando supridas suas necessidades e cada vez mais as necessidades aumentam e não cessam.

A pluralidade humana possui o duplo aspecto de igualdade e diferença. Caso contrário e se não fossem iguais, seriam incapazes de compreender-se entre si. Assim, comandante e comandado são igualmente animais políticos e cabe ao primeiro a competência de satisfazer a comunidade, e não o fazendo, é um imbecil com a pretensão de conduzir um punhado de sábios. Interessante assimilar tais conceitos.

ORIGEM DA DESIGUALDADE (I)

JEAN-JACQUES ROUSSEAU
escreveu o famoso discurso que mostra qual é a origem da desigualdade entre os homens e se é autorizada pela lei natural. Magnífico e alguns de seus trechos são atuais.

1) Se eu tivesse de escolher o lugar do meu nascimento, teria escolhido uma sociedade de grandeza limitada pela extensão das faculdades humanas, isto é, pela possibilidade de ser bem governada, e onde, bastando-se cada qual ao seu mister, ninguém fosse constrangido a atribuir a outros as funções de que estivesse encarregado.

Um Estado em que, todos os particulares se conhecendo entre si, nem as manobras obscuras do vício, nem a modéstia da virtude pudessem subtrair-se aos olhares e ao julgamento do público, e em que esse doce hábito de se ver e de se conhecer fizesse do amor da pátria o amor dos cidadãos, em vez do da terra.

2) Eu quisera nascer num país em que o soberano e o povo só pudessem ter um único e mesmo interesse, a fim de que todos os movimentos da máquina tendessem sempre unicamente à felicidade comum; como isso só poderia ser feito se o povo e o soberano fossem a mesma pessoa, resulta que eu quisera nascer sob um governo democrático, sabiamente moderado.

3) Eu teria, pois, procurado, como pátria, uma feliz e tranquila república cuja antiguidade se perdesse de certo modo na noite dos tempos, que não tivesse experimentado senão golpes próprios para manifestar e consolidar nos seus habitantes a coragem e o amor da pátria, e onde os cidadãos, acostumados de longa data a uma sábia independência, fossem não somente livres, mas dignos de o ser.

ORIGEM DA DESIGUALDADE (II)

4) EU QUISERA, pois, que ninguém, no Estado, pudesse dizer-se acima da lei, e que ninguém, fora dele, pudesse impor alguma que o Estado fosse obrigado a reconhecer; de fato, qualquer que possa ser a constituição de um governo, se neste se encontra um só homem que não esteja submetido à lei, todos os outros ficam necessariamente à discrição deste último.

5) Eu teria procurado um país no qual o direito de legislação fosse comum a todos os cidadãos; porque, quem melhor do que eles pode saber sob que condições lhes convém viver juntos em uma mesma sociedade?

6) Eu quisera viver e morrer livre, isto é, de tal modo submetido às leis que nem eu nem ninguém pudesse sacudir o honroso jugo, esse jugo salutar e doce, que as cabeças mais altivas carregam tanto mais docilmente quanto são feitas para não carregar nenhum outro.

RESGATAR A DIMENSÃO PÚBLICA DO ESTADO

COMO PODEMOS
ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco?

Se é aceitável que os responsáveis de um Banco Central venham das empresas que precisam ser reguladas e voltam para nelas encontrar emprego? Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de se reduzir a capacidade das corporações privadas ditarem as regras do jogo.

A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, de reduzir a regulação de Banco Central, de autorizar os bancos a fazerem toda e qualquer operação, somado com o poder dos lobbies financeiros tornam evidente a necessidade de se resgatar o poder regulador do Estado, e para isto os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas, que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas, políticas que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os interesses econômicos de curto prazo e a corrupção.

LEIA> http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2012/06/riscos-e-oportunidades.pdf

CORRUPÇÃO

RESPOND
A se for capaz.

1) Por que num tal contexto, a política passa a constituir extraordinário atrativo para criminosos profissionais, em geral burocratas medíocres, desqualificados moral e tecnicamente, sem perspectiva fora da política?

2) Por que certos partidos políticos passam a funcionar, assim, como autênticas quadrilhas, cujos membros seguem a lógica do quem dá mais, por isso que trocam de legenda constantemente, impunemente?

3) Por que o sistema representativo é um engodo que conta com a participação do próprio eleitor, que não raro exige, em troca do voto, algum proveito, de modo que o voto constitui, por isso, apenas um expediente para legitimar e perpetuar o crime, afinal os eleitos não representam o eleitorado, mas os seus próprios interesses e os interesses dos grupos econômicos que os patrocinam?

4) Por que, apesar das fraudes, insistimos em perpetuar determinados criminosos no poder, e a tudo assistimos passivamente?

5) Por que criminosos políticos estão protegidos por um sem número de privilégios (foro privilegiado, imunidades parlamentares etc.) que os tornam grandemente imunes às investigações?

6) Por que somos obrigados a votar, quando votar é um direito e não um dever, pois o eleitor tem, há de ter, a liberdade de votar em quem quiser, quando e se quiser, consciente e livremente?

7) Por que, em vez de enfrentar os problemas em suas causas, em suas raízes, tentamos combatê-las em suas consequências, tardia, burocrática e simbolicamente; e isso equivale a não combatê-las? (Extraído de http://www.paulo queiroz.net/por-que-o-brasil-continuara-sendo-um-pais-corrupto/).

POR ÚLTIMO

EDITORIAL DO BJD
que teve como título a fábula de Esopo “A galinha dos ovos de ouro” revelou um retrato interessante e resta agora colocá-lo em uma moldura. Na fábula, o que aconteceu ao abrir a galinha? Qual a moral da história? Vamos lá> O excesso de ambição! Quem tudo quer tudo perde!

Não é assim? A vocação de Bragança Paulista foi demonstrada de maneira inequívoca e já descrita nesta coluna. Tenhamos sim a ambição em desenvolvê-la rapidamente. Conheço o estilo de Jesus Chedid. Com a vocação definida, não vai desistir jamais. E se “no meio do caminho” existir uma pedra? Antecipo> Não será obstáculo. Quando ele define... nada impede!!!